Tratamento de temas interessantes de uma forma desinteressante. Abordagem inconsequente acerca da consequência das coisas. Tudo será devidamente tratado, mas sem qualquer resolução. Os leigos também têm direito a opinião...

domingo, 29 de janeiro de 2012

Niilismo



"Trata-se de uma tendência filosófica de reduzir todas as crenças a puras convicções do sujeito. O niilismo destitui-se de crenças. Há vários tipos de niilismo. Os mais conhecidos são: niilismo político; niilismo metafísico; niilismo existencialista. Alguns pensadores modernos também dividem o niilismo entre ativo e passivo." In wiktionary.

Embora seja um termo muito pouco utilizado no dia a dia, é a atitude dominante dos nossos dias.

Quantas vezes verificamos alguém a defender um determinado pressuposto e o seu contrario como verdadeiros? A verdade para esses indivíduos é meramente conjuntural.

A ausência de moral serve perfeitamente como instrumento  da capacidade argumentativa para atingir um determinado fim.

Os conceitos de bem e de mal são utilizados ao sabor de compromissos ora assumidos, ora impostos.

A moral torna-se amoral...

O ideal, transforma-se em ideário político.

O niilismo não é apenas a negação de Deus enquanto entidade suprema, não é apenas o vazio existencialista. O niilismo é a possibilidade positivista que cada um tem de construir a sua própria moral, para o bem e para o mal.


Pois, mesmo não concordando com ele, foi Nietzsche quem antecipou o desenvolvimento amoral do mundo Ocidental durante o séc. XX, e escreveu:


"A moral não tem importância e os valores morais não têm qualquer validade, só são úteis ou inúteis consoante a situação" (...) "A verdade não tem importância; verdades indubitáveis, objectivas e eternas não são reconhecíveis. A verdade é sempre subjectiva" (...) "Deus está morto: não existe qualquer instância superior, eterna. O Homem depende apenas de si mesmo" (...) "O eterno retorno do mesmo: A história não é finalista, não há progresso nem objectivo".

Claro que aqueles que no seu dia a dia são puros niilistas, vivem em permanente negação. Rejeitam o vazio das suas próprias existências. Tentam justificar o injustificável.

Qual é a razão de ser do desabrochar de uma flor? Não há razão de ser, é apenas um facto. Tudo o resto não passa de uma reflexão metafísica sem sentido. Factos são factos.

Os outros, os que têm a consciência existencial do niilismo, preenchem esse vazio vivendo sem crenças compensatórias de redenção. Crêem apenas no eterno retorno da substância.

São esses os que estão sós e sem desculpas, como declarou Jean Paul Sartre.

domingo, 22 de janeiro de 2012

Israel na Austrália. Porque não?

"O objetivo da "Solução Final" era exclusivamente o de exterminar todos os judeus europeus. Assim, nos campos de extermínio, as SS e a polícia alemã assassinaram cerca de 2.700.000 judeus utilizando mecanismos de asfixia por gás venenoso ou por fuzilamento, 3.300.000 outros israelitas morreram devido às atrocidades cometidas contra eles pelos alemães e seus colaboradores, por fome, maus-tratos, espancamento, frio, doenças, experiências “médicas” e outras formas de crueldade inimagináveis. No total, seis milhões de judeus - homens, mulheres e crianças - foram mortos pelos nazis durante o Holocausto, aproximadamente 2/3 dos judeus que viviam na Europa antes da Segunda Guerra Mundial."

In A solução final, Holocaust Memorial Museum, Washington DC

Esta temática é muita vezes esquecida nos dias de hoje. Geralmente surge-nos como historia distante, tratada em filmes dos anos 50 e 60. Aconteceu à 67 anos e os seus efeitos perduram até hoje.

Uma das consequências da 2a Guerra Mundial foi a criação do Estado de Israel.


Em Maio de 1948 é declarada a independência do Estado de Israel. 

No dia seguinte os países muçulmanos vizinhos declararam guerra e um após outro os conflitos mantém-se até hoje.


A população de Israel é constituída por 7,5 milhões de habitantes dos quais cerca de 6 milhões são judeus.

