Tratamento de temas interessantes de uma forma desinteressante. Abordagem inconsequente acerca da consequência das coisas. Tudo será devidamente tratado, mas sem qualquer resolução. Os leigos também têm direito a opinião...

sábado, 29 de outubro de 2011

No buraco

Será que todo o teu dinheiro
Vai comprar o teu perdão
Vai proteger-te de doenças
Ou vai proteger-te do frio?

Será que todo o teu dinheiro
Vai proteger-te da loucura
Vai proteger-te da tristeza
Quando estiveres no buraco?

Pois, estarás na valeta
Estarás a mendigar cigarros
Estarás a mendigar meias de nylon
Na Zona Americana

Estarás no buraco
É, aqui no buraco
Sem escapares aos problemas
Sem teres para onde ir

Aqui na valeta
A mendigar cigarros
A mendigar perdão
É tudo aquilo que sabes

No buraco
Depois de cavar nas trincheiras
À procura de abrigo e descobrindo que
Não há para onde ir

Nenhum dinheiro teu
Te vai comprar o perdão
Nenhuma das tuas jóias
Nenhum do teu ouro

Os teus cigarros do mercado negro
As tuas boates americanas
Ah, eles já não têm para onde ir

Algo pra nada
Todos os seus amigos se foram
Algo pra nada
É tudo aquilo que sabes

Há alguma coisa no buraco

Letra do tema "Down in hole" composto por Mick Jagger e Keith Richards
Álbum Emotional Rescue 1980

domingo, 23 de outubro de 2011

Viva...Chegou o Outono

Sopra um fluido de vento fresco, preambulo do frio que por aí vem.
Estranho pensar que me agrada esta chuva obliqua, cinzenta de luz.
Nunca antes me recordo de esperar este tempo.
Sinais dos tempos, ficar feliz pela chegada do Outuno.
No fundo acho que aspiro a normalidade nesta época inconstante.
Em breve teremos o crepitar da lenha na lareira.
Será o regresso à ordem natural das coisas.
O conforto formal na sequência da Natureza.
Como validação do ciclo da vida.
E esqueci hoje as leituras astrológicas Maias.
Que os eixos magnéticos da Terra permaneçam são os meus votos.
Que depois venha o Inverno, forte e frio.
A Primavera florida e perfumada.
Depois o Verão, solarengo e límpido.
Recordações da infância para reviverem os meus filhos.
Viva...Chegou o Outono...

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Ver-se grego

Sobre a expressão «ver-se grego», corresponde a ter muita dificuldade em resolver qualquer problema ou situação, escreveu Vasco Botelho de Amaral, em Mistérios e Maravilhas da Língua Portuguesa (Livraria Simões Lopes, Porto, 1950).

Como é premonitória a sabedoria popular. Esta expressão utiliza-se há séculos.

Nunca o seu sentido foi tão literal e tão real.

A partir de agora é que os portugueses "se vão ver gregos".

Até aqui tudo o que se passava na Grécia era longínquo, quase irreal.

Tudo mudou. Neste momento fazemos parte da tragédia e temos o papel principal.

Quando em conversas de café reflectíamos sobre o estado do nosso Estado dávamos um sentido cómico ás historias que conhecíamos.

Percebemos agora que a comédia se tornou trágica.

...E dou por mim a pensar:

Será que os Gregos agora se vêem Portugueses ?

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

A Juiza tornou-se vitima





Este episódio foi-me contado por um agente policial. Aconteceu um dia no Tribunal de Sintra.

Um jovem deliquente foi presente a uma Juíza por 2 agentes.

O rapaz era suspeito de realizar furtos em viaturas. Era Já bem conhecido das autoridades, por ser reincidente.

Após ser ouvido pela Juíza, esta determinou como medida cautelar, o "termo de identidade e residência".

O rapaz retirou-se, exibindo um sorriso de escárnio aos agentes policiais e saiu do tribunal.

Durante a tarde os agentes que haviam acompanhado o assaltante ao tribunal, receberam uma ocorrência via rádio-patrulha:

"Foi furtado do parque de estacionamento do Tribunal de Sintra um veiculo pertença da sr. Dra. juíza...."

Claro que foi o ultimo carro a ser recuperado pelos agentes naquele dia.

A juíza acabou por ser vítima da própria decisão.

E em casos mais graves? Dá o que pensar, não é?

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Livro: Paraísos artificiais - Charles Baudelaire


A razão deste meu texto tem a ver com o que eu descobri por acaso a partir deste livro.

Nos meados do séc. XIX Charles Baudelaire escreveu " Paraísos artificiais".

Não se trata de poesia, como seria de esperar de um poeta. Neste ensaio Baudelaire aborda os efeitos da utilização do ópio, da cannabis e do álcool.

De inicio é evidente a apologia da utilização medicinal, social e espiritual destas substâncias. Na parte final surge o desencanto e conclui que a subjugação da criatividade à dependência torna a mente vazia de conteúdo.

Inspirado em Thomas Quincy, que foi uma das referencias de Baudelaire, o compositor português do inicio do séc XX, Luis de Freitas Branco compôs em 1910 o poema sinfónico "Paraísos artificiais".


Possivelmente o autor estaria a navegar nas ondas do primeiro estagio da ligação a uma das substâncias. Achei absolutamente fantástico.

Esta sinfonia devia ser devidamente divulgada. Para mim foi surpreendente. Tal como para a grande maioria dos portugueses a sua música era-me desconhecida.

Aproveito para fazer uma outra recomendação, oiçam o aluno mais brilhante de Luis de Freitas Branco. É considerado um dos maiores compositores do mundo no séc XX, dá pelo nome de Joly Braga Santos.