Tratamento de temas interessantes de uma forma desinteressante. Abordagem inconsequente acerca da consequência das coisas. Tudo será devidamente tratado, mas sem qualquer resolução. Os leigos também têm direito a opinião...

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

As rémoras


O comensalismo é um conceito que define as relações entre organismos de espécies diferentes, que se caracteriza pelo benefício de uma espécie, sem prejuízo da outra.
A relação de comensalismo mais conhecida é possivelmente a da rémora com o tubarão. A rémora agarra-se com uma ventosa ao dorso do tubarão. Come apenas os restos que são desperdiçados pelo seu transportador, não o prejudicando em nada.

Nas nossas atividades profissionais, penso que todos nós já nos cruzamos com ambas as espécies. Vou tentar explanar a minha ideia.

Fazendo uma analogia comensal às relações profissionais, entendo por tubarão alguém que tem ideias próprias, que toma decisões, segue o seu caminho e pensa pela própria cabeça, para o bem e para o mal. Por outro lado, este tipo de pessoas, invariavelmente é seguido ou perseguido por um séquito de rémoras.

Concluí que a quantidade de rémoras suplanta em muito o número de tubarões. São muito numerosas, ruidosas, ecoam em uníssono juízos de outros, não têm qualquer autonomia ou capacidade critica, são praticamente acéfalas.

Estes parasitas não gostam da singularidade. Detestam que o telemóvel não toque se estão na presença de alguém. A superfície de tudo é suficiente porque tudo o resto lhes dá muito trabalho. Para eles apenas contam os fins, de resto tudo é válido. A ética é definida no momento e de acordo com o interesse momentaneo. O maior dilema que lhe podemos colocar é obrigarmos a uma tomada de posição. Adoram fazer parte de grandes cardumes, porque é sinal de aceitação e dá-lhes a certeza que vão com o tubarão certo. Tentam sempre navegar em unanimidades, porque é sinal de que estão com a maioria.

Se por azar o tubarão que seguem é comido por outro, rapidamente se colam ao vencedor para garantirem que tornam a participar no cardume correto. Muito raramente uma espécie destas se transforma em tubarão, porque isso vai contra os seus princípios de subserviência, dado que envolve um risco muito grande, o de ter um dia de enfrentar um outro tubarão.

Têm uma grande capacidade de adaptação a situações de oportunismo, diz-se agora, modernamente, que se trata de indivíduos que revelam grande sentido de oportunidade. Não têm qualquer pudor em aceitar fazer um caminho inverso aos seus principios, até porque estes são muito flexiveis, no meu entender, demasiado.

Os seus objectivos são imediatistas ou de curto prazo, o que na maioria das vezes dá uma enganosa ilusão de avanço, mas que na verdade representam a médio prazo um retrocesso com consequências negativas. É por este motivo que das rémoras humanas só podemos esperar estagnação e mediocridade.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Zé do Telhado


Quando era criança, em muitas viagens que fiz à terra de meu pai, Marco de Canavezes, sempre que passávamos em Mouriz, próximo de Paredes, víamos uma casa estranha feita em madeira, pintada de preto e branco. Meu pai dizia-me que ali havia vivido um salteador do sec. XIX, a quem chamavam Zé do Telhado e contou-me a sua história lendária.

Ficou famoso como o “Robin dos Bosques” português. Era o chefe de uma quadrilha de assaltantes que atuava na zona do Marão. Contava-se que assaltava casas e carruagens de pessoas abastadas e depois dividia os roubos com os mais pobres da região.

Chamava-se José Teixeira da Silva, nasceu em Recesinhos, Penafiel, no ano de 1818. De origens humildes, aos 14 anos foi viver com um tio para apreender o ofício de capador. Apaixona-se pela sua prima Ana Lentina, mas o tio não autoriza a relação.

Aos 18 anos alista-se no exército, inicia a carreira militar nos Lanceiros da Rainha, na Ajuda.

Combate contra os Setembristas, pela restauração da Carta Constitucional, mas são derrotados e em 1837 refugia-se em Espanha. Quando regressa, finalmente casa-se com a sua prima. Envolve-se no grupo que se opõe à política anticlerical do governo de Costa Cabral, torna-se um dos líderes da Revolta da Maria da Fonte.

O General Sá da Bandeira, que aderiu ao movimento, eleva-o ao posto de sargento. Teixeira da Silva distingue-se em vários combates e recebe a “Ordem militar de Torre e Espada”, a mais alta condecoração militar que vigora em Portugal. Mas a sua glória dura pouco. A sua fação cai em desgraça, é desmantelada e é expulso do exército.

As dificuldades financeiras que vive com uma família de 5 filhos, impelem-no para uma vida de crime. Nasce então o lendário "Zé do Telhado", líder de uma quadrilha que realiza um grande número de assaltos por todo o norte do país durante um período muito conturbado que coincidiu com a época de maior resistência de D. Miguel, no exílio com seu governo; os seus partidários miguelistas formaram grupos de guerrilha em todo o país.

A sua vida de bandido começou em 1851, no entanto em 1849 participou num assalto a uma casa de um lavrador rico em Macieira, Lousada. Depois deste assalto foi para o Brasil com o intuito de enriquecer, mas vida por lá não lhe correu da melhor maneira e acabou por voltar a Portugal sem nada. Como não conseguiu obter riqueza pela via lícita optou pela marginalidade.