A colocação do estado judaico naquela zona do mundo foi, quanto a mim, um erro monumental.

O erro surge após a primeira Grande Guerra, quando é atribuído ao Reino Unido a responsabilidade de ser a potência administrante da Palestina. Em 1922 o mandato era semelhante à "Declaração Balfour".

Esta declaração havia sido proferida pelo ministro de negócios estrangeiros britânico Arthur Balfour, que em 1917 afirmara: "O governo de Sua Majestade encara favoravelmente o estabelecimento na Palestina de um lar nacional para o Povo Judeu…", a comunidade internacional acreditava ingenuamente que naquela zona seria constituído um estado em que judeus e muçulmanos conviveriam em paz.

Não está em causa o direito dos judeus se constituirem num Estado soberano e independente dado que o seu povo é uma nação com a sua própria identidade histórica, cultural e religiosa.

Na minha opinião o Estado de Israel deveria ter sido constituído na Austrália.

Para os australianos seria uma forma de ocupar e desenvolver as zonas interiores do deserto. É de recordar que a Austrália foi tendo ao longo do sec. XX campanhas de suporte e captação de imigração para povoamento do seu vasto e árido território, pelo que não se iria opor à ideia.

Para os judeus seria uma pátria em que poderiam viver em paz, sem a indesejável vizinhança.

Para a comunidade internacional seria menos uma dor de cabeça. Os muçulmanos deixariam de ter mais esta desculpa para escoar a sua agressividade. O inimigo sionista já não estaria ás suas portas.

Quando os diplomatas não têm visão os povos é que sofrem. Vejamos o que se passa no Médio Oriente...

domingo, 15 de janeiro de 2012

As lendas que são lendas


WYATT EARP (1848-1929)
No cinema é retratado como um jogador profissional e honesto, pistoleiro rápido e certeiro e homem corajoso, que teria muito sucesso com as mulheres.

Embora seja retratado como um temido xerife, apenas desempenhou funções policiais durante 5 anos. A sua restante vida é passada a jogar à batota e a viajar pelo sudoeste americano investindo os lucros do jogo em bares e casinos. Roubou cavalos, foi vigarista, abandonou a mulher em pleno deserto.

Participou num tiroteio famoso em Tombstone. Os irmãos Earp sobreviveram e mataram 3 elementos do outro gang já depois destes se terem rendido. Nada honroso.

Wyatt Earp morreu de morte natural, pouco antes que Stuart Lake, o escritor, publicasse a falsa biografia que o celebrizaria e que faria Wyatt o protótipo do herói do Oeste. O cinema e a televisão ergueram-lhe um monumento que o mundo admira. Um homem tão corajoso que uma vez foi esbofeteado num bar e não reagiu. 

Ficam as palavras do Juiz Benson: “Wyatt Earp... Bígamo, trapaceiro e velhaco.”


JESSE JAMES (1847-1882)
O realizador Nicholas Ray deu-lhe um tratamento benevolente e generoso, dando a ver que ele não passou de mais uma vítima da violência e das injustiças sociais, provocadas pela Guerra Civil Americana e que só agiu movido pelas circunstâncias. É retratado como um "fora da lei" que roubava aos ricos para dar aos pobres.

Na verdade roubou diligencias, comboios e assaltou 11 bancos. Não consta que tivesse oferecido fosse o que fosse. Matou 16 pessoas, duas das quais eram funcionários bancários desarmados.

Foi morto pelas costas por um companheiro do gang que recebeu uma recompensa pela captura.

A mãe morreu na miséria a vender lembranças aos turistas que vinham visitar a campa do seu filho mais famoso em Kearney, Missouri.





BILLY the KID (1859-1881)
No écran transparece uma figura jovem que praticamente foi obrigado a seguir uma carreira no crime. Afinal ele apenas queria divertir-se. Praticamente foi obrigado a seguir uma carreira no crime.


Nem de propósito James Dean foi convidado para fazer o papel, mas não chegou a fazê-lo.


Na realidade Billy the Kid não foi mais que um psicopata que matou 21 pessoas, pelo menos, dado que na época mexicanos e indios não contavam. Estas mortes eram perpetradas em emboscadas e assaltos, não em duelos por defesa da honra.

