Tratamento de temas interessantes de uma forma desinteressante. Abordagem inconsequente acerca da consequência das coisas. Tudo será devidamente tratado, mas sem qualquer resolução. Os leigos também têm direito a opinião...

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Os leitores e os estúpidos.


Quando iniciei este blog a ideia base era a de servir de caixa de ressonância para mim mesmo de tudo aquilo que me vem à mente. Não me preocupava minimamente o sucesso da publicação.

Actualmente, embora não seja um "top blog", não me posso queixar com a projeção que o mesmo já atingiu. No entanto questiono-me sempre: O que posso fazer para atrair a atenção dos leitores?

Este assunto tem-me consumido muita reflexão.

Por vezes tenho constatado que a generalidade dos potenciais leitores não passam de observadores de imagens. Basta verificar que quando coloco uma foto num artigo, ele é visto pelo triplo das pessoas que o veriam sem a foto. Só não sei quantas pessoas o lêem realmente.

Quando coloco um texto tenho a certeza que só os verdadeiros leitores terão a paciência necessária para o lerem e interpretarem. 

Os estúpidos não perderão tempo a lê-lo porque o texto tem demasiadas letras. É por este motivo que posso escrever este post sem qualquer limitação na adjectivação. Não é com este segmento que vou preocupar, até porque não são eles que me interessam.

Para além de uma boa e apelativa imagem, quais são os temas que as pessoas mais procuram?

Pela pesquisa que realizei conclui que temas que tenham a ver com frivolidade e falta de envolvimento mental, são os que asseguram grande quantidade de visualizações. Mas o ideal é que o assunto abordado já esteja devidamente explanado para não obrigar a grande esforço na descodificação. Se o tema for abordado com um vídeo, então é ouro sobre azul, é meio caminho andado para o sucesso. Imagine, caro leitor, que existem vídeos de grande sucesso que se baseiam numa câmera fixa a mostrar um cachorro na sua casota.

Esta questão traz-me à ideia a imagem amplamente divulgada de que actualmente estamos perante a geração mais altamente qualificada de sempre. Não posso deixar de rir quando constato que um recém licenciado em Gestão de Empresas não sabe quem foi Milton Freedman, o principal percursor da teoria monetarista. Este é apenas um exemplo de tantos outros que todos vós, os leitores reais, com certeza se lembram.

Concluindo. Penso que nada devo fazer para atrair mais público, porque se assim fizesse, estaria a trair-me a mim próprio. Como tal vou continuar a fazer o que sempre fiz. Se os leitores gostarem, tanto melhor. Se não gostarem critiquem, só agradeço. 

Quanto aos estúpidos, só é estupido quem quer. Com a quantidade de informação de que dispomos hoje em dia, só é alienado quem quer. Que sejam felizes.




sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Livro: A taça de ouro - John Steinbeck

Publicado em 1929.

Com este romance histórico estreou-se John Steinbeck.

É uma obra-prima inspirada na vida do pirata Henry Morgan até à tomada da cidade do Panamá (Cup of Gold).

Relato soberbo e fiel das vivências do sec. XVII, com toda a violência e brutalidade que caracterizava aqueles homens fora da lei.

É um romance empolgante que nos leva em viagem ás ilhas das Caraíbas.

Por vezes sentimo-nos a navegar por aquelas águas tropicais, aportando em praias desertas ou portos barulhentos regados a rum.

Um livro a não perder, de um dos maiores escritores de todos os tempos.

Livro: Primeiro as senhoras - Mário Zambujal

Publicação em 2006.

Embora diferente de “A crónica dos bons malandros”, Mário Zambujal segue a linguagem marialva do grande sucesso dos anos oitenta.

Trata-se de um monólogo rico em imagens e sugestões que obrigam o leitor a participar ativamente como ouvinte de um enredo hilariante.

A técnica humorística de Zambujal leva-nos a ler a história rapidamente.

Recomendo a leitura.

Livro: Abordagem - William Golding

William Golding ganhou o Prémio Nobel da Literatura em 1983.

Publicou este livro em 1987.

Faz parte da trilogia que é completada com os romances: Ritos de Passagem e Fogo no Porão. Esta trilogia foi premiada com o Booker Prize.

Golding, como oficial da marinha inglesa que foi, explana neste romance todo o seu conhecimento da vida no mar.