No ano de 1852 José Teixeira da Silva já conhecido pelas autoridades devido aos seus assaltos a casas de cidadãos abastados. Durante 7 anos atuou por aquelas terras, escondendo-se na serra do Marão.

Conta-se na região que Zé do Telhado dividia o produto dos seus assaltos pelas pessoas pobres da zona. Claro que eram as próprias populações que muitas vezes davam guarida ao seu bando. Contam que uma vez um padre se recusou a celebrar um casamento por falta de pagamento. Zé do Telhado obrigou-o a realizar a cerimónia.

Em 1859 José Teixeira da Silva foi preso quando tentava fugir para o Brasil.

Durante o tempo que esteve preso na cadeia da relação, Zé do Telhado partilhou a sua cela com Camilo Castelo Branco. Camilo transformou-o num autêntico Robin dos Bosques e integrou-o nas suas “ Memórias do Cárcere “.

Zé do telhado foi acusado de 11 crimes. Acabou condenado aquinze anos de degredo em África.

Em Angola viveu em Malange, tornou-se um próspero comerciante de borracha, cera e marfim. Voltou a casar-se e teve mais 3 filhos. Morreu em 1875, aos 57 anos, vítima de varíola.

Tivesse este personagem nascido americano e Hollywood já o teria transformado num franchising com 7 ou 8 sequelas...

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Livro: A imortalidade - Milan Kundera

Publicado em 1990.

Em A Imortalidade somos confrontados com a futilidade das coisas pequenas, mesquinhas e inúteis. As fugas ao quotidiano representam a busca da imortalidade.

Os personagens parecem perdidos nas suas existencias, como que deslocados no tempo e no espaço. Lutam para que a sua memória permaneça entre os vivos depois da sua morte.

Penso tratar-se de uma abordagem existencialista da vida.

Recomendo a leitura, Milan Kundera é um dos maiores autores do nosso tempo.

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Livro: A insustentável leveza do ser - Milan Kundera


                                                                                    Publicado em 1984.

"A insustentável leveza do ser" é obra-prima de Milan Kundera e possivelmente um dos melhores romances do séc. XX.

Kundera escreveu: "A vida é como uma peça de teatro, mas sem ensaio geral; quando entramos em palco já estamos a actuar de uma forma unica, sem possibilidade de corrigir".

É um livro absolutamente brilhante. Os personagens são complexos numa realidade politica tensa que era a cidade de Praga em 1968, nos tempos da guerra fria, o erotismo das relações realça a permanência da condição humana.

Uma obra obrigatória.

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Estou "abasurdido"



Não é meu costume comentar questões do dia-a-dia. O principal motivo é a quantidade de comentadores que atualmente temos na nossa praça, todos eles pessoas altamente qualificadas, arregimentadas e muitas vezes bem pagas, para o efeito.

Eu, como pessoa anónima nesta multidão de senso comum, não passo de um mero agente do raciocínio básico da gente comum deste país.

Como estava a dizer, não é meu costume comentar temas atuais, mas neste momento sinto-me completamente "abasurdido" com o que se passa com a PT.

Vejam bem.

A especulação financeira, mais uma vez destrói uma empresa de referência no nosso país. A CMVM assiste ao desmoronamento da empresa e não bloqueia as transações em “short selling”, é um tipo de operação que serve para proteger os pequenos acionistas quando as variações são acima dos 10%. Ora a PT chegou a cair 28%. Activaram a suspensão no dia seguinte, quando o pior já havia passado.

A consultora Morgan & Stanley é conselheira da potencial compradora, a francesa Altice. Acontece que foi a própria consultora que fez uma recomendação negativa ao mercado, o que provocou uma queda abrupta dos títulos. Ou seja, a potencial compradora tem aqui uma excelente ajuda para comprar barato. Ninguém investiga o conflito de interesses?

Zeinal Bava, que era tido como um guru das telecomunicações, sob a sua gestão, assistiu à criação de um buraco nas contas da PT de 900 milhões de Euros. A PT no espaço de 1 ano perdeu cerca de 70% do seu valor no mercado.

A OI que seria a principal interessada no sucesso da PT, após o escândalo das aplicações no Grupo BES, perdeu cerca de 72% do seu valor em mercado. Mas Bava, o CEO da PT vai receber cerca de 5 M€ de prémio pela desvinculação contratual. Mais ou menos o que a PT gasta com 3.300 funcionários num mês.

Há aqui algo que não bate certo. Premeia-se um quadro pela sua incompetência? De onde saiu a verba? Decerto sai do balanço da PT, não da consolidação com a OI...

Ninguém pára esta delinquência financeira?

Estou completamente "abasurdido".

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Arthur Schopenhauer


Muito embora não partilhe da sua visão crua e ácida da vida, sou admirador da sua aguda inteligência. Hoje conto-vos quem foi Arthur Schopenhauer.
Foi um filósofo alemão do século XIX. Nasceu em Danzig, na Prussia, 22 de Fevereiro 1788 e morreu em Frankfurt a 21 de Setembro 1860.