Tal como Jesse James, foi morto por um amigo numa emboscada.


KIT CARSON (1809-1868)
O guia do Oeste selvagem, defensor da justiça e dos indios. Enquanto percorreu os estados do norte esta imagem correspondeu aquilo que tantas vezes li nos livros de quadradinhos da minha infância. Possivelmente porque o indios Cheyennes e Utes nunca manifestaram oposição aos avanços do exército americano.

Só quando o coronel Carson foi incumbido de fazer o mesmo no Novo México e Arizona é que tudo passou a ser diferente. Privou os Navajos dos seus pastos e retirou-lhes o sustento de Inverno, levando à morte por fome guerreiros, mulheres e crianças. Os indios foram então obrigados a confinar-se ás reservas.


BUFFALO BILL (1846-1917)
O corajoso aventureiro e batedor da cavalaria americana. Foi carteiro da Pony Express, condutor de diligencias, ferroviário e gerente de hotel.

A maioria das suas aventuras nunca ocorreram, faziam parte de um espectáculo, uma espécie de circo, que ele organizou: O Buffalo Bill's Wild West Show.

Na verdade ele tinha sido um intrépido caçador de búfalos, pensa-se que só à sua conta terá abatido cerca de 5.000. Deu um elevado contributo para a quase extinção da espécie.

É triste chegarmos à conclusão que o nosso imaginário da juventude não passa disso mesmo: imaginário.

As figuras são manipuladas ao sabor de interesses comerciais para se tornarem exemplares aos nossos olhos. 

Hoje sabemos que estes pseudo-heróis afinal não passaram de uns párias para a sociedade em que viveram.

O romantismo daqueles personagens é derrotado pelos factos da historia e nós que queremos acreditar em algo belo e puro, somos confrontados com a dura verdade de que as lendas se constroem a partir da deturpação da realidade.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Os fundamentalistas do fumo

SEXTA-FEIRA, 6 DE JANEIRO DE 2012

Ministério da Saúde vai rever a legislação e aproximá-la de países mais avançados. Combate ao fumo passivo é uma prioridade

O Governo vai fazer o que o Parlamento ainda não fez apesar de estar habilitado para tal: apertar mais a Lei do Tabaco para reduzir as exceções que ainda permitem o fumo em locais públicos (restaurantes, bares, discotecas, etc).

"Vamos rever a legislação de forma a seguirmos os países mais avançados", assegurou ao DN o secretário de Estado da Saúde, Leal da Costa. O fim da exposição de trabalhadores e crianças ao fumo passivo em locais públicos são para rever, talvez já este ano.
Lei do Tabaco: Proibição total de fumar em espaços fechados
in "DN" - 5.01.2012

Desta já me livrei.

Há 8 anos atrás, resultado de uma aposta com um amigo, livrei-me do vicio. Apostamos um com o outro que cada cigarro fumado, que fosse entre nós detectado, custaria 20 €. A partir desse dia cumpri a promessa. Mais tarde vim a saber que o meu amigo ainda fumou durante 6 meses ás escondidas.

Este fundamentalismo baseado em preocupações médico-financeiras parece-me um tanto exagerado. Existem outras substancias legais, que decerto, terão impactos idênticos e nem por isso estão sujeitas a tais restrições.

O caminho para a ilegalização total do tabaco está encurtado.

É a repetição do que sucedeu com o ópio, a ilegalização do consumo em finais do sec. XIX.

Ainda em meados do século, a Inglaterra havia declarado guerra à China por esta ter proibido a importação de ópio da Índia, que então era uma colónia inglesa. Foi a Guerra do Ópio que terminou com a derrota chinesa e determinou a entrega de Hong Kong aos ingleses.

Tal como hoje, o ópio era visto como uma substancia que animava a sociabilização das pessoas.

É verdade que os fumadores se juntam nas situações mais inverosímeis que possamos imaginar. Em janelas, em saguões, à chuva, ao vento, de dia, de noite...Chegam mesmo a confraternizar pessoas que em circunstancias normais não seriam parceiros de conversa.

