Tratamento de temas interessantes de uma forma desinteressante. Abordagem inconsequente acerca da consequência das coisas. Tudo será devidamente tratado, mas sem qualquer resolução. Os leigos também têm direito a opinião...

domingo, 28 de dezembro de 2014

Um conto de Natal


Agora que passou a quadra do Natal apeteceu-me escrever sobre ela. O Natal para mim é um tempo de reunião familiar por opção, não a reunião de obrigação. As junções familiares só porque sim, não resultam.

Quando pessoas que pouco têm comum a não ser que pertencem a determinada família, que durante o ano nem sequer se lembram umas das outras, mas que resolvem encontrar-se uma vez por ano só porque assim deve ser, tem pouco de genuino e mais parece uma reunião anual dos colegas de curso.

Para mim o Natal pouco tem de religioso mas tem muito de coração, respeito muito a tradição e principalmente o ambiente que rodeia as crianças. Olhando os meus filhos, lembro as tardes e serões de Natal da minha infância e adolescência. Recordo a exibição na televisão dos filmes “Musica no coração”, “Alice no país das maravilhas”,”Serenata à chuva”, “O feiticeiro de Oz” e em particular “Conto de Natal” produzido pela BBC, baseado no romance de Charles Dickens. É sobre ele que vos vou falar.

O livro “A Christmas Carol” foi escrito em menos de um mês e foi publicado em 19 de Dezembro de 1843. Dickens precisava urgentemente de dinheiro para pagar dívidas. O livro foi de imediato um sucesso, vendeu 6.000 exemplares na primeira semana.

O personagem principal é um velho avarento de nome Scrooge que detesta o período natalício. Explora o seu empregado Bob, pai de 4 filhos, um deles é deficiente.

Scrooge, num sonho na véspera de Natal recebe a visita do seu sócio Jacob Marley, morto há sete anos. Ele avisa-o que o avarento nunca descansaria em paz se não se tornasse outra pessoa em vida e envia-lhe três espíritos de Natal, o passado, o presente e o futuro.

Os espíritos mostraram-lhe visões dos seus natais felizes quando era criança, do Natal presente afastado de todos e dos natais futuros em que ele surgia sozinho abandonado por todos.

Quando acordou o avarento Scrooge transformou-se, tornou-se outra pessoa e começou a dedicar mais atenção ao seu empregado e principalmente ao menino Tim, o que tinha problemas nas pernas. A celebração do Natal a partir de então é uma festa.

Charles Dickens escreveu o romance em pleno desenvolvimento da revolução industrial. Nele são relatados os contrastes sociais que se vincavam na época. A diferença entre os ricos e os pobres aumentava, a pobreza tornou-se absolutamente corrosiva e Dickens alerta para a perda de valores de uma sociedade que vive separada entre a miséria e o lucro. O Natal surge como palco dessas diferenças.

É interessante como um romance intensamente político tenha atingido tal sucesso junto da generalidade das pessoas e ainda hoje permanece atual.

sábado, 27 de dezembro de 2014

Os órfãos de Roger Waters


Neste Natal o meu filho mais velho ofereceu-me o último álbum dos Pink Floyd.

“The Endless River”, segundo David Gilmour é mesmo o último álbum da mítica banda inglesa.

Apenas o tema “Louder than words” é cantado, todos os outros são instrumentais com grande intervenção de Richard Wright, o teclista falecido em 2008. Aliás o álbum é uma homenagem a Wright.

Antes de tomar a decisão de escrever sobre este tema, ouvi o álbum por quatro vezes em dois dias. Sendo um admirador de longa data da banda, posso dizer que estou decepcionado. Um álbum dos Pink Floyd e ainda por cima sendo o último, obriga a mais.


Não é que o som dos Floyd não esteja lá, mas falta a chama, a genialidade. É um trabalho tristonho mais apropriado a colocar em documentários do National Geographic ou a tocar no lounge de um qualquer hotel.

As manobras de marketing em torno do lançamento, ainda me fazem sentir pior, porque nada do que ouvi me soou a novo, tudo me pareceu desnecessário. Repito que não é um som mau, só que soa a "déjà-vu". Por momentos pensamos em "Dark Side of The Moon" ou em "Echoes", mas muito aquém por não ser fresco.

Já os albuns "The Division Bell" e "A Momentary Lapse of Reason" me haviam parecido distantes dos grandes momentos dos Pink Floyd, mas é claro que faltando Roger Waters, nada pode ser igual. Se David Gilmour e Nick Mason se vão despedir do público com este trabalho é uma pena.

É absolutamente notório que sem o génio criativo de Roger Waters, o som dos Pink Floyd é uma pálida demonstração daquela que terá sido uma das maiores bandas de todos os tempos.

Estes não são os Pink Floyd, são os órfãos de Roger Waters.

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Estou farto de semi-deuses

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irresponsavelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cómico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado

Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.
Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...
Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,
Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?
Então sou só eu que é vil e erróneo nesta terra?
Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

in Poema em linha recta de Álvaro de Campos, heterónimo de Fernando Pessoa,
o maior vulto da literatura de língua portuguesa.

Para refletirmos, olhando para quem nos rodeia...

