Tratamento de temas interessantes de uma forma desinteressante. Abordagem inconsequente acerca da consequência das coisas. Tudo será devidamente tratado, mas sem qualquer resolução. Os leigos também têm direito a opinião...

sábado, 13 de setembro de 2014

Saudade

Coração apertado
Coagulado o sangue
Não escorre
Permanece imóvel
Peito ferido e aberto
Aguarda o bálsamo
Que cura...
E és tu,
És tu o unguento.

A saudade de te não ter
Ausente me fazes mal
Presente em mim
Me condenas a ser teu
Que tormento este

A saudade de te não ter
Tua voz ecoa no vazio
Teu cheiro me deixa imóvel
Quanto te quero
Agora sei quanto te quero
Agora sei quanto te amo.

Este silêncio mata-me
Esta saudade que me corrói
E volto atrás e digo:
“Quanto errei por não te ver”
Cego, meu espírito se quedou
Não ouvindo o rufar do peito
Agora que estás ausente
O coração aperta-se e ouve-se
Deixando um eco no ar
Escrevendo o teu nome
Gravando-te em mim

Agora sei a saudade de te não ter
Não mais duvidarei
Da voz que vem de dentro
E me diz: Amo-te!

Quando o coagulo desaparecer
Voltará a escorrer o líquido
De novo a vida brotará
Feliz por saber o que é
A saudade de te não ter

Jamais ficarás distante
Porque este frio faz mal
Quero o teu calor, a tua voz
Quero o teu cheiro, teu choro
Quero o teu riso, tua raiva
Quero o teu amor
Quero-te meu amor



Cascais, 2/3/1997

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