Todavia, o enredo, mais que tudo, aborda relações entre as diversas personagens ao longo de uma viagem algures pelos mares do Sul, no sec. XIX.

Com grande rigor somos levados a navegar por tempestades e bonanças dos passageiros e tripulantes do navio até ao eminente desastre final...

Recomendo a leitura.

Livro: O pregador - Harold Robbins

Harold Robbins publicou este romance em 1982.

Trata-se de uma viagem aos bastidores de uma seita religiosa.

Parece um livro escrito propositadamente para ser transformado em filme.

Robbins no seu estilo claro e com grande profusão de diálogos conta-nos uma história empolgante de sexo, dinheiro, poder e religião.

Exemplo acabado do "American dream".

Um retrato fiel da América contemporânea.

Recomenda-se a leitura.

Livro: Quando os lobos uivam - Aquilino Ribeiro

“Para nós serranos, é sempre opressão, ainda que se não proteste, ainda que não saibamos exprimi-la. Nós somos bárbaros, mas bárbaros sem trela. Temos muito dos lobos que, mesmo nas selvas plantadas a cordel, não aprenderam a moderar os instintos da sua braveza.”

O grande mestre Aquilino Ribeiro explana a vivência das gentes das Beiras nos anos quarenta do sec. XX.

Um romance amaldiçoado pela censura do antigo regime.

Publicado em 1958. Um relato duro da vida daquela gente simples, aprisionada pela repressão policial e burocrática do Estado Novo.

Recomendo vivamente a leitura deste romance, escrito por um dos expoentes máximos da língua portuguesa.

Penso que a obra de Aquilino Ribeiro seria merecedora de um Prémio Nobel da Literatura.

Livro: Uma noite em Lisboa – Erich Maria Remarque

Publicado em 1963.

Uma história de espionagem que decorre durante a Segunda Guerra Mundial.

A cidade de Lisboa serve cenário à história que o narrador “Schwarz” nos conta.

Descreve sentimentos de desespero vividos pelas pessoas em tempos de guerra, mas também revela sinais de esperança num melhor futuro próximo.

No entanto Lisboa é, e será sempre, apenas um ponto de passagem.

Recomendo a leitura deste grande autor alemão.

Livro: Um sino na montanha – Fernando Namora

Publicado em 1970, neste livro Fernando Namora apresenta uma faceta diferente.

O texto é praticamente jornalístico mas com os seus evidentes traços literários.

As viagens e experiências vividas são-nos relatadas ao longo das várias reportagens em que o autor vai dialogando connosco acerca dos seus próprios pontos de vista.

O amor que demonstra para com as suas gentes, não apaga o agudo sentido crítico e inteligência com que aborda os vários temas.

Aconselho a lêr.

Livro: O processo - Franz Kafka

Publicado em 1925.

O que dizer desta obra-prima?

“Alguém certamente havia caluniado Josef K. pois uma manhã ele foi detido sem ter feito mal algum”

A história de um empregado bancário que se vê envolvido num processo judicial em que não faz a mínima ideia daquilo que lhe deu origem.

Joseph K. acredita que o mal entendido em qualquer altura será esclarecido, mas com o passar do tempo cada vez se aperta mais o cerco em torno de si. O fim não vos posso contar.

É evidente a crítica ao sistema burocrático e judicial vigente na altura, antecipa os regimes totalitários que começavam a dominar a Europa Central.

É uma obra de uma complexidade infinita. Podemos interpretar de várias formas.

É absolutamente imperdoável não ler.

É sem dúvida um dos melhores livros da historia da literatura.

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Mulher solteira procura marido rico


Uma mulher americana escreveu nas redes sociais a pedir conselhos para conseguir arranjar um marido milionário.


“ Sou uma mulher formosa (diria muito formosa) de 25 anos, bem formada e com classe. Quero casar-me com alguém que ganhe no mínimo meio milhão de dólares por ano.

Tem algum homem neste portal que ganhe mais de USD 500.000/ano ou mais?

Será que esposas de milionários me podem dar alguns conselhos?

Já fui namorada de homens que ganhavam de 200 a 250 mil, mas não passavam disso. Não são 250 mil que me vão permitir viver em Central Park West.

Conheço uma mulher, na minha aula de yoga, que se casou com um banqueiro e vive em Tribeca, N. York, e ela não é tão bonita, nem tão inteligente como eu.

