Tratamento de temas interessantes de uma forma desinteressante. Abordagem inconsequente acerca da consequência das coisas. Tudo será devidamente tratado, mas sem qualquer resolução. Os leigos também têm direito a opinião...

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Os novos bancos da Islândia

Bem sei que é uma realidade bem diferente da nossa, mas não vem mal ao país se soubermos que existem outras realidades no mundo. Baseado em alguma informação que compilei, vou falar de uma forma muito sucinta e nada técnica, acerca da banca na Islândia.

Resultado da crise do “sub-prime” nos EUA, em outubro de 2008, a Islândia foi atingida de uma forma devastadora, os seus três maiores bancos entraram em colapso. A maior falência foi a do Kaupthing, que em dado momento, tinha um volume de ativos quatro vezes superior ao PIB do país. Em dezembro, quatro ex-executivos do Kaupthing foram condenados a penas de prisão efetiva.

O governo assumiu o comando dos bancos, administrando-os com um plano de emergência. Criou sociedades financeiras para gestão dos ativos tóxicos (fruto de hipotecas de alto risco e os empréstimos corporativos).

A primeira tarefa dos bancos foi a reestruturação dos empréstimos concedidos a empresas e famílias que não tinham condições para cumprir. No âmbito dessa medida, o governo aprovou uma lei geral a impor que os empréstimos fossem reduzidos para o máximo de 110% do valor do imóvel financiado.

O Landsbankinn foi mais longe, lançou uma campanha para reduzir as dívidas de qualquer empresa ou família que se encontrasse em dificuldade para cumprir. Esta iniciativa pressionou os outros bancos a fazerem esforços semelhantes na reestruturação dos passivos dos seus clientes.

Claro que não há bela sem senão. Atualmente as empresas e consumidores que pretendem mais crédito estão a ter dificuldades adicionais dada a contração que se verifica na concessão de crédito por parte dos bancos e da falta de acesso a investidores estrangeiros. Hoje em dia a economia islandesa baseia-se em ativos reais, a alavancagem provocada por capitais especulativos é praticamente inexistente.

Por exemplo, nos primeiros nove meses do ano passado, os novos empréstimos feitos pelo Landsbankinn a empresas e famílias chegaram a apenas 0,8% dos empréstimos feitos no ano inteiro de 2006 (antes da crise de 2008).

Na Islândia, a crise foi atribuída quase exclusivamente ao setor financeiro do país. Os bancos islandeses tinham acumulado dívidas enormes para apostar em ativos especulativos, criando uma teia de empréstimos cujos beneficiários eram eles próprios. Claro que não conseguiram liquidá-los e entraram em falência. Todos os altos executivos da banca falida, foram demitidos.

O governo islandês submeteu por duas vezes a referendo, a decisão de assumir as dívidas dos bancos ao exterior, o povo islandês recusou e as dividas aos bancos estrangeiros não foram liquidadas.
O governo instituiu uma lei a proibir o pagamento de bônus aos quadros superiores que ultrapassassem 25% dos salários base. Até hoje nenhum dos bancos pagou qualquer bônus. “Somos um banco novo, com uma nova ética comercial e uma nova maneira de trabalhar”, disse Steinthor Palsson, CEO do Landsbankinn, o maior dos novos bancos islandeses.

A reestruturação do setor financeiro e as medidas do governo para proteger a moeda relançaram o crescimento econômico e levaram o desemprego a cair de 19% (no ano seguinte às falências) para 5,6%.

Ainda é cedo para concluir que é um sucesso, mas a Islândia continua no seu caminho revolucionário, sem deixar de acreditar na iniciativa privada e numa economia de mercado com regras.


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