Só por via televisiva havia tomado contacto com este desporto adaptado a pessoas com deficiência. Trata-se de uma modalidade paralimpica em que Portugal é uma das grandes potências mundiais.
O meu filho Tiago tem uma deficiência cognitiva que através dos anos tem vindo a tentar esbater. Uma das actividades que mais tem potenciado as suas competências é o Desporto Escolar. Foram os professores da Escola Secundaria de Santa Catarina, em Caldas da Rainha, que o iniciaram na Boccia. A avó foi o suporte emocional da altura. Em boa hora o fizeram.
Ficamos a assistir numa bancada quase vazia. Estes eventos não têm a visibilidade mediática de outros.
Connosco estava a nossa amiga Salomé e as suas 2 filhas, a Carlota e a Constança que nos seus 4 anos quis saber as regras do jogo. As crianças não se preocuparam nada com as diferenças que viam nos outros meninos, foram encantadoras.
Connosco estava a nossa amiga Salomé e as suas 2 filhas, a Carlota e a Constança que nos seus 4 anos quis saber as regras do jogo. As crianças não se preocuparam nada com as diferenças que viam nos outros meninos, foram encantadoras.
No pavilhão assisti a momentos muito bonitos. A calma reinava, ninguém diria que ali competiam cerca de 1 centena de pessoas, entre adultos e crianças, em simultâneo realizava-se o campeonato nacional absoluto. Realço o facto de imperar o respeito e a ordem, embora estivessem em competição, não assisti a qualquer perturbação que não fosse de celebração.
O tempo parecia-me mais extenso. Por cada jogada arrastava-se a decisão, ponderava-se a próxima. Não havia a mínima pressão sobre o jogador, ninguém parecia importar-se com o tempo e no entanto, todos os horários foram cumpridos.
Temos tanto a aprender com aqueles que têm de viver com muito menos oportunidades. São eles que aproveitam de forma óptima o pouco e transformam em muito.
Podem imaginar o orgulho que eu, a Rita e os irmãos (André e o Nuno), sentimos quando assistimos à cerimonia de entrega de prémios. A equipa do Tiago tinha conquistado o terceiro lugar e era ele o capitão que levantou a taça.
É num momento destes que atingimos o sentido real da expressão de Fernando Pessoa "Tudo vale a pena quando a alma não é pequena..."
Mais uma vez, foi o Tiago a surpreender-nos e dar-nos uma lição de perseverança e persistência com a maior simplicidade.
A minha palavra de admiração e gratidão para aqueles que a troco de nada se envolvem organizando e se entregam educando. Pelo meu filho tivemos oportunidade de lhes agradecer pessoalmente, pelas outras crianças a minha homenagem por esta via.
Agora tenho quase a certeza que o meu filho um dia será autónomo, ele provou hoje que vai ser capaz.
Um muito obrigado a todos.
2 comentários:
Jorge,
Pareceu-me um dia muito bonito. Boa sorte para o Tiago!
Um sorriso!
Obrigado!! Chamo-me Rui.
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