Sem mais comentários.



domingo, 14 de dezembro de 2014

Roma não paga a traidores


Dos Lusitanos muito pouco resta no Portugal atual, a não ser a nossa auto designação de povo Lusitano e a ténue recordação de Viriato.


Os Lusitanos eram povos de várias tribos que habitavam no oeste e noroeste da Península Ibérica antes destas terras serem conquistadas pelos romanos. Viviam da pastorícia e do cultivo das terras. Eram tribos belicosas permanentemente envolvidas em conflitos por disputas territoriais.

Os romanos foram conquistando a Península, mas quando chegaram aos territórios altos e agrestes ocupados pelos Lusitanos, as dificuldades aumentaram. As tribos haviam-se unido em torno de um líder chamado Viriato.

A biografia de Viriato diluiu-se no tempo. Os dados que chegaram até nós são muito ténues. Viveu durante o sec. II a.C. não sabemos ao certo o seu local de nascimento, terá sido numa zona montanhosa entre os rios Douro e Tejo, zona que corresponde à região da serra da Estrela.

Segundo o historiador romano Diodoro, tornou-se o líder dos Lusitanos em 148 a.C.

Viriato, quando criança e à semelhança de todos os lusitanos, tinha sido pastor. Mais tarde, tornou-se caçador e depois guerreiro.

Em 147 a.C., os lusitanos renderam-se perante as tropas de Caio Vetílio, que os haviam cercado. Mas, Viriato opôs-se terminantemente a essa derrota.Organizou as suas tropas e contra-atacou, acabando por derrotá-los no desfiladeiro de Ronda, na Andaluzia, onde acabaria por matar o próprio Caio Vetílio.

Era um guerreiro temerário, que conhecia muito bem os territórios que defendia. A partir do ano 143 a.C. tornou-se uma verdadeira preocupação para os romanos, dadas as dificuldades que sentiam na progressão da conquista.

A resistência culminou em 140 a.C. numa batalha travada em Erisane, no sul da Península, na região a que hoje chamamos Andaluzia. Com a derrota dos romanos, Viriato conseguiu que fosse celebrado um acordo de paz em que o consul romano para os territórios da Hispânia Ulterior, Máximo Serviliano, reconhecia a independência da Lusitânia.

No ano seguinte Serviliano é substituído por Quinto Servilio Cipião. O acordo foi revogado pelo novo consul para a região. Os combates tornaram a eclodir. Viriato, na tentativa de repor a paz enviou três dos seus homens de confiança, como embaixadores para renegociarem o acordo com Cipião.

Minuros, Audas e Ditalco, foram aliciados por Cipião para matarem Viriato. Aceitaram a missão. Quando regressaram assassinaram-no enquanto dormia.

Depois da morte de Viriato (139 a.C.), o exército lusitano passou a ser comandado por Táutalo Sertório. Mas as tropas lusitanas estavam muito enfraquecidas e sem uma liderança forte, acabaram por ser derrotadas.

Quanto aos traidores, refugiaram-se junto dos romanos após o assassinato de Viriato, reclamando o prémio prometido. No entanto, os romanos ordenaram a sua execução em praça pública, onde os seus corpos ficaram expostos com os dizeres “Roma não paga a traidores”.




segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Roswell

Segundo o relato de um ex-agente da CIA, existe um cofre em Langley, na Virginia, que contém as informações necessárias ao esclarecimento do Caso Rosewell.

Em Julho de 2012 Chase Brandon afirmou ao The Huffington Post:

“Eu vi uma caixa que continha fotografias e informações que provam que o OVNI em Roswell era real. Estava numa área abobadada – havia uma caixa que realmente me chamou a atenção. Tinha escrita uma palavra sobre ela: ROSWELL. Remexi nela, coloquei a caixa na prateleira e disse: “Meu Deus, o resgate do OVNI acidentado realmente aconteceu.” Não foi um balão meteorológico – que foi a desculpa dada às pessoas quando o incidente foi relatado pela primeira vez. Não vou revelar tudo o que vi, mas posso afirmar que deixei de ter dúvidas acerca do Caso Roswell.”

Quando em 8 de Julho de 1947, ocorreu um incidente estranho junto à base aérea de Roswell, no estado do Novo México, as autoridades divulgaram um comunicado à imprensa com o seguinte texto:

“Os muitos rumores sobre um disco voador tornaram-se verdadeiros ontem, quando o oficial de dia do 509º Grupo de Bombardeiros da Força Aérea Americana, com base em Roswell, se apoderou de um disco não identificado.”

No entanto 24 horas depois, o discurso oficial é alterado. Os militares afirmaram que afinal o objeto encontrado se tratava de um balão meteorológico que havia caído num rancho próximo da base. Desta forma o incidente foi abafado por algum tempo.

Em 1950 um agente do FBI, Guy Hottel escreve um memorando em que faz referencia a ter recebido informações de que na realidade, em Roswell foi encontrado o disco voador de forma circular, com cerca de 50 metros de diâmetro. Os corpos alienígenas tinham olhos grandes e eram pequenos, cerca de 95 cm de altura. Os seres estariam vestidos com fatos metálicos muito finos, semelhantes aos usados por pilotos de automóveis de alta velocidade, na altura.

O tenente Walter Haut foi o primeiro-oficial de relações públicas na base em 1947 a ter contacto com o caso e foi o homem que emitiu a nota de imprensa original após o acidente.