No tempo em que eu fumava praticamente podiamos fumar em qualquer lado, não era um gesto tão exclusivo como hoje em dia.Por vezes os não fumadores sentem-se verdadeiramente excluídos e com uma pontinha de inveja, por não poderem usufruir dessa cumplicidade.

Mas agora, o que será deles? Onde poderão esconder-se para partilharem tal experiência.

Em breve o tabaco será substancia interdita e então o mercado negro será frutuoso. As fortunas do seu comercio não serão passíveis de impostos, estará lançado mais um produto na economia informal a 100%.

Não quero aqui defender o tabagismo, quero apenas afirmar a livre escolha de cada um.

sábado, 7 de janeiro de 2012

Dec. Lei 220/2008

MINISTÉRIO DA ADMINISTRAÇÃO INTERNA
Decreto-Lei n.o 220/2008 de 12 de Novembro
Objecto
O presente decreto-lei estabelece o regime jurídico da segurança contra incêndios em edifícios, abreviadamente designado por SCIE.
In Diário da Republica

Esta é introdução do texto de 20 páginas do Dec. Lei mais consultado no Diário da Republica.

Admirados? Também eu.

Dei por mim a pensar qual o motivo para ser este e não outro, o tema mais interessante do Diário da Republica.

Uma explicação poderia ser a consulta massiva por parte de agentes ligados à construção de edifícios, arquitectos, engenheiros, desenhadores, empreiteiros, canalizadores, electricistas, etc. Mas achei pouco provável porque este ramo de actividade atravessa uma fase de contracção que deixa pouca margem para novos empreendimentos.

Os bombeiros também poderiam constituir uma hipótese. No entanto penso que atravessam um período em que o problema prioritário tem a ver com as ambulâncias no transporte de doentes não urgentes e o seu financiamento.

Improvável também terem sido técnicos das autarquias, que, preocupados com as fracas condições de segurança dos edifícios nas nossas cidades, haviam resolvido pesquisar formas legais obrigar os proprietários a resolverem os problemas detectados.

Outra pista seriam os próprios proprietários e inquilinos, mas não acredito que para estes valha a pena estarem preocupados e que para aqueles seja motivo de preocupação imediata.

Sobra-me a derradeira solução: O incêndio no Estádio da Luz em Novembro, após o jogo Benfica - Sporting.

Adeptos de ambos os clubes, preocupados por motivos diferentes com as consequências do fogo posto, massivamente resolveram esclarecer duvidas legais.

Os adeptos do Benfica à procura das coimas a aplicar aos prevaricadores, os adeptos do Sporting querendo apurar se aquelas cadeiras deveriam, ou não, ser feitas em materiais incombustíveis.

Penso ter resolvido um enigma que deve ter preocupado muitos intelectuais e proeminentes figuras deste país durante o ultimo mês.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

RESPECT


"O rock, como o fado, blues, samba ou jazz, era, nos seus primórdios, musica de marginais, malvista pela sociedade e amiúde frequentada pelos inadaptados. Nem sempre se olhou com reverencia para a carreira dos Rolling Stones, onde a antiguidade é um posto. E a louvada autobiografia de Keith Richards não seria lida com a condescendência e carinho com que o fazemos hoje. É que, e perdoem-me a comparação menos nobre, os Rolling Stones não escrevem uma letra politicamente engajada há mais de 30 anos. Com John Lennon, nunca teria sido assim."

Miguel Cadete
In prefácio de John Lennon, Edição Expresso, 2011
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Meu caro Miguel Cadete,

Vou começar por refutar as suas afirmações acima transcritas.

I go wild ( Voodoo Lounge - 1994 ), Sweet neo-con ( A Bigger Bang - 2005) Undercover of the night ( Undercover of the night - 1983 ) , Indian girl ( Emotional Rescue - 1980 ), Oh no, not you again ( A Bigger Bang - 2005), Respectable ( Some Girls - 1978 ), Winning ugly ( Dirty Work - 1986 ).

Os temas que indico têm referências políticas. São apenas alguns exemplos que desmentem a afirmação de falta de envolvimento político dos Stones nas ultimas 3 décadas. Outras mais lhe apontaria.

