Tratamento de temas interessantes de uma forma desinteressante. Abordagem inconsequente acerca da consequência das coisas. Tudo será devidamente tratado, mas sem qualquer resolução. Os leigos também têm direito a opinião...

sábado, 12 de janeiro de 2013

Livro: O barão trepador - Ítalo Calvino


Ítalo Calvino conta-nos a historia de um menino oriundo de uma decadente família nobre italiana. 

Cosimo em atitude de rebeldia contra as normas impostas pelos pais, resolve ir viver para cima das árvores e não mais colocar os pés no chão. 

A partir dessa altura vive uma serie de aventuras mirabolantes.

É uma história muito original, despida de alegorias, bem disposta, simpática e escrita de uma forma simples.

Recomendo a leitura deste livro leve e despretensioso.

Livro: A servidão humana - W. Somerset Maugham



William Somerset Maugham nasceu em Paris, em 1874. Sexto filho do procurador da embaixada britânica, sua primeira língua foi o francês. Ficou órfão aos dez anos, quando o mandaram para a Inglaterra para viver com o seu tio, vigário de Whitestable.  Formou-se em medicina e abandonou a carreira após o sucesso de seus primeiros romances e peças teatrais. Escreveu O pecado de Liza (1897), Servidão Humana (1915), O fio da navalha (19441), Uma dama na Malásia (1932), Histórias dos mares do Sul (1936), Férias de Natal (1939), Véu Pintado (1925), O destino de um homem (1930), dentre outros. Sofria de disfemia e foi ridicularizado na Inglaterra, pelos colegas de escola, por não falar bem o inglês. Tinha baixa estatura. Maugham viveu em desgraça, tanto na comunidade religiosa do tio, como na escola, onde era maltratado por companheiros. Tal fato fez com que desenvolvesse a habilidade de fazer observações sarcásticas daqueles que o enfureciam.Referência bibliográfica Maugham, W. Somerset, 1874 – 1965.

É um romance extenso mas fluente, cuidadosamente elaborado, cerebral, analítico, brilhante. Segundo consta é um relato praticamente auto biográfico da juventude do autor muito atormentado por um complexo de inferioridade física.

Os personagens são densos de caracter variável e absolutamente contigentes, tal como é na realidade a natureza humana. A capacidade de analise psicológica do autor é fantástica. A relação de Philip com Mildred baseada numa servidão voluntária é quanto a mim um relato perfeito das nossas contradições.

A exposição da frieza ou do afecto, da bondade ou da maldade, a avareza ou generosidade é feita de uma forma crua, directa, sem artifícios. Somerset Maugham ensina-nos que os outros não nos vêem da mesma forma que nós próprios, para o bem e para o mal.

Embora a acção decorra nos finais do século XIX, e o contexto social seja o da Inglaterra dessa época, o leitor vai-se identificando com os dramas psicológicos vividos por Philip. Nessa altura percebemos que as nossas realidades interiores não são assim tão diferentes de há 100 anos. 

Recomendo a leitura porque se trata de um romance perfeito, um dos grandes livros do século XX.