Haut morreu em Dezembro de 2005, mas teria deixado um depoimento juramentado para ser aberto após a sua morte. Nesse documento Walter Haut confirma os acontecimentos e descreve a nave e os corpos alienígenas.

O caso contínua por ser confirmado oficialmente, mas a cidade de Roswell agradece que se mantenha o mistério. Este acontecimento é a sua principal fonte de receitas via turismo.

domingo, 7 de dezembro de 2014

A Irlanda e a batata


A agricultura irlandesa nos séculos XVIII e XIX estava muito dependente do cultivo da batata. Era o país com a maior densidade demográfica da Europa, a população rondava os 8 milhões.

Em 1845 um fungo arrasou as colheitas de batata. Os irlandeses dependiam da batata, tal como os chineses dependiam do arroz. Nos dois anos seguintes manteve-se a perda total da produção de batata.

Sem outra alternativa, a população começou a emigrar para a Inglaterra e os Estados Unidos. Em pouco tempo cerca de um milhão e meio de irlandeses embarcaram para uma viagem em que muitos nunca chegaram ao seu destino, mortos por doenças a bordo ou fome e naufrágios.

Neste período as relações com a Inglaterra não eram as melhores. Os irlandeses ansiavam pela independência, a sua identidade católica e republicana não era compatível com a monarquia protestante do Reino Unido.

O governo em Londres inicialmente tentou amenizar a crise irlandesa com algum apoio financeiro e importando milho dos Estados Unidos. Mas era impossível conseguir alimentar milhões de pessoas famintas. Por outro lado os ingleses proprietários das terras, continuavam a exigir as suas rendas anuais aos rendeiros, quem não cumpria era expulso da terra. Esta situação conduziu ao paradoxo de nesta fase a Irlanda, que não tinha como alimentar as famílias residentes na ilha, exportava grandes quantidades de gado e cereais, era a única forma dos rendeiros conseguirem manter as terras. O governo inglês não quis entrar em conflito com os “landlords” e ignorou o problema. Os carregamentos eram enviados por comboio, escoltados por soldados, até aos portos e depois embarcados para Inglaterra.
Em 1846 a situação ainda pirou para os irlandeses com a chegada dos liberais de John Russell ao governo em Londres. O secretário destacado para a Irlanda, Charles Trevelyan foi o mentor da política de não intervenção na crise alimentar da Irlanda. Segundo ele, o povo não podia ficar habituado à dependência do governo: “O julgamento de Deus enviou esta calamidade para ensinar uma lição aos irlandeses”.

O ano de 1847 foi terrível a nível climático. Toda a situação se agravou sem o apoio do estado. As pessoas ficavam caídas à beira das estradas à espera da morte, havia corpos espalhados pelas ruas. Charles Dickens escreveu: “Em vários pontos, as estradas são cemitérios. Os cocheiros já não saem sem encontrar cadáveres pelo caminho e, à noite, passam por cima deles”, Chegaram a verificar-se casos de canibalismo. Os corpos eram enterrados em valas comuns, sem qualquer registo.

A sociedade civil inglesa teve de agir. Organizações como os Quakers, Irish Relief e Rotschild começaram a distribuir sopas pelas populações famintas, mas muitas vezes sob a exigência de assistir a cultos protestantes.

Na primavera de 1847, a fome deixou de ser o único flagelo. Chegaram as epidemias de tifo, escorbuto e disenteria bacilar, além do terrível edema da fome, que se traduz por um inchaço hidrópico dos membros e, em seguida, do corpo. Este flagelo foi ainda mais agressivo do que a fome. Pereceram pessoas de todas as classes, inclusive muitos “landlords” residentes.

A crise irlandesa culminou em 1849, o pior ano de todos. Um surto de cólera dizimou ainda mais a população. Nesse ano a jovem rainha Victória fez uma visita à ilha, na tentativa de apaziguar os impulsos independentistas, mas era tarde demais. A Irlanda não mais aceitaria fazer parte do império britânico, viria a declarar a sua independência em 1916.

A Irlanda nunca se refez completamente daquele trágico acontecimento, consta que durante esse período a população decresceu 30%. Com uma população estimada em 4,5 milhões de habitantes em 2011, a ilha não voltou a atingir a marca de 8 milhões, população anterior à crise de 1845.

Actualmente a Irlanda é um dos países mais prósperos do mundo e sempre na linha da frente no combate à fome, vejamos o exemplo de Bob Geldof e Bono Vox, 2 irlandeses sempre disponíveis em campanhas de luta contra a fome.


sábado, 6 de dezembro de 2014

A campanha porta a porta de Portas


Paulo Portas afirmou recentemente num discurso acalorado para membros do seu partido, que o CDS está preparado para ganhar eleições e governar sozinho. Digo-vos que não é uma afirmação desprovida de sentido, vejamos.

Actualmente em Portugal, O Dr. Paulo Portas é o único verdadeiro animal político que está em liberdade. Sim, porque o principal concorrente está enjaulado. Eu diria que é uma autêntica fera. Reparem bem na sua genialidade politica.

Quando entrou para o partido, o CDS tinha 4 deputados. Era conhecido pelo partido do táxi. O que fez ele? Concentrou toda a dinâmica politica em nichos de mercado bem definidos.

