Tratamento de temas interessantes de uma forma desinteressante. Abordagem inconsequente acerca da consequência das coisas. Tudo será devidamente tratado, mas sem qualquer resolução. Os leigos também têm direito a opinião...

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Os fundamentalistas do fumo

SEXTA-FEIRA, 6 DE JANEIRO DE 2012

Ministério da Saúde vai rever a legislação e aproximá-la de países mais avançados. Combate ao fumo passivo é uma prioridade

O Governo vai fazer o que o Parlamento ainda não fez apesar de estar habilitado para tal: apertar mais a Lei do Tabaco para reduzir as exceções que ainda permitem o fumo em locais públicos (restaurantes, bares, discotecas, etc).

"Vamos rever a legislação de forma a seguirmos os países mais avançados", assegurou ao DN o secretário de Estado da Saúde, Leal da Costa. O fim da exposição de trabalhadores e crianças ao fumo passivo em locais públicos são para rever, talvez já este ano.
Lei do Tabaco: Proibição total de fumar em espaços fechados
in "DN" - 5.01.2012

Desta já me livrei.

Há 8 anos atrás, resultado de uma aposta com um amigo, livrei-me do vicio. Apostamos um com o outro que cada cigarro fumado, que fosse entre nós detectado, custaria 20 €. A partir desse dia cumpri a promessa. Mais tarde vim a saber que o meu amigo ainda fumou durante 6 meses ás escondidas.

Este fundamentalismo baseado em preocupações médico-financeiras parece-me um tanto exagerado. Existem outras substancias legais, que decerto, terão impactos idênticos e nem por isso estão sujeitas a tais restrições.

O caminho para a ilegalização total do tabaco está encurtado.

É a repetição do que sucedeu com o ópio, a ilegalização do consumo em finais do sec. XIX.

Ainda em meados do século, a Inglaterra havia declarado guerra à China por esta ter proibido a importação de ópio da Índia, que então era uma colónia inglesa. Foi a Guerra do Ópio que terminou com a derrota chinesa e determinou a entrega de Hong Kong aos ingleses.

Tal como hoje, o ópio era visto como uma substancia que animava a sociabilização das pessoas.

É verdade que os fumadores se juntam nas situações mais inverosímeis que possamos imaginar. Em janelas, em saguões, à chuva, ao vento, de dia, de noite...Chegam mesmo a confraternizar pessoas que em circunstancias normais não seriam parceiros de conversa.

No tempo em que eu fumava praticamente podiamos fumar em qualquer lado, não era um gesto tão exclusivo como hoje em dia.Por vezes os não fumadores sentem-se verdadeiramente excluídos e com uma pontinha de inveja, por não poderem usufruir dessa cumplicidade.

Mas agora, o que será deles? Onde poderão esconder-se para partilharem tal experiência.

Em breve o tabaco será substancia interdita e então o mercado negro será frutuoso. As fortunas do seu comercio não serão passíveis de impostos, estará lançado mais um produto na economia informal a 100%.

Não quero aqui defender o tabagismo, quero apenas afirmar a livre escolha de cada um.
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