Referindo por exemplo a temática de "Indian girl". A letra fala sobre os conflitos na Nicarágua, um país marcado pelo regime ditatorial da família Somoza durante 4 décadas, até a Revolução Sandinista em 1979.

Em "Sweet neo-con" Jagger, critica o falso moralismo vigente na Casa Branca de Bush. O termo Neo-Con é atribuído ao correspondente da BBC em Washington Mark Mardell, que descreveu como neo-cons "full-blooded nacionalistas do século 21", que "insistem que missão da América é trazer a democracia ao mundo".

"Oh no, not you again". Em vários concertos que se seguiram à 2ª vitoria de George Bush Jr., Mick Jagger dedicou, ironicamente, o tema ao presidente recém empossado. Antes haviam mesmo dado apoio a Bill Clinton.

Keith Richards  é filho de trabalhadores de fábrica e neto de socialistas e líderes de lutas pelos direitos civis no subúrbios de Londres.

Quando em 1989 a Republica Checa se desligou das amarras do bloco de leste, os Rolling Stones foram convidados para darem o primeiro concerto em Praga ainda antes da queda do muro de Berlim. A banda incorporava o sentido de liberdade que então se vivia. Vaclav Havel, o presidente Checo, tornou-se grande amigo do grupo.

Quando emitimos opinião, principalmente quando ela é lida por tanta gente, devemos ser rigorosos. Os casos de que lhe falo são objectivos, podemos sim debater a subjectividade do resto da sua afirmação.

O termo "Comparação menos nobre", tomei-o, e desculpe se me enganei, num sentido depreciativo. Não concordo minimamente com o que diz. Vejamos.

Os Beatles surgem como uma pedrada no charco musical britânico. Os Stones relevam essa pedra ás dimensões de um calhau. Passo a explicar.

Os Beatles com toda a sua genialidade, embora tenham rompido com a musica do tempo, nunca quebraram os laços com o "establishiment".

Quanto aos Rolling Stones, inicialmente houve tentativas de controle, mas rapidamente veio ao de cima a rebeldia e liberdade que sempre prezaram.

Foram eles que fizeram a fusão da musica negra (Blues) com a nova musica branca (Rock an' roll), surge em Inglaterra o Rythm & Blues.

Não podemos de forma alguma ignorar a importância que ambos os grupos tiveram para a musica contemporânea. Claro que contributos diferentes e complementares. Prova disso a colaboração que em diversas situações tiveram no trabalho de uns e outros.

A condescendência com que fala dos Stones resvala em 2 afirmações que passo a transpor:

"...Estava um dia pavoroso. Lá estava eu em Mount Street, enquanto uma tempestade infernal desabava sobre Londres. Deixei-me levar por esse espirito enquanto olhava pela janela e via aquela gente toda a tentar que o vento não lhe roubasse os chapéus de chuva, a correr a sete pés. Foi assim que me veio a inspiração (...) Estava um dia de merda e não tinha nada melhor para fazer. Claro que a canção pode ser lida de um modo metafórico..." Declaração de Keith Richards acerca do tema "Gimme Shelter". 

"...sobre as maravilhosas letras de Dylan escreveu-se mais do que alguma vez houve nessas letras, sobre as minhas também. Mas eram os intelectuais que decifravam isso tudo nos Beatles ou em Bob Dylan..." Afirmou John Lennon numa entrevista.

Por estes depoimentos podemos verificar o que se passa quando os críticos pseudo-intelectuais fazem as suas análises. Na maiora dos casos nem preparação técnica têm para emitir juízos.

Verificamos muitas vezes o endeusamento de grupos que terminaram as suas carreiras, muitos deles com merecido destaque. Não podemos esquecer que a sua imagem resulta da cristalização dos seus fins no apogeu das carreiras. Temos alguns exemplos justos: Beatles, Doors, Led Zepplin, Nirvana, etc.

Essas imagens impolutas resultam do facto de já não poderem errar, já não estão no activo.