A própria classse dos pracistas, vulgo taxistas, começou a dedicar-lhe particular apoio porque Paulo Portas prometeu que havia de precisar de mais táxis. Eram realmente boas notícias para esta classe profissional. Na verdade, Portas cumpriu. Hoje em dia são necessários 6 táxis para transportar o grupo parlamentar do CDS que tem 24 deputados.

Para que isso fosse possível teve de trabalhar muito. Um exemplo do trabalho bem planeado foi a atenção prestada à classe dos lenhadores. Foram os centristas que licenciaram o abate de milhares de sobreiros que estavam em zona de reserva agrícola e ambiental. Esse espaço é hoje ocupado por uma urbanização com campos de golfe. Logo conquistaram uma série de votos no sindicato dos lenhadores e dos membros do clube de golfe.

Depois preocupou-se em conquistar votos junto da marinha portuguesa e encomendou os submarinos que tanta dor de cabeça lhe têm dado, e que penso, lhe vão dar ainda mais. Mas valeu, porque deve ter conseguido mais uns votos na marinha, pena é que os vendedores dos submarinos alemães não possam votar, e muitos mais conseguiria. Isto para não falar nos banqueiros, mas esses já votavam CDS desde o tempo anterior ao táxi de 4 lugares.

Mais recentemente tem-se dedicado ao ramo imobiliário. No caso concreto da Remax, empresa à qual fez um rasgado elogio, é muito natural que dos seus 3 mil colaboradores uma grande parte venha a votar CDS. Foi um pouco descuidado ao não mencionar os concorrentes Era e Century que também têm um numero apreciável de colaboradores, mas ainda tem tempo para corrigir esse lapso.

O grande golpe final deste génio luso são os chineses. Através dos vistos Gold e das lojas chinesas, se aprender a falar mandarim e conseguir que eles tenham direito a voto, sem dúvida que Paulo Portas pode tornar-se em breve primeiro ministro.

É fiel ao princípio tradicional: grão a grão enche a galinha o papo.

Neste combate porta a porta, Portas pode mesmo vir a ocupar ainda mais táxis. Só tem de dar mais visibilidade a muitos combates que vai travando atrás das portas, pelos corredores e bastidores, que, se o eleitorado soubesse do se trata, muitos mais votos ganharia.

Se falhar este objectivo Paulo Portas, como grande estratega político que é, já tem um plano B. Aluga táxis tipo Smart, para dizer que o partido precisa agora de muitos mais táxis, mesmo que tenha menos deputados.

Ao longo da sua trajectória porta a porta, só lhe observei uma deriva: o período do Paulinho das feiras e dos reformados. Nesta fase correu riscos porque não apostou numa estratégia limitada e de contrapartida directa, optou por um universo mais geral que o poderia ter prejudicado.

Agora anda a piscar o olho ao PS com a reposição dos feriados. Já é o plano C, para apanhar boleia do PS para o governo, caso o resto corra mal...

Espero sinceramente que não venha nenhum juiz ou promotor público, um dia, interromper a carreira política de alguém que tanto tem dado de si em prol do nosso país.

sábado, 29 de novembro de 2014

O homem que podia ter mudado a história


Como 13 minutos podem fazer a diferença entre a morte e a vida de 60 milhões de pessoas?
O muro de Berlim foi construído nos anos sessenta em consequência desses 13 minutos.

No dia 8 de Novembro de 1939, o aeroporto de Munique foi encerrado devido à forte neblina. Nessa noite Adolf Hitler iria discursar na cervejaria Burguerbraukeller, como fazia todos os anos nas comemorações da tentativa falhada de golpe de estado dos nazis em 1923, que iria conduzir Hitler à prisão onde escreveu “Mein Kampf”.

Como teria de viajar de comboio Hitler adiantou o seu discurso em 30 minutos. Começou pelas 20h e acabou às 21h. Deixou a cervejaria com pressa, às 21,07h. Pelas 21,20h uma forte explosão rebenta com o teto por cima do palco. Morreram 8 pessoas e ficaram feridas 63. Adolf Hitler havia escapado à morte por 13 minutos.

O atentado tinha sido planeado por Johann Georg Elser. Hoje é reconhecidamente um herói para a Alemanha, tem o seu nome gravado num quarteirão residencial de Munique e numa sala de espetáculos. Mas nem sempre foi assim. Para os alemães, durante muitos anos, Elser havia sido um carpinteiro irrelevante. Para os de Leste era alguém que agiu individualmente e não tinha ligações a atividades comunistas. Para os alemães do Ocidente corriam boatos absurdos de que havia sido um agente da Gestapo; por outro lado, Elser estava fora dos cânones do herói representado por Claus Von Stauffenberg da Operação Valquiria, que envolveu mais de 100 pessoas na tentativa de matar o ditador em 1944.