Então? O que ela fez que eu não fiz?

O que posso fazer para chegar ao nível dela?”

Rafaela S.

Resposta que recebeu de um homem que se afirma milionário:

“ Li o seu texto com grande interesse, pensei cuidadosamente no seu caso e fiz uma análise cuidada da situação.

Em primeiro lugar, digo-lhe que não estou a fazer-lhe perder tempo, porque ganho mais de 500 mil dólares por ano.

Posto isto, considero os termos da seguinte forma: o que você oferece, visto na perspetiva de um homem como aquele que você procura, é simplesmente um péssimo negócio.

Eis os motivos: deixando-nos de rodeios, o que você propõe é um simples negócio em que põe a sua beleza física e eu ponho o meu dinheiro.

Salvo melhor opinião existe um problema. Seguramente a sua beleza vai decair e um dia vai terminar, no entanto o mais provável é que o meu dinheiro continue a crescer.

Assim, em termos económicos, você é um ativo que sofre depreciação e eu sou um ativo que rende dividendos. A senhora não só sofre depreciação, como ela é progressiva, aumenta sempre.

Clarificando, você hoje tem 25 anos e vai continuar a ser linda nos próximos 5 a 10 anos, mas sempre um pouco menos cada ano, e de repente se se comparar com uma foto anterior verá que está mais envelhecida.

Com isto quero dizer que você está no “Ponto”, que é a época ideal para ser vendida, não para ser comprada.

Usando linguagem de Wall Street, quem a tem hoje deve colocá-la em “Trading Position”, e não em “Buy and Hold”, que é aquilo para que você se oferece.

Todavia, o casamento representa um “Buy and Hold”, ou seja “Compre e Retenha”, no caso de ser consigo, não é bom negócio a médio/longo prazo, pelo que o aluguer, em termos comerciais poderá ser razoável. É uma questão que poderemos negociar.

Penso que mediante a certificação de quão “bem formada, com classe e maravilhosamente linda” é, eu como potencial interessado e futuro locatário, quero, como é prática habitual, fazer um “test drive”, antes de concretizar o negócio.

Resumindo:
Visto que comprá-la seria um mau negocio devido à sua desvalorização constante, proponho-lhe o aluguer pelo tempo em que o material se mantenha em boas condições de uso.

Espero notícias suas e despeço-me cordialmente,

O milionário que é mesmo milionário.”

Como melhorar o rating da República Portuguesa?

No âmbito dos meus deveres de cidadania, venho por intermédio deste texto singelo contribuir com a minha ajuda ao governo da Nação para que de uma vez por todas possamos resolver o problema que temos com o valor dos juros que nos são cobrados pela tomada da nossa divida pública.

Temos verificado a grande dificuldade que o nosso estimável governo tem sentido em conseguir colocar os rácios indicados pela UE nos níveis exigidos. Atente-se ao facto de ter sido necessária a ajuda uma Troika para nos colocar no correto caminho e não obstante o esforço despendido por esta “Task Force”, e porque o povo não corresponde aos altos designios propostos pelos nossos lideres, teimosamente os números têm-se mantido afastados do pretendido.

Debrucei-me sobre o tema e cheguei à conclusão que o problema reside num erro de análise. 

Ao contrario do que seria normal o problema está a jusante não a montante. A solução não está na alteração das contas públicas, são as agências de rating que procedem à avaliação dos riscos. Então se não repararem nos riscos não emitirão alertas sobre os mesmos. Ou seja se controlarmos os avaliadores de risco, teremos bons ratings.

Se não conseguimos ganhar com “fairplay”, compremos árbitro e a secretaria.

Daqui conclui que o investimento que o nosso Estado tem de fazer é nas agências de rating. Não deve ser difícil comprarmos os seus favores, nós somos especialistas nessa matéria. Basta um almoço aqui, um jantar acolá, uma prenda entregue em mãos, fazer lobby nos corredores dos centros económicos e os resultados surgirão em breve.

Temos entre nós grandes auditores financeiros, especializados em não ver, vide os nossos reguladores passados e actuais. Penso que com algumas workshops envolvendo os avaliadores, estes iluminados poderiam disseminar a sua forma de trabalhar e aí teriamos resultados ainda mais rápidos.

Imaginem a poupança. Nem precisaríamos de comprar as agências, pois que não teriamos dinheiro para isso, mas subornando uma duzia de funcionários teriamos a coisa resolvida.

