Tratamento de temas interessantes de uma forma desinteressante. Abordagem inconsequente acerca da consequência das coisas. Tudo será devidamente tratado, mas sem qualquer resolução. Os leigos também têm direito a opinião...

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Arthur Schopenhauer


Muito embora não partilhe da sua visão crua e ácida da vida, sou admirador da sua aguda inteligência. Hoje conto-vos quem foi Arthur Schopenhauer.
Foi um filósofo alemão do século XIX. Nasceu em Danzig, na Prussia, 22 de Fevereiro 1788 e morreu em Frankfurt a 21 de Setembro 1860.

Foi um pessimista na sua visão do mundo. Segundo ele, a vontade é a força fundamental da Natureza. A vontade é infinita e traz com ela a característica da insaciabilidade, condição conflituosa que provoca dor e sofrimento no homem.

A relação difícil com a sua mãe marcou muito a sua personalidade, mas permitiu-lhe conhecer intelectuais como Goethe (1749-1832), que frequentavam a sua casa em Weimar, centro da vida cultural alemã na época. Graças à herança que recebeu do pai pôde viver sua vida de solteiro com relativo conforto e inteiramente entregue ao seu trabalho intelectual.

Para Schopenhauer, o mundo é uma representação individual. Nas suas próprias palavras: “O mundo é a minha representação: eis uma verdade que vale para cada ser vivo, mesmo que apenas o homem seja capaz de a entender na sua consciência reflexa e abstrata; e quando ele verdadeiramente o faz, a meditação filosófica nele penetrou”.

Escreveu sobre a relação entre sonhos e realidade. Para ele, seria impossível distinguir as duas condições. A vida seria um sonho muito longo interrompido durante a noite por outros sonhos curtos. “Nós temos sonhos; não será toda a vida um sonho? Mais precisamente: existe um critério seguro para distinguir o sonho da realidade, os fantasmas e os objetos reais?”. Perguntava Schopenhauer.

Segundo ele, nosso instinto de sobrevivência é cego. Mesmo sabendo que o que nos aguarda é a morte certa, nós continuamos na busca da sobrevivência. Nas suas palavras, os instintos: “São dessa forma os esforços e os desejos humanos que nos fazem vibrar diante da sua realização como se fossem o fim último da nossa vontade; mas depois de satisfeitos mudam de fisionomia”. Assim, diz que “o Eu é a própria vontade de viver”.

De acordo com Schopenhauer, o amor é apenas um truque da natureza na tentativa de preservar a espécie humana. Sendo este mundo um vale de lágrimas, a natureza ligou o orgasmo ao acasalamento, assim, no ato sexual consegue-se eliminar a culpa do ser humano quando nasce um novo espécime.

Notem bem a discrição de Schopenhauer: “ (...) todo enamoramento, depois do gozo finalmente alcançado, experimenta uma estranha desilusão e se surpreende de que aquilo que tão ardentemente desejou não ofereça nada mais do que qualquer outra satisfação sexual (...) ”.

Na sua obra observa-se a negação da vontade de viver. Ele indica a fuga da realidade com silêncio, jejum, castidade e uma renúncia sistemática de tudo que é real; como forma de atingir a felicidade plena (o Nirvana).

Com sua personalidade forte e palavras amargas sobre o filósofo Hegel, ganhou antipatia no mundo académico. Schopenhauer chegou a dizer que Hegel era um “charlatão de mente obtusa, banal, nauseabundo, iletrado”. Outro motivo que provavelmente foi crucial para seu insucesso foi a audácia de abrir sua filosofia aos pensamentos orientais. Schopenhauer foi o primeiro pensador ocidental a fazer isto, agregou ensinamentos do Budismo e do Hinduísmo em seus estudos.

Só obteve reconhecimento nos seus últimos dias com a publicação do livro “Parerga e Paralipomena”, uma compilação de aforismos escritos de maneira cativante e popular.

Sua obra teve grande influência em Freud e Nietzche, que o alcunhou de “cavaleiro solitário”.

Schopenhauer morreu aos 72 anos vítima de uma pneumonia.


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