Tratamento de temas interessantes de uma forma desinteressante. Abordagem inconsequente acerca da consequência das coisas. Tudo será devidamente tratado, mas sem qualquer resolução. Os leigos também têm direito a opinião...

quarta-feira, 30 de abril de 2014

O Diabo vestia Hugo Boss!


Hugo Ferdinand Boss nasceu dia 8 de julho de 1885.
Começou a carreira como um simples alfaiate. Após a Primeira Grande Guerra, aos 33 anos de idade, fundou sua própria confecção em Metzingen (1923).
Em 1931 filia-se no NSDAP – Partido Nacional Nazi – liderado por Adolf Hitler, um político em ascensão na época.
Em 1933 torna-se fornecedor exclusivo dos uniformes negros das SS (Schutzstaffel), da Wehrmacht e de outras organizações nazis (sempre muito preocupadas com a elegância). Ganhou milhões de marcos entre 1934 e 1945.
De início, a produção dos uniformes era partilhada com outras alfaiatarias, e Hugo Boss também produzia roupas normais para trabalhadores e camisas.
Em 1938 a empresa passou a trabalhar em exclusivo para o Estado alemão, chegou a contar com 300 funcionários. Como era difícil encontrar mão de obra durante a guerra, a fábrica utilizou 140 prisioneiros, na sua maioria mulheres.

Após a Segunda Guerra Mundial, com o fim do regime em 1945, Boss foi considerado como “responsável” nos julgamentos de Nuremberga. Apesar disso foi autorizado a continuar na gestão da sua fábrica.

Não viveu tempo suficiente para ver a sua empresa tornar-se mundialmente famosa, morreu aos 63 anos.
“A fábrica de roupas fundada pelo senhor Hugo Boss produziu roupas de trabalho e achamos que também uniformes da SS. Não temos arquivos na companhia, mas estamos a tentar descobrir o que aconteceu“, declarou Monika Steilen, porta-voz da empresa em 1997 quando a notícia foi divulgada por uma revista austríaca.

A marca alemã Hugo Boss emitiu um pedido formal de desculpas dia 2011, por ter usado mão de obra escrava na produção de uniformes nazis durante a Segunda Guerra Mundial. No comunicado, a empresa expressa o seu profundo pesar às vítimas que sofreram na fábrica dirigida por Hugo Ferdinand. “Nós nunca escondemos nada e sempre procuramos clarificar o que aconteceu no passado. É nossa responsabilidade com a empresa, com nossos funcionários, nossos clientes e com todos os interessados na história da Hugo Boss.”
O pedido de desculpas foi feito após o lançamento de um novo livro que revela a ligação do estilista alemão com o nazismo. Segundo a publicação, Hugo Boss, não somente era o estilista preferido de Hitler como também um fervoroso adepto do partido nazi.
Sinónimo de elegância e luxo, a HUGO BOSS é um produto “Made in Germany” altamente respeitado no mundo da moda.
Mas na verdade o Diabo vestia “Hugo Boss”.
O paradoxo da situação revela-se na projecção da marca, após as revelações de 1997, a notoriedade da Hugo Boss dispara. Embora a familia já nada tenha a ver com a marca, nem sequer o nome foi alterado. Antes pelo contrario, o envolvimento nazi ajudou a vender.
Irónico, não?
A questão moral num mundo de frivolidade nem se coloca.
Os que vacilam na capacidade critica deixam-se arrastar e sem darem por isso fazem parte e alimentam esse mundo marginal e insensato…

domingo, 27 de abril de 2014

A Russia e a Vodka



Com o aumento do uso de vodka para os carros, Estaline decidiu cancelar a distribuição generalizada da bebida pelos soldados em combate. Ao mesmo tempo, o líder soviético resolveu premiar os melhores soldados com 200 ml de vodka por dia.

O seu nome deriva da frase russa "Zhiznennia Voda", que significa água da vida.

A palavra vodka foi mais tarde adoptada. Os polacos reivindicam para si a origem do nome vodka (woda).

Os russos afirmam que a vodka foi uma descoberta deles e que o seu aparecimento se deu no ano de 1300, num local chamado Fonte de Viataka.

A vodka popularizou-se também rapidamente na Finlândia e Polónia. 

Em 1780 o Czar da Rússia contratou o químico Theodore Lowitz para encontrar uma fórmula que tornasse esta bebida mais higiénica e pura. Lowitz inventou a técnica da purificação da Vodka, filtrando-a através do carvão.