Foi um pessimista na sua visão do mundo. Segundo ele, a vontade é a força fundamental da Natureza. A vontade é infinita e traz com ela a característica da insaciabilidade, condição conflituosa que provoca dor e sofrimento no homem.

A relação difícil com a sua mãe marcou muito a sua personalidade, mas permitiu-lhe conhecer intelectuais como Goethe (1749-1832), que frequentavam a sua casa em Weimar, centro da vida cultural alemã na época. Graças à herança que recebeu do pai pôde viver sua vida de solteiro com relativo conforto e inteiramente entregue ao seu trabalho intelectual.

Para Schopenhauer, o mundo é uma representação individual. Nas suas próprias palavras: “O mundo é a minha representação: eis uma verdade que vale para cada ser vivo, mesmo que apenas o homem seja capaz de a entender na sua consciência reflexa e abstrata; e quando ele verdadeiramente o faz, a meditação filosófica nele penetrou”.

Escreveu sobre a relação entre sonhos e realidade. Para ele, seria impossível distinguir as duas condições. A vida seria um sonho muito longo interrompido durante a noite por outros sonhos curtos. “Nós temos sonhos; não será toda a vida um sonho? Mais precisamente: existe um critério seguro para distinguir o sonho da realidade, os fantasmas e os objetos reais?”. Perguntava Schopenhauer.

Segundo ele, nosso instinto de sobrevivência é cego. Mesmo sabendo que o que nos aguarda é a morte certa, nós continuamos na busca da sobrevivência. Nas suas palavras, os instintos: “São dessa forma os esforços e os desejos humanos que nos fazem vibrar diante da sua realização como se fossem o fim último da nossa vontade; mas depois de satisfeitos mudam de fisionomia”. Assim, diz que “o Eu é a própria vontade de viver”.

De acordo com Schopenhauer, o amor é apenas um truque da natureza na tentativa de preservar a espécie humana. Sendo este mundo um vale de lágrimas, a natureza ligou o orgasmo ao acasalamento, assim, no ato sexual consegue-se eliminar a culpa do ser humano quando nasce um novo espécime.

Notem bem a discrição de Schopenhauer: “ (...) todo enamoramento, depois do gozo finalmente alcançado, experimenta uma estranha desilusão e se surpreende de que aquilo que tão ardentemente desejou não ofereça nada mais do que qualquer outra satisfação sexual (...) ”.

Na sua obra observa-se a negação da vontade de viver. Ele indica a fuga da realidade com silêncio, jejum, castidade e uma renúncia sistemática de tudo que é real; como forma de atingir a felicidade plena (o Nirvana).

Com sua personalidade forte e palavras amargas sobre o filósofo Hegel, ganhou antipatia no mundo académico. Schopenhauer chegou a dizer que Hegel era um “charlatão de mente obtusa, banal, nauseabundo, iletrado”. Outro motivo que provavelmente foi crucial para seu insucesso foi a audácia de abrir sua filosofia aos pensamentos orientais. Schopenhauer foi o primeiro pensador ocidental a fazer isto, agregou ensinamentos do Budismo e do Hinduísmo em seus estudos.

Só obteve reconhecimento nos seus últimos dias com a publicação do livro “Parerga e Paralipomena”, uma compilação de aforismos escritos de maneira cativante e popular.

Sua obra teve grande influência em Freud e Nietzche, que o alcunhou de “cavaleiro solitário”.

Schopenhauer morreu aos 72 anos vítima de uma pneumonia.


quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Livro: Equador - Miguel Sousa Tavares

Publicado em 2003.

Equador é um romance onde a ficção se mistura com factos históricos, decorre no início do século XX, nos últimos anos da monarquia portuguesa.

O livro coloca-nos em contacto com a sociedade daquela época e seus costumes e com o trabalho escravo que prevalecia em algumas colónias mesmo após a abolição da escravatura.

É um retrato brilhante da sociedade portuguesa nos últimos dias da Monarquia, que traça um paralelo entre os serões mundanos da capital e o ambiente duro e retrógrado das colónias. Um enredo excelente com uma escrita competente.

Recomendo a leitura.

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Os novos bancos da Islândia

Bem sei que é uma realidade bem diferente da nossa, mas não vem mal ao país se soubermos que existem outras realidades no mundo. Baseado em alguma informação que compilei, vou falar de uma forma muito sucinta e nada técnica, acerca da banca na Islândia.

Resultado da crise do “sub-prime” nos EUA, em outubro de 2008, a Islândia foi atingida de uma forma devastadora, os seus três maiores bancos entraram em colapso. A maior falência foi a do Kaupthing, que em dado momento, tinha um volume de ativos quatro vezes superior ao PIB do país. Em dezembro, quatro ex-executivos do Kaupthing foram condenados a penas de prisão efetiva.

O governo assumiu o comando dos bancos, administrando-os com um plano de emergência. Criou sociedades financeiras para gestão dos ativos tóxicos (fruto de hipotecas de alto risco e os empréstimos corporativos).

A primeira tarefa dos bancos foi a reestruturação dos empréstimos concedidos a empresas e famílias que não tinham condições para cumprir. No âmbito dessa medida, o governo aprovou uma lei geral a impor que os empréstimos fossem reduzidos para o máximo de 110% do valor do imóvel financiado.

