Tratamento de temas interessantes de uma forma desinteressante. Abordagem inconsequente acerca da consequência das coisas. Tudo será devidamente tratado, mas sem qualquer resolução. Os leigos também têm direito a opinião...

domingo, 14 de setembro de 2014

Um dia descobrirei o unguento



Claramente se turva o mundo
Por apenas ter cores suas
Que não as minhas,
Por serem escuras e ténues
Translúcidas e garridas
Impróprias de um arco-íris
Tenebrosas ao vento
Elemento fatal que varre
O vazio
O vazio da morte
Com vida por dentro
Porque recusa render-se
Porque é mais do que isso
Porque a raiva sacode
Violenta semente da dor.
...Não, não quero
Porque não para o mundo?
Sou mais do que tudo
Muito menos do que nada
Mas serei sempre só
Só...Apenas eu
Dono de mim
Arrogante sofredor
Original por ser assim sempre
Para sempre
A faca corta
Separa-me a carne
Dilacerado, grito a dor aberta.
A cicatriz não fecha
Rasga-me de novo
E sonho, sonho
A tintura que curará esta fenda
Mas o sal das lágrimas queima
Carne viva que sangra
E chora o choro chorado
Em circuito fechado.
Porque não vale a pena
Sempre haverá outra lâmina
Que me cortará
E de novo sangrarei
Então para quê chorar?
Do que vale acreditar,
Lutar não vale a pena
Sempre haverá outra lâmina.
Mas um dia descobrirei o unguento
Que para sempre fechará as feridas
E nunca mais a lâmina cortará
E nunca mais chorarei
E nunca mais sangrarei
E para sempre a felicidade.


27/10/1993


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