Ora os Stones ainda por cá andam. Não estou a dizer que tudo o que fizeram é genial porque é impossível manter sempre o mesmo nível numa carreira tão extensa e tão intensa, mas serão sempre um marco definidor da carreira de qualquer músico, quer se goste ou não.

“Mick e eu somos amigos. Mais que amigos, somos irmãos. E, como acontece com irmãos que se amam, nosso relacionamento tem altos e baixos”. Keith Richards, guitarrista dos Rolling Stones, sobre seu relacionamento com o vocalista da banda.

Sou contra o estabelecimento de rankings musicais, mas para objectivar a análise vamos verificar que os Rolling Stones são considerados pela generalidade das publicações especializadas como a 2ª banda mais importante da historia da musica logo a seguir aos Beatles e antecedendo os Led Zeppelin.

Albuns classificados com rating máximo pela Allmusic:

"The Rolling Stones Now" 1965

"Aftermath" 1966

"Between the Buttons" 1967

"Beggars banquet" 1968

"Let it bleed" 1969

"Sticky fingers" 1971

"Exile on main street" 1972

"Some girls" 1978

A publicação Rolling Stone Music considera "Exile on main street" o 7º melhor álbum de todos tempos. Penso que com uma produção mais cuidada, poderia ser considerado o melhor álbum da história da musica.

A musica dos Stones emana do coração. Constrói emoções. Não existe nada parecido. É algo que não se ouve...sente-se.

"Mick Jagger e Keith Richards insistiram em cobrir todas as despesas do funeral de Hu­bert. Deus abençoe os Rolling Stones”, afirmou à imprensa a viuva no funeral do guitarrista de blues Hu­bert Sumlin que havia sido uma das referencias do inicio da carreira dos Stones.

Por aqui se apura o perfil destes cavalheiros.

Portanto, caro Miguel, sejamos justos, mesmo de quem não gosta, estes homens merecem algo que se leva muito a sério na Jamaica, uma das terras adoptivas de Keith Richards:

RESPECT.

Com todo o  respeito e sem condescendência...

domingo, 1 de janeiro de 2012

Kepler 22 - B

Descoberto planeta com características semelhantes às da Terra

Washington – A agência espacial norte-americana NASA confirmou a existência de um planeta semelhante à Terra, num sistema solar a 600 anos-luz do nosso e que apresenta as mesmas características.

O planeta denominado Kepler 22-b, do qual se teve conhecimento em 2009, tem uma tempratura em torno dos 22 graus Celsius à superfície e tem uma dimensão 2,4 vezes superior à da Terra.

Bill Borucki, cientista da NASA, confirmou as características do planeta até agora mais parecido com a Terra, que se encontra numa zona habitável de um sistema solar que se move em torno de uma estrela semelhante ao Sol.

Ainda não se sabe ao certo a constituição do solo mas, segundo o cientista, terá «a superfície necessária para manter uma boa temperatura».

(c) PNN Portuguese News Network

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Imaginem o que pode representar esta descoberta.

É como uma segunda oportunidade para a Humanidade, um livro em branco.

Seria a aplicação do principio da "Tábua rasa" de John Locke, com uma ligeira mutação: a experiência anterior teria de ser valorizada, para não ser repetida.

Poderiamos recomeçar, criar um mundo novo em moldes definidos de inicio. Se realmente quiséssemos viver num outro mundo, teríamos de fazer tudo diferente deste que temos.

Penso que seria muito fácil, bastaria fazer o oposto do que fizemos até agora a este planeta Terra.

Não poderiam ser os dirigentes de hoje a projectar tão magistral tarefa, não estão à altura de tal empreendimento.

Poderíamos constituir uma "task force" para pensar nisso. Estão abertas as candidaturas, contactem-me.

O primeiro passo seria arranjar-lhe um nome decente. Kepler 22- B parece designação de medicamento. A NASA devia abrir um concurso para o efeito.

Por mim atribuía-lhe o nome: ARRET.

Se queremos inverter o que fizemos por cá, então comecemos por inverter-lhe o nome.

Original, não? Um anagrama de TERRA.

Bem, se realmente se confirmar a descoberta vou inscrever-me com a minha familia e os meus amigos nos serviços de emigração.