O Landsbankinn foi mais longe, lançou uma campanha para reduzir as dívidas de qualquer empresa ou família que se encontrasse em dificuldade para cumprir. Esta iniciativa pressionou os outros bancos a fazerem esforços semelhantes na reestruturação dos passivos dos seus clientes.

Claro que não há bela sem senão. Atualmente as empresas e consumidores que pretendem mais crédito estão a ter dificuldades adicionais dada a contração que se verifica na concessão de crédito por parte dos bancos e da falta de acesso a investidores estrangeiros. Hoje em dia a economia islandesa baseia-se em ativos reais, a alavancagem provocada por capitais especulativos é praticamente inexistente.

Por exemplo, nos primeiros nove meses do ano passado, os novos empréstimos feitos pelo Landsbankinn a empresas e famílias chegaram a apenas 0,8% dos empréstimos feitos no ano inteiro de 2006 (antes da crise de 2008).

Na Islândia, a crise foi atribuída quase exclusivamente ao setor financeiro do país. Os bancos islandeses tinham acumulado dívidas enormes para apostar em ativos especulativos, criando uma teia de empréstimos cujos beneficiários eram eles próprios. Claro que não conseguiram liquidá-los e entraram em falência. Todos os altos executivos da banca falida, foram demitidos.

O governo islandês submeteu por duas vezes a referendo, a decisão de assumir as dívidas dos bancos ao exterior, o povo islandês recusou e as dividas aos bancos estrangeiros não foram liquidadas.
O governo instituiu uma lei a proibir o pagamento de bônus aos quadros superiores que ultrapassassem 25% dos salários base. Até hoje nenhum dos bancos pagou qualquer bônus. “Somos um banco novo, com uma nova ética comercial e uma nova maneira de trabalhar”, disse Steinthor Palsson, CEO do Landsbankinn, o maior dos novos bancos islandeses.

A reestruturação do setor financeiro e as medidas do governo para proteger a moeda relançaram o crescimento econômico e levaram o desemprego a cair de 19% (no ano seguinte às falências) para 5,6%.

Ainda é cedo para concluir que é um sucesso, mas a Islândia continua no seu caminho revolucionário, sem deixar de acreditar na iniciativa privada e numa economia de mercado com regras.


domingo, 12 de outubro de 2014

Sinfonia Patética

Como disse o maestro Vitorino D'Almeida, "A música de Tchaikovsky é uma busca de sublimação que transforma a mesquinhez em grandeza e a cobardia em brado de emoção heroica".

A 5ª sinfonia de Piotr Tchaikovsky sempre foi a minha companhia nos dias de estudo. A sua melodia calma e triste embalava o meu mergulho nos livros. Foi o meu primeiro contacto com a sua música.

Mas hoje não é sobre a quinta que vos vou falar, mas sim sobre a sexta sinfonia de Tchaikovsky, mais conhecida por “Sinfonia Patética”.

Foi composta entre Fevereiro e Agosto de 1893. O título da obra tem origem na palavra grega “Pathos” que significa paixão, excesso, catástrofe, passividade e sofrimento. Quando a Sinfonia estava para ser editada o autor enviou uma carta para o seu editor dizendo que queria colocar também uma pequena dedicatória “Para Vladimir Davidov, composto por P.T”, o editor ignorou o pedido.

A sinfonia é sombria, a sua temática é envolta em tristeza e desilusão, acompanhada de esperança e de uma felicidade maculada, mas o desespero sobrepõe-se e parece conduzir à morte. Muitos críticos afirmam tratar-se de uma obra autobiográfica.

A estreia, que foi dirigida pelo próprio compositor, teve uma recepção muito fria tanto quer dos músicos quer da plateia. Era muito diferente das formas tradicionais da época, quebrou alguns conceitos comuns e parte do público não gostou do final da sinfonia, considerando-a “inacabada”.

A decepção da estreia ficou a dever-se também ao temperamento de Tchaikovsky, o seu humor delicado e sua dramática insegurança foram afetados pela frieza inicial dos músicos de São Petersburgo, deixando-o deprimido.

A 6 de Novembro de 1893 Piotr Tchaikovsky morre, 9 dias depois da primeira apresentação da sua “Sinfonia Patética”.

Na época em que Tchaikovsky morreu, havia um surto de cólera na cidade de S. Petersburgo, mesmo sendo avisado, fez questão de beber um copo de água que não tinha sido fervido. De início os seus amigos mais próximos e principalmente seu irmão Modest, afirmaram que foi um acidente, mas isso não evitou que surgissem rumores. “Como é que um homem tão inteligente pode fazer uma coisa destas?”, "Ele quis acabar com a vida?", "Ele estava em depressão?", "Porque recusou consultar um médico?", "Seria a sua Sinfonia n.6 seu próprio réquiem ou até mesmo uma mensagem suicida?”.

Algumas coincidências fizeram com que a teoria do suicídio ganhasse força. Além do compositor se preocupar em organizar documentos, rever partituras e destruir gravações pessoais, nos últimos dias antes de sua morte, também estava numa fase em que começava a aceitar a sua homossexualidade com seu sobrinho Vladimir Dadidov. No entanto, naquela época a homossexualidade era considerada crime, Tchaikovsky teve receio que tal relação viesse a público.