Elser nasceu em Hermaringer, no Sudoeste da Alemanha, em 1903. Não era político, mas em tempos votou no partido comunista e pertenceu ao sindicato dos marceneiros. Naquela época era muito difícil não acreditar nas ideias de Hitler, basta dizer que quando chegou ao poder em 1933, havia cerca de 6 milhões de alemães desempregados, 3 anos depois a situação era praticamente de pleno emprego, os planos bélicos de Hitler tinham trazido um crescimento industrial espantoso. No entanto este simples carpinteiro confessou a um amigo que “a Alemanha nunca poderia ter um governo melhor, a não ser que alguém derrubasse o seu líder. Mas não contes a ninguém”. Segundo contou mais tarde, durante o seu cativeiro, não confiava em Hitler, tinha o pressentimento que aquele homem havia de destruir o mundo.

Entre 1925 e 1929 Elser trabalhou numa fábrica de relógios, foi aí que adquiriu conhecimentos que mais tarde utilizou para fazer a bomba relógio que colocou debaixo do palanque na cervejaria.


Ainda não havia sido detonada a bomba e já Elser estava detido junto à fronteira com a Suiça. O alemão tentava cruzar a fronteira em Constança, os guardas fronteiriços quando esvaziaram a mochila que transportava consigo descobriram os esboços de construção de uma bomba e vários utensílios suspeitos. Ainda sem saberem concretamente do que se tratava prenderam-no e encaminharam-no de volta para Munique. Apesar de inicialmente negar qualquer envolvimento no incidente, não teve alternativa senão confessar a autoria do atentado.

Foi torturado na sede da Gestapo em Berlim. Himmler recusava-se a acreditar que aquele acto contra o Führer fosse engendrado por um simples carpinteiro, sem apoio de mais ninguém. Os nazis tentaram engendrar uma conspiração que envolvia os ingleses. Elser não foi logo executado porque os nazis mantinham a esperança que ele um dia revelasse os seus cúmplices.

Foi transferido para o campo de concentração de Dachau, onde foi um prisioneiro com estatuto especial até ser executado com um tiro, em Abril de 1945, dias antes do suicídio de Hitler.

Neste breve relato constatamos como minúsculos pormenores podem fazer a diferença na vida de milhões de seres humanos. Os “se” da vida de alguém representam o aleatório que a todos envolve e nos deixa impotentes perante os acontecimentos.

Georg Elser podia ter mudado a história, mas por 13 minutos não conseguiu evitar a Segunda Guerra Mundial.

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

O direito à indignação de Mário Soares



Em primeiro lugar quero fazer uma declaração de interesses: Não sou um admirador do Dr. Mário Soares, mas concordo com ele neste caso.

A declaração do ex-presidente da República acerca da Operação Marquês, cujo protagonista é o ex-primeiro ministro José Socrates, obrigou-me a tecer este comentário sobre atualidades, coisa que pouco gosto de fazer dado que não me sinto devidamente habilitado para o efeito. De qualquer modo não posso deixar de expressar a minha opinião.

O Dr. Mário Soares declarou que era uma malandrice de pessoas que querem mal a José Sócrates e ao PS.

Estou solidário com ele e compreendo os motivos de tal indignação.

Se há alguém que sabe reconhecer o que é uma malandrice, é um verdadeiro malandro.

Segundo consta, o Dr. Mário Soares e o seu clã ao longo da sua vida sempre deram motivos suficientes para haver intervenção da Justiça. No entanto tal nunca aconteceu. Sempre saíram incólumes de todas as situações, por mais dúbias que fossem. É, portanto muito natural que o nosso ex-presidente tenha dificuldade em compreender o processo instituído a um pobre rapaz ainda jovem que, segundo consta, apenas se apropriou de forma indevida de 25 M€?

Não há direito de tratar assim o moço, só porque não teve a habilidade suficiente para criar uma Fundação que lhe possibilitasse esconder os proventos duvidosos.

A classe politica está disponivel para arcar com os privilégios da visibilidade publica, mas devido ao seu elevado espirito de missão, abdica voluntáriamente das suas consequências. Aquele juiz faz parte dos malandros que querem mal a pessoas, que com elevada dedicação e sem interesses pessoais, sempre fizeram o melhor pelo nosso país.

A forma como tem sido mediatizada a Operação Marquês, também me parece ser censurável. Não é normal o espalhafato público sobre alegados crimes que foram perpetrados de uma forma tão discreta.

Não me lembro do senhor Engenheiro José Sócrates, agora em vias de se tornar Doutor, ter anunciado aos quatro ventos, que tinha sido licenciado a um domingo. Nunca propalou que havia falsificado o certificado de habilitações que entregou no parlamento. Não me recordo de nos ter feito saber que tinha tido intervenção no processo de tratamento de resíduos da Cova da Beira. Não apregoou que assinou projetos de moradias enquanto tinha acordo de exclusividade no parlamento. Nunca fez eco da participação no caso Freeport, na forma como adquiriu as casas, e porque comprou os seus próprios livros com dinheiro que não era seu. Também foi sempre muito contido em muitas outras coisas que afetam o erário público, mas que nem sequer ainda sabemos. Um dia poderemos vir a saber, mas nunca será por indiscrição dele próprio.

Se os seus atos decorreram sempre em recato e com o devido distanciamento para com o interesse publico, é legítimo exigir do sistema de Justiça a mesma discrição.

Só foi um bocadinho indiscreto na exibição dos sinais exteriores de riqueza. Mas digam-me, de que serve ser rico se o não podermos mostrar aos outros?