Quarenta anos mais tarde, a família Smirnoff oriunda de Moscovo, fundou uma companhia que aperfeiçoou este sistema e simultaneamente deu o seu nome a uma das vodkas mais famosas no mundo.

O século XIX foi marcado pelas invasões Napoleónicas, em 1812 o Tesouro russo faliu, o rublo desvalorizou-se com a inflação, dado o volume de negocio envolvido, instituiu-se o monopólio governamental da vodka na maioria dos territórios do Império Russo. 

A vodka parece ter tido um papel importante na vitória russa contra Napoleão Bonaparte.  O general francês e historiador Philippe-Paul de Ségur, afirmou: “Os nossos jovens soldados, enfraquecidos pela fome e o cansaço achavam que esta bebida lhes restauraria as forças, mas o calor da bebida fez com que gastassem o resto de energia como se tratasse de uma explosão e depois caíssem esgotados”.

Napoleão não menciona esta situação nos boletins da Grande Armada mas Ségur cita mais detalhes: "Havia outros, ainda mais embriagados, que foram vencidos pelas tonturas ou sonolências e caíram em valas ou nas estradas. Os olhos meio fechados, aguados, viam a morte com indiferença. A morte tomou conta deles e morreram estupidamente sem nenhum gemido”.

No início do séc. XX o consumo tinha atingido níveis assombrosos e a alienação da população era generalizada. A “Lei Seca” foi introduzida em 2 de agosto de 1914 pelo governo de Lenine mas foi abolida em 1925 por Estaline.

Em 1943, antes da ofensiva da União Soviética em Estalinegrado, o marechal russo Georgui Jukov informou Estaline que, como as tropas não tinham anticongelante suficiente estavam a usar vodka para impedir que a água dos radiadores congelasse. 


Em 7 junho de 1992, o primeiro presidente da Rússia, Boris Iéltsin, assinou um decreto abolindo o monopólio estatal sobre a vodka. Como resultado surgiram por todo o país produtos falsos e prejudiciais à saúde. O efeito da generalizada propagação da vodka falsificada era tão forte e as perdas do orçamento foram tão palpáveis que, um ano depois, em 11 de junho de 1993 foi assinado um novo decreto presidencial “Sobre a restauração do monopólio estatal sobre a produção, armazenamento, comércio de bebidas alcoólicas”. Este decreto perdura até hoje.

Actualmente estima-se que cada russo beba 18 litros de álcool por ano, mais do que o dobro do máximo recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Uma em cada cinco mortes no país está relacionada ao álcool. No ano passado, o vício foi o principal responsável pela queda na esperança de vida russa, o primeiro retrocesso desde 2003. Um russo nascido em 2012 viverá em média 69,7 anos, em vez dos 69,8 anos calculados em 2011. Apesar de pequena, a queda no índice surpreende porque segue uma tendência oposta ao que se espera de uma nação emergente.

Eis o peso social que a vodka tem na Rússia.

sexta-feira, 18 de abril de 2014

Avenida Los Insurgentes, Cidade do México

Tudo começa na maior via que atravessa a cidade do México. Porquê este nome? A sua dimensão é impressionante para alguém oriundo de um pequeno país da Europa com 10 milhões de habitantes.
É uma das artérias principais da Cidade do México. Com 28 km de extensão, a Insurgentes é a mais extensa via pública da cidade e a segunda maior do mundo, sendo superada apenas pela avenida Rivadavia em Buenos Aires com 35 km. 
A avenida Insurgentes tem suas origens no início do séc XX, mas foi durante o governo de Miguel Aleman que foi remodelada sob a  inspiração das boulevards francesas. Seu nome atual está ligado ao dia da Independência do México, 16 de Setembro, é uma homenagem ao Exército dos Insurgentes, que lutaram pela Independência do México.
O Grito de Dolores foi a declaração de guerra contra a coroa espanhola, proferido pelo padre Miguel Hidalgo y Costilla, em Dolores, Guanajuato.

"Viva a Virgem de Guadalupe! Morte ao mau governo! Viva Fernando VII!”. Foi com este grito que Hidalgo iniciou a luta pela independência em 16 de Setembro de 1810. Grupos de camponeses e mineiros liderados pelo Padre Hidalgo marcharam para a cidade do México.