Durante alguns anos a obra não foi apresentada, porque inicialmente sempre que era tocada algum elemento da orquestra sofria um acidente, corria o boato da sua maldição.

Deixo-vos a "Sinfonia Patética" para que possam avaliar.



sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Livro: A lua e as fogueiras - Cesare Pavese


Publicado originalmente em 1950, 'A lua e as fogueiras' é o último romance de Cesare Pavese, que se suicidou nesse mesmo ano.

Neste romance, o personagem central retorna rico à vila de Santo Stefano Belbo, de onde partiu ainda jovem para a América.

Numa paisagem em que, aparentemente, nada mudou, encontra tudo transformado. Não só pela passagem do tempo e pelas transformações históricas, mas, principalmente, porque ele próprio mudou.

A narrativa demonstra que a busca da identidade não se resolve com o retorno do protagonista à sua terra natal. É uma historia práticamente autobiográfica e Pavese situa-a em Santo Stefano, terra onde nasceu.

Um romance intimista mas de cariz politico, o relato das relações sociais de uma vila rural.

Brilhante, a lêr sem duvida.

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Pessoas felizes sem sexo



Algumas pessoas afirmam não sentir qualquer desejo sexual por qualquer individuo, quer sejam do sexo oposto ou não. Em 2004 o Prof. Anthony Boagaert da Universidade Canadiana de Brock, estimou que os assexuados representam cerca de 1% da população mundial.

Entende-se por “assexuado”: desprovido de desejo sexual, ausência de desejo sexual. A partir disso, podemos entender que uma pessoa assexuada é aquela que não apresenta vontade alguma de realizar qualquer acto sexual, seja em relação ou não ao sexo oposto. Porém, é necessário diferenciar a assexualidade do celibato.

O celibato é uma abstinência deliberada da atividade sexual. Ou seja, o indivíduo em questão opta pela privação da intimidade sexual, mesmo que ainda possua o desejo. Os assexuados, não tomam tal decisão, simplesmente não possuem desejo sexual, e muito menos se importam com isso.É importante realçar que a assexualidade não tem nada a ver com castidade, com disfunção sexual ou moralidade.

Atualmente os especialistas tentam compreender este fenómeno. Muitos defendem que não se trata de uma patologia, mas de uma orientação sexual legítima. Se não causa angústia, não deve ser entendido como um distúrbio emocional ou médico. Outros afirmam tratar-se de um distúrbio de hipo-atividade sexual, ou mesmo de aversão sexual.

Alguns indivíduos assexuados também não têm qualquer atração romântica. Uma ampla rede de amigos garante-lhes o suporte emocional necessário para não sentir falta de outra pessoa.

A maioria dos assexuados afirma que a realização amorosa advém do carinho, da compaixão, da proximidade, da empatia e da aceitação, sem qualquer necessidade gratificação sexual.

Num mundo que valoriza cada vez mais a expressão sexual, pode ser difícil imaginar que existam pessoas que se identifiquem como assexuadas, no entanto, isso acontece. A assexualidade é considerada uma orientação sexual tal como heterossexuailidade, homossexualidade e a bissexualidade.

A britânica Jenni Goodchild, de 21 anos, considera-se assexuada por não ter nenhum interesse em sexo, ainda que tenha um namorado. Esta estudante universitária de Oxford afirmou numa entrevista: "Para mim, basicamente, quer dizer que eu não olho para as pessoas e penso 'hmmm, eu gostaria de ter relações sexuais com esta pessoa'. Isso simplesmente não acontece".

Este é o caso de Jenni, que é hetero-romântica e, apesar de não ter nenhum interesse em sexo, ainda sente atração por pessoas do sexo oposto e tem em um relacionamento com Tim, de 22 anos.

Tim, no entanto, não é assexuado (coitado do rapaz). "Muitas pessoas chegam a perguntar se eu não estou a ser egoísta ao mantê-lo nesta relação que não vai satisfazê-lo e dizem que ele devia namorar com alguém como ele, mas ele parece bem feliz, costumo dizer que é ele quem deve decidir isso", diz Jenni.

Segundo Tim, ele está a gostar de passar tempo com Jenni e de conhecê-la melhor. "A primeira vez que Jenni mencionou durante uma conversa que era assexuada, meu primeiro pensamento foi: 'hmmm, isso é um pouco estranho', mas eu sabia que não devia fazer suposições sobre o que isso significava", explica Tim. "Eu nunca fui obcecado por sexo. Eu nunca fui do tipo que tem que sair à noite e encontrar alguém para ter sexo, não estou preocupado com isso."

Este tipo de relacionamentos está em voga e a começar a tornar-se mais comum do que seria de esperar. Podia dissertar uma serie de teorias acerca do que penso sobre isto, mas deixo ao vosso critério.

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

D. Branca, a banqueira do povo


“D. Branca é há 20 anos banqueira privada e recebe milhares de depósitos, incluindo de altas figuras da vida pública. Apoiada por uma vasta rede de angariadores, ela paga infalivelmente 10% de juros todos os meses.”