Devemos todos mostrar algum respeito por alguém que depois de habituado a tomar o “petit-dejeuner” nos Champs Elysees, de repente se vê privado de um determinado nível de vida e tem de comer uma carcaça com margarina e meia de leite. É uma mudança demasiado brusca, por isso estou de acordo com o Dr. Mário Soares, sinto-me indignado...

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Malthus e o fim da humanidade


Lembrei-me deste tema depois de observar um post de Bill Gates no Facebook, em que revela a sua preocupação no combate à fome no mundo. Tem sido uma causa muito defendida pelo multimilionário, que já doou milhares de milhões de dólares para muitas causas nobres.

A Teoria demográfica de Malthus baseia-se no Principio da escassez. A população humana tende a crescer mais rapidamente que a produção de alimentos, o que torna a escassez num conceito de extrema importância para a economia. A visão pessimista de Thomas Robert Malthus acerca dos padrões de vida, ficou resumida na sua afirmação: "Estamos condenados pela tendência de a população crescer em progressão geométrica e a produção de alimentos em progressão aritmética”.

Malthus desenvolveu várias outras teorias económicas, mas vamos centrar-nos na teoria da População.

Em 1798 escreveu um ensaio sobre o crescimento da população na medida em que afeta a melhoria do futuro da sociedade. Na perspetiva de Malthus existiam dois obstáculos:

. Positivos, no sentido de aumentar a taxa de mortalidade (a fome, as epidemias, doenças ou pragas, a desnutrição e as guerras).
. Preventivos, no sentido de reduzir a taxa de natalidade (as práticas anticoncepcionais voluntárias).

Thomas Malthus afirmou: “O crescimento da população tem uma progressão geométrica (1, 2, 4, 8, 16, 32, 64...) se não for travado, a população mundial duplicará de 25 em 25 anos. Nas condições atuais da terra e nas circunstâncias mais favoráveis, a produção agrícola será aritmética no máximo (1, 2, 3, 4, 5, 6...). Nestas condições será inevitável que a pressão demográfica seja superior à capacidade do planeta fornecer meios de subsistência ao homem, assim a morte prematura visitará a raça humana.”

Com este raciocínio Malthus concluiu que no futuro a capacidade de aumento das áreas de cultivo estariam esgotadas em todo mundo porque viriam a estar ocupados por atividades agropecuárias, mas entretanto, população mundial continuaria a crescer. Os vícios humanos são os agentes da desgraça. Agem como um exército de destruição, mas se não conseguem vencer uma guerra de exterminação, surgem as epidemias, as pestes e as pragas que acabam por ceifar dezenas de milhares. Para concluir o equilíbrio esperado, vem então uma onda de fome generalizada, que nivela novamente a população com os recursos existentes. Estes ciclos repetidos conduziriam ao fim da humanidade.

A Teoria de Malthus havia surgido como contraponto ao otimismo então vigente, preconizado por William Godwin e Adam Smith.

A chave do desenvolvimento económico, para ele, residia no controlo de natalidade.

As catástrofes de Malthus acabaram por ocorrer em grande escala no sec. XIX na Irlanda, com a crise da batata (da qual falaremos outro dia) e no sec. XX com as 2 grandes guerras e com os surtos de fome na Etiópia e Somália. Estes acontecimentos reforçaram o poder de influência do seu pensamento.

Entretanto continuou a registar-se um aumento populacional devido aos progressos da medicina e melhoria generalizada das condições de vida. Mas esse crescimento foi acompanhado pelo acréscimo exponencial da produção, por via do desenvolvimento de novas técnicas e tecnologias. Hoje em dia a produção global supera as necessidades dos 7 biliões de seres humanos.

O problema actual reside na distribuição. É esse agora o principal desafio que se coloca à humanidade: fazer chegar o mínimo de subsistência a todos os seres humanos.

O mundo está muito longe do pleno bem estar, mas os ideólogos fatalistas ainda não têm razão. As premonições catastróficas de Thomas Malthus de há duzentos anos, ainda não se confirmaram.

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Lidice e Lezáky


Hoje ia escrever algo acerca dos animais e os circos, mas notei que já há muita gente iluminada e preocupada que debitou os seus pareceres sobre o tema. Como nada venho a acrescentar a esse assunto, resolvi debruçar-me sobre um relato verdadeiramente animalesco da história da humanidade.

A 27 de Maio de 1942, Reinhard Heydrich, responsável nazi pelos territórios da Boémia e Morávia, sofre um atentado à bomba. O seu automóvel cai numa emboscada da resistência checa nos arredores de Praga. Heydrich fica gravemente ferido e vem a falecer a 4 de Junho.
O ataque havia sido perpetrado por 2 resistentes, Kubis e Gabcik. Haviam sido treinados em Inglaterra e que tinham sido largados de paraquedas nas imediações da cidade.

Segundo os nazis, os resistentes teriam usado Lidice como esconderijo antes e após o atentado. Mas na verdade os dois haviam estado escondidos numa igreja em Praga. Ter-se-ão suicidado para evitar a captura pelas tropas nazis.

Heydrich era um dos homens mais próximos de Hitler, tinha colaborado nos planos para a “solução final” com vista à eliminação dos judeus em território do Terceiro Reich. Hitler não conformado com o ocorrido, ordenou represálias.