Todas estas estratégias são absolutamente familiares aos nossos governantes, pelo que não seria difícil atingirmos os objetivos de melhoria dos ratings da Divida Soberana.

Resumindo: Não precisamos cumprir, basta-nos iludir os seguranças.

Sinto que já dei a minha colaboração e assim cumpri o meu dever de cidadão.

Praia do Baleal, Peniche

O mar espalha o espelho na areia
O reflexo do Sol incendeia
A lonjura quente das dunas
Com os cactus espinhosos redondos
O vento pára em brisa
A lingua de terra na água
Une a ilha a nós
O azul transforma-se em verde
O verde esboroa-se em espuma
Porque algas em fio rebolam em ondas
Um albatroz em voo
Procura a presa em baixo
Não mergulha flutua embalado
Sente-se fluir o tempo
Devagar, mansinho, sereno
A paz que mora em nós
Liberta-se no ar
Levitamos acima da matéria
Levanta-se na ordem do espaço
Na sequência da lógica universal
Metafísica forma de estar
Não nos toca o mundo
Felizes distantes de tudo
Que importa o resto?


Livro: As Neves de Kilimanjaro - Ernest Hemingway

Quatro anos após uma viagem a África, Ernest Hemingway escreveu este livro de contos, em 1935.

São oito contos:
. As neves de Kilimanjaro
.Os invencíveis
.O jogador, a freira e a telefonia
.A capital do mundo
.A curta e feliz existência de Francis Macomber
.Cinquenta mil dólares
.Um sítio limpo e bem iluminado
.O ídolo

Hemingway mostra os recursos de um grande mestre da literatura (Prémio Nobel em 1954). No seu estilo prático e direto apresenta histórias surpreendentes pela simplicidade com que retrata as fragilidades do ser humano.

Nestes contos surge a mescla de sentimentos que nos compõem em permamente antagonismo, como a coragem, a cobardia, o amor, o ódio, a esperança e a desilusão.

Gosto particularmente do conto “Fifty Grand” (Cinquenta mil dólares), a história de um pugilista.

Recomendo a leitura destes contos.

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Portugueses. Como somos?

Adoramos utilizar termos como:
Talvez, mais ou menos, possivelmente, em principio...
Porquê parar num sinal amarelo se podemos passar um vermelho?
Dizemos mal de tudo.
Somos pessimistas por natureza.
Achamos que todos os outros nos são superiores.
Sobreavaliamos os outros.
Ridicularizamos os nossos costumes.
Preferíamos ser outros que não nós.
Não acreditamos nas nossas capacidades.
Temos dificuldade em reconhecer o mérito.
Invejamos o sucesso.
Privilegiamos relações e não os desempenhos.
Premiamos a incompetência.
Promovemos a cultura do favor.
Somos defensores do nepotismo.
Damo-nos bem com a fulanização.
Somos avessos à responsabilização.
Somos rápidos a apontar problemas.
Apontamos o dedo com facilidade.
Temos dificuldades nas soluções.
O planeamento é visto como perda de tempo.
O clientelismo é normal.
O amiguismo é promovido como algo natural.
As elites perpetuam-se no poder.
A oligarquia dos incapazes mantém-se e o desgoverno continua.
O povo em geral é mais capaz do que os seus dirigentes.
Ignoramos as sociedades secretas que nos governam.
Não queremos saber de politica.
Não sabemos de nada, mas temos opinião acerca de tudo.
Damo-nos mal com o rigor.
Somos ingenuamente corajosos.
Sempre disponiveis para ultrapassar pela direita.
Quando ganhamos somos os maiores.
De repente acreditamos que não há melhor no mundo.
Na derrota somos depressivos.
Nada há de pior no mundo.
Validamos com euforia classificações subjectivas.
Nas avaliações objectivas raramente ficamos bem notados, mas isso para nós é irrelevante.
Não existe o meio termo.
Ou é o oito, ou o oitenta.
A nossa grandeza histórica choca de frente com a nossa pequenez actual.
Na maior parte das vezes conformamos-nos.
Pontualmente embandeiramos em arco e nada nos segura.
Delinear uma estratégica é trágico, porque afinal acontecem tantas circunstâncias aleatórias que não vale a pena.
O melhor mesmo é desenrascar.
Resolver à pressa nunca falha, a não ser por vezes.
Para nós o ócio é complemento da acção.
Somos simpáticos e solicitos, muitas vezes subservientes.
Humildes, convencidos e por vezes arrogantes.
Apáticos e conformistas pelo nosso fado.
Somos tristes, melancólicos e saudosistas.
Quando bem orientados somos altamente eficazes e competitivos.
Somos flexiveis, temos grande capacidade de adaptação.
Somos bons a inovar.
Somos péssimos a aplicar as criações.
Para nós é licito tentar o ilicito desde que isso represente uma vantagem imediata.
Somos fiáveis e até certo ponto de confiança, por vezes.
Somos solidários e altruistas quanto baste.
A razão raramente vence as nossas emoções.
O Sol fez de nós morenos e amaciou-nos o raciocinio.
Com tudo isto e muito mais, somos assim: Portugueses.

