Tratamento de temas interessantes de uma forma desinteressante. Abordagem inconsequente acerca da consequência das coisas. Tudo será devidamente tratado, mas sem qualquer resolução. Os leigos também têm direito a opinião...

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Perguntas que valem milhares de milhões de Euros



Recentemente durante a apresentação do orçamento de estado para 2015, assisti a alguns membros do nosso governo afirmarem que ao nível da despesa pública, não havia mais custos que eventualmente pudessem ser reduzidos, havíamos chegado ao limiar máximo de contenção da despesa primária. A partir daqui o único caminho seria o de continuar a reduzir as prestações sociais ou o aumento de impostos.

Sendo eu um contribuinte ativo e líquido do erário publico, penso ter o direito a que me sejam respondidas algumas questões.

Em 2011 o Estado português não sabia ao certo quantos organismos públicos existiam. Não havia um inventário geral. Pensava-se que na administração central, local, regional, institutos, fundações e associações públicas, existiriam cerca de 13 740 entidades que se alimentavam do Orçamento do Estado e consumiam cerca de 81 mil milhões de Euros, aproximadamente 48% do PIB.

Qual foi a redução obtida com a reestruturação, fusão ou encerramento destes organismos?

Qual é realmente a situação atual dos organismos que auferem ou dependem de fundos públicos?

Porque será que a oposição não insiste nesta questão?

Porque é que os nossos jornalistas não questionam o nosso governo acerca do ponto de situação desta realidade?

Outro tema em que gostaria de ser esclarecido e que não tem só a ver com a despesa primária, são as amortizações e os juros das PPP.

Sabemos que grande fatia do nosso endividamento se deve às participações público-privadas que foram contratadas no passado recente.

Dado que vivemos uma situação extraordinária, é nas situações extraordinárias que devemos tomar medidas extraordinárias, exatamente como foi feito no congelamento de alguns encargos públicos. Mas claro, aí foi fácil actuar, com os mais fracos não custa nada.

Quanto a este tema ocorrem-me algumas questões:

Que negociação foi feita com os credores?

Quanto representa a poupança conseguida face à divida total?

Porque motivo não foram propostas moratórias sobre as amortizações ou perdão de juros sobre as dividas ?

Porque motivo continuamos a honrar os contratos com credores que entraram em incumprimento com o Estado português?

Porque é que os nossos jornalistas não questionam o nosso governo acerca do ponto de situação desta realidade?

Temos o direito de perguntar, o governo tem o dever de responder. Nunca devemos esquecer que o Estado somos nós, os governos passam, nós ficamos para pagar.
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