Lidice, nos arredores de Praga, sempre foi um foco de resistência à ocupação nazi e viria a ser o objeto de retaliação.

Em 10 de junho, as tropas nazis cercaram Lidice, impedindo a saída dos habitantes. Todos os homens maiores de 15 anos foram colocados num celeiro e fuzilados. As mulheres e crianças foram mandadas para o campo de concentração feminino de Ravensbruck onde a esmagadora maioria viria a morrer. Estima-se que ao todo 199 homens, 195 mulheres e aproximadamente 88 crianças foram vitimados pelo ataque nazi.

Em Lezáky, uma povoação próxima, havia sido descoberto um emissor de rádio da resistencia. O pesadelo foi igual. A população foi dizimada, excepto 2 crianças que foram levadas e entregues a familias alemãs.

Por indicação expressa de Hitler é arrasada a vila. Foram detonadas as casas. O terreno foi aplanado com tratores e foi semeado para se transformar em pasto. Lidice foi apagada dos mapas.

Os alemães noticiaram ao mundo o que aconteceu em Lidice, como propaganda para aterrorizar os resistentes e inimigos. Por seu lado nos países aliados passaram a utilizar o evento para alimentar o ódio contra os nazis.

Hoje, onde outrora havia sido a vila de Lidice, existe um memorial em homenagem aos habitantes mortos no massacre. A área é considerada terreno sagrado e  monumento perpétuo da República Checa. A vila foi reconstruída e ampliada a partir de 1949, e está situada a cerca de 700 metros do campo reservado à memória dos mortos.

domingo, 16 de novembro de 2014

Ilegalizar a Maçonaria, porque não?



“A Maçonaria é uma Ordem iniciática e ritualística, universal e fraterna, filosófica e progressista, baseada no livre-pensamento e na tolerância, que tem por objetivo o desenvolvimento espiritual do homem com vista á edificação de uma sociedade mais livre, justa e igualitária.

A Maçonaria não aceita dogmas, combate todas as formas de opressão, luta contra o terror, a miséria, o sectarismo e a ignorância, combate a corrupção, enaltece o mérito, procura a união de todos os homens pela prática de uma Moral Universal e pelo respeito da personalidade de cada um. Considera o trabalho como um direito e um dever, valorizando igualmente o trabalho intelectual e o trabalho manual.

A Maçonaria é uma Ordem de duplo sentido: de instituição perpétua e de associação de pessoas ligadas por determinados valores, que perseguem determinados fins e que estão vinculadas a certas regras.”
(Excerto do texto retirado do site da Maçonaria de “Introdução á Maçonaria” de António Arnaut)

O excerto acima constitui a abertura do portal da Maçonaria Portuguesa. Seria difícil encontrar palavras mais opostas à realidade. Penso que esta “seita” é a principal responsável pelas desgraças do nosso país, especialmente a partir de 1974. Mais do que uma associação secreta, estes senhores formam uma seita interessada apenas em defender os interesses dos seus próprios membros. Trata-se de uma plataforma que facilita a corrupção, o nepotismo, a cleptocracia e que compõe a oligarquia que nos governa.

Na génese da maçonaria estava a defesa dos artistas da construção. Na sua criação não estavam envolvidos interesses filantrópicos ou de progresso, o que os movia era a proteção aos profissionais da construção, para os maçónicos quantos menos soubessem os segredos da profissão mais oportunidades de negócio teriam. Os valores que este sindicato defendia eram os valores financeiros e de poder, os interesses dos membros maçons sobrepunham-se aos da restante população. Quanto mais poder financeiro possuísse, maior viria a ser a sua influência junto de quem decidia.

Hoje em dia as lojas maçónicas portuguesas mantêm estas práticas com elevado rigor. Claro que os participantes já não são exclusivamente ligados à construção civil. Existem membros dos mais variados quadrantes da atividade económica. O esquema baseia-se numa cultura de tráfico de influências, de compadrios e favores que serve para o progresso dos próprios membros. Vão deixando o legado aos seus filhos, perpetuando o poder de influência e estatuto dos seus membros, independentemente dos seus méritos, impera o factor C (cunha).

Ainda recentemente se noticiou o caso dos Golden Visa, em que alguns dos envolvidos fazem parte da maçonaria. Houve uma tentativa da ministra da justiça em instituir uma declaração de interesses a quem mantém cargos públicos, obrigando-os a declarar se fazem parte de alguma organização; logo vozes do seu próprio partido se levantaram contra, da parte do PS nem uma palavra. Por aqui se vê que a maçonaria não tem partido politico.

A grande parte das nossas elites frequenta estas lojas, bem como a Companhia dos jesuítas e a Opus Dei. Reside em parte, aqui, a explicação para o estado calamitoso do nosso Estado.


"O sistema de justiça português é constituído por lojas maçónicas e controlado pela maçonaria. Além de controlar as decisões dos processos, controla igualmente a carreira dos juízes e dos magistrados do Ministério Público e dos altos funcionários do Estado" - disse José da Costa Pimenta, um juiz jubilado, em carta dirigida à atual ministra da justiça.