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

A pena de morte


Actualmente, a pena de morte é um acto proibido e ilegal segundo o Artigo 24.º alínea 2 da Constituição Portuguesa.

A pena de morte, deve ou não deve constar da nossa Constituição?

Vamos assistindo a uma generalização monolítica da visão abolicionista. Está a expandir-se a ideia de que fazer justiça utilizando a pena de morte é coisa de bárbaros.

Temos mesmo verificado que os criminosos têm mais projeção mediática do que as vítimas. Estas são muitas vezes esquecidas, enquanto os seus algozes são defendidos por organizações ou grupos de pessoas que dizem importar-se com os direitos humanos.

Vem-me agora à memória um caso recente, nos Estados Unidos, de um assassino que em 3 anos violou e matou com requintes de sadismo, 7 mulheres.

Está no corredor da morte há 13 anos porque as associações que se opõem à pena de morte, têm consecutivamente obrigado ao adiamento da execução.

Arthur Shawcross foi condenado em 1973 pela violação, assassínio e mutilação de 2 crianças, um menino com 10 anos e uma menina com 8. Em 1987 foi colocado em liberdade condicional, após 14 anos de prisão. Entre Março de 1988 e Janeiro de 1990, violou, matou e mutilou 11 mulheres. Como não existe a pena de morte no estado de Nova York, desta vez foi condenado a 125 anos de prisão. Ao contrário das suas vítimas, Shawcross morreu calmamente, em 2008.

Será que as vítimas não são humanas, não têm direitos?

No meu ponto de vista, não se trata de fazer baixar as taxas de criminalidade. Está comprovado não haver uma relação directa entre uma coisa e outra. Trata-se apenas de fazer justiça por respeito ás vítimas de crimes hediondos.

A sociedade tem de proteger-se de elementos que recusam viver de acordo com o mais elementar de todos os direitos: o direito à vida.

Este raciocínio pode indiciar aqui  uma contradição, mas não é disso que se trata.

"Se um homem é perigoso para a sociedade, é louvável e salutar, para a conservação do bem comum, pôr à morte aquele que se tornar perigoso e causa de perdição para ela".
(S. Tomás de Aquino, em Suma Teológica, Questão LXIV, Art.11)

Podia dar-vos uma quantidade infindável de exemplos de criminosos para os quais não vejo outra pena que não a da própria morte.

Vamos supor que Adolf Hitler não se tinha suicidado naquele "bunker" de Berlim. Teria então sido capturado e feito prisioneiro. Vamos supor que iríamos julgar este homem cuja loucura levou a 70 milhões de mortos durante a Segunda Guerra mundial.

Que pena seria justa para este criminoso?

Todos estes exemplos servem para atestarmos que não devemos utilizar sob a forma de princípio base, a exclusão da Pena Capital.
Podia apresentar muitos mais casos em que chegaríamos à mesma conclusão.



Sou a favor da instituição da pena Capital. No entanto defendo que a mesma só deverá ser aplicada nos casos onde não possa existir a mais pequena dúvida acerca da culpa do arguido, em que o crime tenha sido premeditado, em que tenha agido de mote próprio, em que dele tenha resultado a morte de um ou mais seres humanos e que não haja indícios de distúrbios mentais.


Por tudo isto, para mim a pena de morte não é uma barbaridade. É a aplicação justa da Carta dos Direitos do Homem. Deveria constar da nossa Constituição e ser aplicada por via de lei em circunstâncias específicas.