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domingo, 27 de abril de 2014

A Russia e a Vodka



Com o aumento do uso de vodka para os carros, Estaline decidiu cancelar a distribuição generalizada da bebida pelos soldados em combate. Ao mesmo tempo, o líder soviético resolveu premiar os melhores soldados com 200 ml de vodka por dia.

O seu nome deriva da frase russa "Zhiznennia Voda", que significa água da vida.

A palavra vodka foi mais tarde adoptada. Os polacos reivindicam para si a origem do nome vodka (woda).

Os russos afirmam que a vodka foi uma descoberta deles e que o seu aparecimento se deu no ano de 1300, num local chamado Fonte de Viataka.

A vodka popularizou-se também rapidamente na Finlândia e Polónia. 

Em 1780 o Czar da Rússia contratou o químico Theodore Lowitz para encontrar uma fórmula que tornasse esta bebida mais higiénica e pura. Lowitz inventou a técnica da purificação da Vodka, filtrando-a através do carvão.

Quarenta anos mais tarde, a família Smirnoff oriunda de Moscovo, fundou uma companhia que aperfeiçoou este sistema e simultaneamente deu o seu nome a uma das vodkas mais famosas no mundo.

O século XIX foi marcado pelas invasões Napoleónicas, em 1812 o Tesouro russo faliu, o rublo desvalorizou-se com a inflação, dado o volume de negocio envolvido, instituiu-se o monopólio governamental da vodka na maioria dos territórios do Império Russo. 

A vodka parece ter tido um papel importante na vitória russa contra Napoleão Bonaparte.  O general francês e historiador Philippe-Paul de Ségur, afirmou: “Os nossos jovens soldados, enfraquecidos pela fome e o cansaço achavam que esta bebida lhes restauraria as forças, mas o calor da bebida fez com que gastassem o resto de energia como se tratasse de uma explosão e depois caíssem esgotados”.

Napoleão não menciona esta situação nos boletins da Grande Armada mas Ségur cita mais detalhes: "Havia outros, ainda mais embriagados, que foram vencidos pelas tonturas ou sonolências e caíram em valas ou nas estradas. Os olhos meio fechados, aguados, viam a morte com indiferença. A morte tomou conta deles e morreram estupidamente sem nenhum gemido”.

No início do séc. XX o consumo tinha atingido níveis assombrosos e a alienação da população era generalizada. A “Lei Seca” foi introduzida em 2 de agosto de 1914 pelo governo de Lenine mas foi abolida em 1925 por Estaline.

Em 1943, antes da ofensiva da União Soviética em Estalinegrado, o marechal russo Georgui Jukov informou Estaline que, como as tropas não tinham anticongelante suficiente estavam a usar vodka para impedir que a água dos radiadores congelasse. 


Em 7 junho de 1992, o primeiro presidente da Rússia, Boris Iéltsin, assinou um decreto abolindo o monopólio estatal sobre a vodka. Como resultado surgiram por todo o país produtos falsos e prejudiciais à saúde. O efeito da generalizada propagação da vodka falsificada era tão forte e as perdas do orçamento foram tão palpáveis que, um ano depois, em 11 de junho de 1993 foi assinado um novo decreto presidencial “Sobre a restauração do monopólio estatal sobre a produção, armazenamento, comércio de bebidas alcoólicas”. Este decreto perdura até hoje.

Actualmente estima-se que cada russo beba 18 litros de álcool por ano, mais do que o dobro do máximo recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Uma em cada cinco mortes no país está relacionada ao álcool. No ano passado, o vício foi o principal responsável pela queda na esperança de vida russa, o primeiro retrocesso desde 2003. Um russo nascido em 2012 viverá em média 69,7 anos, em vez dos 69,8 anos calculados em 2011. Apesar de pequena, a queda no índice surpreende porque segue uma tendência oposta ao que se espera de uma nação emergente.

Eis o peso social que a vodka tem na Rússia.

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