Alguns exemplos do tipo de influência que exercem na nossa sociedade:

Caso CTT: (Citações do Ministério Público) Em escutas telefónicas, um indivíduo faz alusões à sua condição de maçom para obter informações do caso da venda de prédios
Caso Moderna: (Citações do Ministério Público) Uma conspiração maçónica, com a Moderna como ponto de reunião, para tomar conta das estruturas do poder em Portugal, é revelada num documento de Nandim de Carvalho.
Caso Portucale: (Citações de Abel Pinheiro) Nos governos de Guterres, o GOL era conhecido por o "gabinete", dado o número de socialistas por metro quadrado.

Um ex-Diretor do Serviço de Informações Estratégicas da Defesa (SIED), utilizou os seus conhecimentos na maçonaria para facilitar a reabilitação de um edifício que pertencia à empresa que o viria a contratar, a Ongoing. Foi igualmente acusado um líder da loja Maçónica Mozart 49, de utilizar a loja como plataforma para instrumentalizar indevidamente instituições do Estado e para servir as suas ambições pessoais. O dirigente utilizou conhecimentos que adquiriu a partir da loja Mozart para recolher informação para a empresa de informação Ongoing que mais tarde o viria a contratar. Foi a maçonaria que facilitou a obtenção da licenciatura do ex-ministro Miguel Relvas na Lusofona. Relvas, por sua vez, solicitou um relatório e informações sobre o igualmente maçom Francisco Pinto Balsemão.

A maçonaria é um instrumento de corrupção que dilui a separação de poderes, promovendo a promiscuidade entre os ricos e os poderosos. Grande parte da classe política é apenas a face visível dos poderes escondidos das lojas maçónicas. Os membros destas “seitas” acreditam ser indivíduos dotados de superioridade intelectual face aos seus concidadãos e pensam serem merecedores de privilégios porque se distinguem dos demais. Julgam mesmo que devem ter mais direitos que os outros, têm acesso a informação preferencial em operações de bolsa, fazem sempre os melhores negócios imobiliários, estão sempre na linha frente quando o assunto é poder ou dinheiro, os seus filhos têm direito a frequentar as melhores escolas e se as notas não são boas, algo terá de ser feito.

Dado o comportamento dos seus membros, uma organização tentacular deste tipo pode colocar em causa um Estado de Direito, porque não ilegalizar uma colectividade que tanto prejudica um país?

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Livro: A sangue frio - Truman Capote


Foi publicado pela primeira vez na revista New Yorker, em 1965, dividido em 4 capítulos.

Truman Capote baseou-se num acontecimento ocorrido em 1959. Dois delinquentes assassinaram uma família na cidade de Holcomb no Kansas.

Capote era um jornalista/escritor que para fazer o relato dos acontecimentos, deslocou-se ao local e viveu na cidade cerca de 1 ano, falou com a população e entrevistou os criminosos que haveriam de ser enforcados em 1965.

É um romance impressionante, de uma frieza cortante. Considerado um dos melhores livros do século XX.

Penso que se trata de uma obra imprescindível. A ler, sem duvida.


terça-feira, 11 de novembro de 2014

Perguntas que valem milhares de milhões de Euros



Recentemente durante a apresentação do orçamento de estado para 2015, assisti a alguns membros do nosso governo afirmarem que ao nível da despesa pública, não havia mais custos que eventualmente pudessem ser reduzidos, havíamos chegado ao limiar máximo de contenção da despesa primária. A partir daqui o único caminho seria o de continuar a reduzir as prestações sociais ou o aumento de impostos.

Sendo eu um contribuinte ativo e líquido do erário publico, penso ter o direito a que me sejam respondidas algumas questões.

Em 2011 o Estado português não sabia ao certo quantos organismos públicos existiam. Não havia um inventário geral. Pensava-se que na administração central, local, regional, institutos, fundações e associações públicas, existiriam cerca de 13 740 entidades que se alimentavam do Orçamento do Estado e consumiam cerca de 81 mil milhões de Euros, aproximadamente 48% do PIB.

Qual foi a redução obtida com a reestruturação, fusão ou encerramento destes organismos?

Qual é realmente a situação atual dos organismos que auferem ou dependem de fundos públicos?

Porque será que a oposição não insiste nesta questão?

Porque é que os nossos jornalistas não questionam o nosso governo acerca do ponto de situação desta realidade?

Outro tema em que gostaria de ser esclarecido e que não tem só a ver com a despesa primária, são as amortizações e os juros das PPP.

Sabemos que grande fatia do nosso endividamento se deve às participações público-privadas que foram contratadas no passado recente.

Dado que vivemos uma situação extraordinária, é nas situações extraordinárias que devemos tomar medidas extraordinárias, exatamente como foi feito no congelamento de alguns encargos públicos. Mas claro, aí foi fácil actuar, com os mais fracos não custa nada.

Quanto a este tema ocorrem-me algumas questões:

Que negociação foi feita com os credores?

Quanto representa a poupança conseguida face à divida total?

Porque motivo não foram propostas moratórias sobre as amortizações ou perdão de juros sobre as dividas ?

Porque motivo continuamos a honrar os contratos com credores que entraram em incumprimento com o Estado português?

Porque é que os nossos jornalistas não questionam o nosso governo acerca do ponto de situação desta realidade?

Temos o direito de perguntar, o governo tem o dever de responder. Nunca devemos esquecer que o Estado somos nós, os governos passam, nós ficamos para pagar.