Foi com esta notícia que o jornal “Tal & Qual” de 3 de Fevereiro de 1984, trouxe a público uma atividade que já era conhecida em privado há mais de 20 anos. Nessa reportagem ela afirmou: “Só quero ajudar os pobres”. A sua história inspirou uma novela produzida pela RTP em 1993, intitulada “A banqueira do povo”.

Maria Branca dos Santos nasceu em Lisboa em 1902. Pouco se sabe acerca das suas origens. Consta que a sua família era extremamente pobre e Branca nunca chegou a completar a instrução primária. No entanto era arguta e com grande apetência para o raciocínio matemático.

Desde cedo, começou a sua prática bancária. Nos anos 50 guardava o dinheiro da venda das varinas de Lisboa ao longo do dia, no final da tarde recebia uma compensação pela guarda dos valores. Era uma pessoa muito considerada, pela sua honestidade. O seu carisma serviu para convencer os vendedores ambulantes a confiarem-lhe os seus valores. A pouca instrução dos seus clientes foi possibilitando à banqueira que começasse a intermediar os depósitos, pagando juros mais elevados que a banca para que as pessoas lhe confiassem as economias. Estes valores, para além de serem utilizados no pagamento dos juros (10%) dos clientes anteriores serviam para financiar outros negócios com juros que poderiam atingir 50%.

D. Branca tinha criado o seu próprio esquema Ponzi (e ela possivelmente nunca ouvira falar). Charles Ponzi criara o esquema em pirâmide nos anos 20, que consistia no pagamento de rendimentos anormalmente altos ("Juros") aos investidores, à custa do dinheiro pago pelos investidores que chegarem posteriormente. Os rendimentos gerados tinham por base a simples circulação dos fluxos financeiros, sem qualquer atividade produtiva (faz lembrar algo, não?).

O esquema funcionou desta forma durante décadas. O sucesso desta operação obrigou-a a estender o negócio a várias zonas do país. Mas a sede era num escritório no bairro de Alvalade, onde as filas de espera de investidores, por vezes chegavam à rua. Inicialmente a colaboração era de familiares e amigos que eram aliciados por comissões muito interessantes. Claro que este crescimento atraiu angariadores menos escrupulosos e começaram a entrara verbas exorbitantes no circuito.

Nesta altura o negócio começa a chamar a atenção das autoridades, que foram sendo controladas durante bastante tempo, à custa de subornos.

Quando a notícia surge no Jornal “Tal & Qual” em 1983, a sua notoriedade torna-se nacional e internacional. O El País e o The Guardian publicam reportagens acerca do tema. De notar que na altura a banca pagava os depósitos a uma taxa de 30% ao ano, D. Branca pagava 10% ao mês. Estas notícias fizeram disparar o negócio de tal maneira que o Banco de Portugal já não podia ignorar a situação.

Hernani Lopes, Governador do BdP na época, veio à televisão alertar as pessoas para o perigo que corriam ao manter as suas poupanças numa operadora não licenciada. Este facto provocou uma corrida aos escritórios da banqueira. Houve colaboradores e alguns clientes a correrem rua fora com sacos de dinheiro, outros menos informados perderam as economias que haviam confiado à banqueira.

Como sempre acontece nestas situações, houve oportunistas que se apropriaram de dinheiro e bens móveis ou imóveis que serviam de garantia a operações em curso. Hoje em dia andam por aí e ninguém sabe quem são.

Em Outubro de 1984, foi finalmente detida. Juntamente com 68 arguidos foram acusados de associação criminosa, múltipla prática de emissão de cheques sem provisão, burla agravada, falsificação e abuso de confiança. O julgamento iniciou-se em 1988, ao fim de 1 ano D. Branca foi condenada a uma pena de 10 anos de prisão, 24 dos arguidos foram absolvidos, todos os outros foram condenados a diversas penas.

Pouco tempo depois do julgamento, e devido ao seu débil estado de saúde, foi-lhe reduzida a pena e saiu em liberdade. Acabou os seus dias num lar da terceira idade, cega e na miséria absoluta. Morreu a 3 de Abril de 1992, foi a enterrar no Cemitério do Alto de S. João e assistiram à cerimonia 5 pessoas.

Não vou fazer qualquer juízo ou analogia, deixo para vós as conclusões.

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Livro: Notícia da cidade Silvestre - Lidia Jorge


O romance foi publicado pela primeira vez em 1984.

Notícia da Cidade Silvestre conta a história de duas mulheres, Anabela Cravo e a narradora Júlia Grei, e da sua luta pela sobrevivência na Lisboa do final dos anos setenta.

Depois da morte do seu marido, Julia está a tentar seguir em frente, sozinha com o seu filho de dez anos. Após ter testemunhado passivamente as implacáveis estratégias usadas pela sua amiga no seu processo de ascensão social, Júlia tenta imitá-la mas acaba por se dar conta de que esse modo de actuar põe em risco os seus entes mais queridos, nomeadamente o seu filho.

Júlia sobrevive a uma relação de amizade potencialmente destruidora. Reconquista a sua autonomia afastando-se de Anabela.

Uma escrita descritiva e envolvente que nos mostra um retrato desencantado das diversas relações e da própria cidade de Lisboa.

O livro a lêr, sem duvida.

