Tratamento de temas interessantes de uma forma desinteressante. Abordagem inconsequente acerca da consequência das coisas. Tudo será devidamente tratado, mas sem qualquer resolução. Os leigos também têm direito a opinião...

sábado, 28 de abril de 2012

Boccia

Só por via televisiva havia tomado contacto com este desporto adaptado a pessoas com deficiência. Trata-se de uma modalidade paralimpica em que Portugal é uma das grandes potências mundiais.

O meu filho Tiago tem uma deficiência cognitiva que através dos anos tem vindo a tentar esbater. Uma das actividades que mais tem potenciado as suas competências é o Desporto Escolar. Foram os professores da Escola Secundaria de Santa Catarina, em Caldas da Rainha, que o iniciaram na Boccia. A avó foi o suporte emocional da altura. Em boa hora o fizeram.

O Tiaguinho foi escolhido para capitanear a equipa da escola num encontro interescolas de Boccia.

Ficamos a assistir numa bancada quase vazia. Estes eventos não têm a visibilidade mediática de outros. 

Connosco estava a nossa amiga Salomé e as suas 2 filhas, a Carlota e a Constança que nos seus 4 anos quis saber as regras do jogo. As crianças não se preocuparam nada com as diferenças que viam nos outros meninos, foram encantadoras.

No pavilhão assisti a momentos muito bonitos. A calma reinava, ninguém diria que ali competiam cerca de 1 centena de pessoas, entre adultos e crianças, em simultâneo realizava-se o campeonato nacional absoluto. Realço o facto de imperar o respeito e a ordem, embora estivessem em competição, não assisti a qualquer perturbação que não fosse de celebração.

O tempo parecia-me mais extenso. Por cada jogada arrastava-se a decisão, ponderava-se a próxima. Não havia a mínima pressão sobre o jogador, ninguém parecia importar-se com o tempo e no entanto, todos os horários foram cumpridos.

Temos tanto a aprender com aqueles que têm de viver com muito menos oportunidades. São eles que aproveitam de forma óptima o pouco e transformam em muito.

Podem imaginar o orgulho que eu, a Rita e os irmãos (André e o Nuno), sentimos quando assistimos à cerimonia de entrega de prémios. A equipa do Tiago tinha conquistado o terceiro lugar e era ele o capitão que levantou a taça.

É num momento destes que atingimos o sentido real da expressão de Fernando Pessoa "Tudo vale a pena quando a alma não é pequena..."

Mais uma vez, foi o Tiago a surpreender-nos e dar-nos uma lição de perseverança e persistência com a maior simplicidade.

A minha palavra de admiração e gratidão para aqueles que a troco de nada se envolvem organizando e se entregam educando. Pelo meu filho tivemos oportunidade de lhes agradecer pessoalmente, pelas outras crianças a minha homenagem por esta via.

Agora tenho quase a certeza que o meu filho um dia será autónomo, ele provou hoje que vai ser capaz.

Um muito obrigado a todos.
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