Após as vitórias iniciais o movimento começou a perder força, em Monclova Hidalgo é feito prisioneiro em conjunto com muitos dos seus homens. Como sacerdote, foi julgado pela Santa Inquisição e declarado culpado de heresias e traição, sendo condenado à morte. Seria fuzilado em 1811. O seu corpo seria depois mutilado e a sua cabeça exposta publicamente em Guanajuato, como advertência aos possíveis insurgentes.


Segue-se no comando dos guerrilheiros o padre Jose Maria Morelos y Pavon. Na estratégia base do padre Morelos estava o isolamento da cidade do México do resto do território. Durante seis meses conseguiu esse feito. Chegou mesmo a ser convidado a participar no congresso nacional onde foram feitas propostas para o futuro do México, como o fim da escravatura, a declaração de um Estado católico e o direito de voto. Mas em 1815 foi capturado e executado pelas tropas leais à coroa espanhola.


O exército real conseguiu repelir os Insurgentes para as montanhas de onde a guerra passou a ser conduzida sob a forma de guerrilha. O movimento que começou por ser meramente religioso, tornou-se uma rebelião republicana. 

É nesta altura que surgem líderes como Guadalupe Victoria e Vicente Guerrero. Mas o movimento Insurgente entra em declínio, enfraquecendo rapidamente. 
Augustin de Iturbide é enviado para erradicar a revolta. No entanto face ás mudanças que se verificavam em Espanha, optou por se colocar do lado dos independentistas. 


Iturbide estabelece um acordo com Vicente Guerrero. Foi criado o Plano de Iguala, que garantia 3 objectivos: a Independência do México regido pelo rei de Espanha, os mesmos direitos para colonos e crioulos e a manutenção dos privilégios da igreja católica.

Foi então criado um novo exército, o Exercito das Três Garantias sob o comando de Iturbide, para garantir a implementação do Plano de Iguala. O plano satisfazia tanto os liberais como os conservadores; o objectivo da independência e a simultânea protecção da Igreja Católica tornaram possível o apoio de todos ao movimento independentista.


Em 24 de Agosto de 1821 é assinado o Tratado de Córdoba, onde Iturbide consegue garantir que um crioulo poderá assumir a liderança do novo Estado. É o início do primeiro império mexicano.


Na próxima visita à Cidade do México já terei em mente as motivações para a designação daquela avenida.


domingo, 13 de abril de 2014

Dan Cooper, o crime perfeito?

Isto parece coisa de cinema e não a vida real, mas desde há 40 anos que o caso DB Cooper permanece como o único sequestro da aviação americana ainda não resolvido.


Em 1971, um homem que se identificou como ‘Dan Cooper’ comprou uma passagem de Portland, Oregon, para Seattle, Washington. Durante o voo anunciou à tripulação que tinha uma bomba a bordo e exigiu um resgate de US$ 200 mil em dinheiro (hoje seriam cerca de US$ 700 mil), quatro pára-quedas e um camião de combustível esperando por ele em Seattle.


A companhia aérea decidiu concordar com as exigências e, após a libertação dos passageiros e reabastecer em Seattle, Cooper e a tripulação levantaram voo para Reno. Exigiu que o voo fosse efectuado a baixa velocidade e a uma altitude média de 10.000 pés. 

Os pára-quedas não podiam ser sabotados porque o FBI não sabia se o pirata do ar levaria consigo alguns membros da tripulação. 


Durante o voo a parte traseira do avião foi aberta e Cooper saltou sozinho de pára-quedas. Nunca mais foi visto. 
Sobre Dan Cooper muito se tem especulado. Há quem afirme que viveu na Florida após o golpe. Que terá ido viver para um país sul americano. A tese mais provável é que terá morrido no salto de pára-quedas ou por hipotermia.
Em 1980, dois pacotes de 100 notas de US$ 20 e um terceiro pacote de 90 notas foram encontrados no Estado de Washington, reforçando a hipótese do FBI de que Cooper não sobreviveu ao salto de pára-quedas, mas nenhuma explicação foi encontrada para o facto de faltarem dez notas de um terceiro saco. O restante dinheiro nunca foi encontrado.
O caso está em aberto até hoje. Ainda existem recompensas para quem revele pistas no sentido de o resolver.
Depois deste episódio, foram feitas várias alterações de segurança nos aviões comerciais para evitar que tal torne a acontecer da mesma forma.

Terá sido o crime perfeito?