O neoliberalismo não é social democracia



O conceito de neoliberalismo surge pela primeira vez em 1938, através do economista alemão Alexander Rustow. É caracterizado pela liberalização, privatização das atividades económicas, comércio livre, mercados abertos, redução dos gastos públicos e defende pouca intervenção do Estado na atividade económica.

A base da teoria neoliberal assenta no próprio liberalismo. Os seus defensores dizem que o termo neoliberal é utilizado pelos seus críticos, não pelos próprios.

John Locke foi o ideólogo do liberalismo no séc. XVII, defendeu o direito à vida, à liberdade e à propriedade. É a partir do direito à propriedade privada que surgem as primeiras teorias económicas liberais.

O escocês Adam Smith, no séc. XVIII, teve um papel pioneiro na formulação de postulados que derivaram para as ideias de hoje. Uma das teorias mais conhecidas é o conceito de “Mão Invisível”, nele, Smith preconiza que o Estado não tem necessidade de regulamentar as relações económicas porque a oferta e a procura ajustam-se automaticamente, sem necessidade de arbitragem.

Durante o séc. XIX a lei de Say tem um papel relevante na argumentação económica dos seus defensores. Jean Baptiste Say postulou que a Oferta de determinado produto, gera procura por outro produto adjacente. Say asseverou: "Se um agricultor tem um boa colheita, esta será boa não só para os agricultores como também para os comerciantes de todos os outros produtos. Nós compramos mais sempre que interagimos mais. Por outro lado quando um negócio ou empreendimento estão debilitados, os outros negócios correlacionados sofrem também."

É a lei de Say que servirá de impulso à Escola Austríaca. Através da teoria dos Ciclos Económicos que explicam que as recessões económicas surgem da falta de ajustamento entre a Oferta e a Procura e não apenas da insuficiência da procura, como defendia Keynes.

Um dos principais pensadores da Escola Austríaca foi Frederich Hayek, prémio Nobel da economia em 1974. Era um crítico da intervenção do estado, defendia que não se pode dissociar a economia dos restantes aspetos da vida humana e como tal não poderia estar sujeita a controle.

Hayek considerava o mercado livre como a fórmula ideal para o progresso das nações. Todo o tipo de controlo retira autonomia ao individuo, cada pessoa deve decidir em cada momento o que é melhor para si. As ideias eram levadas ao extremo por oposição aos modelos socialistas que na altura estavam muito em voga. Em 1944 publicou a sua obra mais famosa “O caminho da servidão” que foi um alerta contra a proliferação dos regimes totalitários que então ganhavam preponderância.

Entretanto surge em Chicago a Escola Monetarista, liderada por Milton Friedman, prémio Nobel da economia em 1976. Foi um dos conselheiros económicos do ditador Augusto Pinochet do Chile, para além de Nixon e Reagan.

Friedman defendia todos os principais fundamentos do liberalismo: participação mínima do Estado na economia, livre concorrência de mercado, redução de impostos e a desregulamentação dos mercados de capitais.

Uma das suas maiores admiradoras foi Margaret Thatcher que pôs em prática muitas das suas ideias. Recordo aqui uma delas: No início dos anos setenta Thatcher havia sido indigitada ministra da educação. Tinha de reduzir as despesas no seu ministério. Uma das primeiras medidas que tomou foi mandar retirar a entrega de leite nas escolas primárias britânicas, iniciativa de que a Inglaterra se orgulhava de ser pioneira.

Ora todas estas ideias já foram testadas em vários momentos e em diversos Estados. Arrisco-me a dizer que em todas elas os resultados foram desastrosos. É um sistema que com a ajuda da globalização privilegia os mais poderosos, sejam estados, empresas ou pessoas. A hegemonia dos mais ricos provoca um fosso em relação aos mais pobres. A justiça social esbate-se.

Inicialmente costuma verificar-se um choque económico que cria grandes bolsas de pobreza por via do aumento de falências, desemprego, quebra nos salários, etc. (Lembrar anos 70).

Numa segunda fase instala-se um clima de relativo progresso, porque o incentivo provocado pelo alívio fiscal e os salários baixos alavancam o investimento. Nesta altura as taxas de crescimento sobem, os níveis de desemprego descem e a surge um aprazível bem-estar social (Lembrar anos 90).

É partir deste nível, que normalmente é fugaz, que surgem as crises económicas. Esta volatilidade tem a sua origem no fator mais aleatório que realmente controla os mercados: o capital.

A redução na velocidade de circulação monetária, fica a dever-se ao excesso de acumulação de capitais meramente especulativos em atividades não produtivas ou em paraísos fiscais sem regulamentação. Vem ao de cima a natureza canibal das organizações. As multinacionais vão absorvendo concorrentes paulatinamente, até ao ponto da livre concorrência ser aparente (veja-se o caso da energia ou das comunicações). Isto acontece porque se protegem em conglomerados complexos e em negociações secretas inexpugnáveis para os reguladores,que haviam sido previamente enfraquecidos ou neutralizados. (Lembrar a crise 2008).

Advém daqui o começo de um ciclo económico adverso que normalmente é bem mais longo que o ciclo positivo. (Lembro a atualidade). Ou seja, o retorno à primeira fase, mas agravada com a perda de direitos sociais.

Abordei este tema apenas para esclarecer alguns iluminados que se dizem sociais-democratas, mas que no fundo não passam de neoliberais não assumidos.

Continuam a ocorrer os colapsos financeiros provocados pela falta de regulação, ainda há pouco os mercados provocaram o pânico, com os casos do Lehman Brothers, o caso Madoff, o caso Espírito Santo e outros e os abutres continuam a cheirar as presas.



domingo, 5 de outubro de 2014

KKK


O Ku Klux Klan surgiu pela primeira vez depois a Guerra Civil americana, no Tennessee, terá sido em 1866, fundado por um grupo de oficiais veteranos do exército sulista, liderados pelo General Nathan Forrest.

No início declararam-se como um grupo defensor dos direitos dos proprietários brancos dos estados do sul. Opunham-se à integração social dos negros recentemente libertados da escravatura.

A violência era direcionada aos afro-americanos. Perseguiam os negros e em tempo de votação, por incrível que pareça, obrigavam-nos a votarem no partido Democrata. Chegaram a executar a tiro, ou por enforcamento negros, apenas porque eram negros. Os brancos que lhes davam apoio, como por exemplo os professores, eram também perseguidos, porque, para eles era inaceitável que os negros tivessem acesso à educação. Em 1872 são declarados como um grupo terrorista e são banidos.

Em 1915, em Atlanta é criado um novo Ku Klux Klan por William Simmons. Agrupava pessoas brancas e protestantes que se dedicavam a proclamar a sua supremacia em relação aos católicos, negros, asiáticos e judeus. Nos anos 20 chegaram a ter 4 milhões de membros. Após a Grande Depressão e a Segunda Guerra a sua popularidade decresceu.

Durante muitos anos vestiram-se de branco e com capuzes que ocultavam as identidades dos seus membros. Após a proibição federal na utilização de mascaras, exceto no dia de Carnaval e no Halloween, o grupo foi perdendo adeptos e membros.

Contam com cerca de 5.000 divididos em 40 frações autónomas. A partir de 2006 notou-se um novo recrudescimento na atividade do KKK, com a eleição de novos “perigos para a sociedade”: o casamento de homosexuais e a imigração. Aproveitaram-se de uma certa quebra nos grupos neo-nazis para alavancar o seu crescimento em torno dos medos propalados por estas realidades.

Com o agravamento das tensões provocadas pelos grupos terroristas islâmicos, a nação branca parece estar de novo a ganhar popularidade nos Estados Unidos, atualizando os seus alvos. Avizinham-se novos crimes perpetrados por este grupo racista.


sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Panteras cor de rosa


O grupo já realizou cerca de 340 roubos em 35 países desde 1999. Essa atuação internacional obrigou a Interpol a intervir, criando uma equipa dedicada exclusivamente ao gangue para coordenar as operações policiais.

Calcula-se que os prejuízos causados pelo grupo totalizam 400 milhões de dólares. A maior fatia deste montante provém dos roubos realizados em julho de 2013 nas joalharias de luxo de Cannes e Nice, que somaram 136 milhões de dólares e se transformaram no maior roubo de joias da história de França.

No Japão o grupo bateu outro recorde. Em março de 2004 dois indivíduos de peruca entraram numa joalharia de luxo em Tóquio, imobilizaram um funcionário com spray de pimenta e roubaram um grande número de joias, incluindo um colar de diamantes no valor de 27 milhões de dólares. Foi o maior assalto do Japão.

Em abril de 2007 no Dubai, dois Audi entraram no centro comercial Wafi e um deles embateu na vitrina de uma joalharia, rapidamente três homens mascarados saíram com armas e martelos. Em apenas 3 minutos roubaram joias no valor de 3,5 milhões de dólares e fugiram.

O nome do grupo “Panteras Cor-De-Rosa” nasceu após a captura de um dos seus membros: Milan Jovetic. O seu grupo tinha roubado 30 milhões de dólares em diamantes da Graff Diamonds, localizada na New Bond Street de Londres.

A Scotland Yard identificou-o e capturou-o poucos dias depois. Para ocultar o produto do roubo, Milan havia tentado esconder um anel avaliado em um milhão de dólares no creme facial da sua namorada. Este era o mesmo método utilizado pelo ladrão do filme A Pantera Cor-De-Rosa, interpretado Peter Sellers na década de 1960.

Ficou preso cerca de 5 anos e voltou a Montenegro, onde se encontram a maioria dos membros da organização. O grupo é composto por 600 membros, atuam em células separadas, mas partilham métodos, contactos e origens.

Já foram presos 189, mas os “panteras” obedecem a um pacto de silêncio que as autoridades ainda não conseguiram romper. Todos eles têm formação militar e são ex-combatentes da guerra dos Balcãs. Supõe-se que o núcleo central do grupo é composto por cerca de 40 pessoas. Pensa-se que atualmente muitos deles já não estão ativos e desfrutam dos rendimentos.

As joias raramente são recuperadas. Depois de atravessar as fronteiras, são reduzidas e recolocadas à venda com certificados falsos, ou são utilizadas como moeda de troca no mercado negro.

O grupo nunca feriu alguém e alega que rouba apenas os ricos. Os métodos espetaculares, dignos da saga 007, representam a sublimação da transgressão e do risco, pelo que despertam uma certa “simpatia popular”.