Tratamento de temas interessantes de uma forma desinteressante. Abordagem inconsequente acerca da consequência das coisas. Tudo será devidamente tratado, mas sem qualquer resolução. Os leigos também têm direito a opinião...

domingo, 28 de dezembro de 2014

Um conto de Natal


Agora que passou a quadra do Natal apeteceu-me escrever sobre ela. O Natal para mim é um tempo de reunião familiar por opção, não a reunião de obrigação. As junções familiares só porque sim, não resultam.

Quando pessoas que pouco têm comum a não ser que pertencem a determinada família, que durante o ano nem sequer se lembram umas das outras, mas que resolvem encontrar-se uma vez por ano só porque assim deve ser, tem pouco de genuino e mais parece uma reunião anual dos colegas de curso.

Para mim o Natal pouco tem de religioso mas tem muito de coração, respeito muito a tradição e principalmente o ambiente que rodeia as crianças. Olhando os meus filhos, lembro as tardes e serões de Natal da minha infância e adolescência. Recordo a exibição na televisão dos filmes “Musica no coração”, “Alice no país das maravilhas”,”Serenata à chuva”, “O feiticeiro de Oz” e em particular “Conto de Natal” produzido pela BBC, baseado no romance de Charles Dickens. É sobre ele que vos vou falar.

O livro “A Christmas Carol” foi escrito em menos de um mês e foi publicado em 19 de Dezembro de 1843. Dickens precisava urgentemente de dinheiro para pagar dívidas. O livro foi de imediato um sucesso, vendeu 6.000 exemplares na primeira semana.

O personagem principal é um velho avarento de nome Scrooge que detesta o período natalício. Explora o seu empregado Bob, pai de 4 filhos, um deles é deficiente.

Scrooge, num sonho na véspera de Natal recebe a visita do seu sócio Jacob Marley, morto há sete anos. Ele avisa-o que o avarento nunca descansaria em paz se não se tornasse outra pessoa em vida e envia-lhe três espíritos de Natal, o passado, o presente e o futuro.

Os espíritos mostraram-lhe visões dos seus natais felizes quando era criança, do Natal presente afastado de todos e dos natais futuros em que ele surgia sozinho abandonado por todos.

Quando acordou o avarento Scrooge transformou-se, tornou-se outra pessoa e começou a dedicar mais atenção ao seu empregado e principalmente ao menino Tim, o que tinha problemas nas pernas. A celebração do Natal a partir de então é uma festa.

Charles Dickens escreveu o romance em pleno desenvolvimento da revolução industrial. Nele são relatados os contrastes sociais que se vincavam na época. A diferença entre os ricos e os pobres aumentava, a pobreza tornou-se absolutamente corrosiva e Dickens alerta para a perda de valores de uma sociedade que vive separada entre a miséria e o lucro. O Natal surge como palco dessas diferenças.

É interessante como um romance intensamente político tenha atingido tal sucesso junto da generalidade das pessoas e ainda hoje permanece atual.

sábado, 27 de dezembro de 2014

Os órfãos de Roger Waters


Neste Natal o meu filho mais velho ofereceu-me o último álbum dos Pink Floyd.

“The Endless River”, segundo David Gilmour é mesmo o último álbum da mítica banda inglesa.

Apenas o tema “Louder than words” é cantado, todos os outros são instrumentais com grande intervenção de Richard Wright, o teclista falecido em 2008. Aliás o álbum é uma homenagem a Wright.

Antes de tomar a decisão de escrever sobre este tema, ouvi o álbum por quatro vezes em dois dias. Sendo um admirador de longa data da banda, posso dizer que estou decepcionado. Um álbum dos Pink Floyd e ainda por cima sendo o último, obriga a mais.


Não é que o som dos Floyd não esteja lá, mas falta a chama, a genialidade. É um trabalho tristonho mais apropriado a colocar em documentários do National Geographic ou a tocar no lounge de um qualquer hotel.

As manobras de marketing em torno do lançamento, ainda me fazem sentir pior, porque nada do que ouvi me soou a novo, tudo me pareceu desnecessário. Repito que não é um som mau, só que soa a "déjà-vu". Por momentos pensamos em "Dark Side of The Moon" ou em "Echoes", mas muito aquém por não ser fresco.

Já os albuns "The Division Bell" e "A Momentary Lapse of Reason" me haviam parecido distantes dos grandes momentos dos Pink Floyd, mas é claro que faltando Roger Waters, nada pode ser igual. Se David Gilmour e Nick Mason se vão despedir do público com este trabalho é uma pena.

É absolutamente notório que sem o génio criativo de Roger Waters, o som dos Pink Floyd é uma pálida demonstração daquela que terá sido uma das maiores bandas de todos os tempos.

Estes não são os Pink Floyd, são os órfãos de Roger Waters.

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Estou farto de semi-deuses

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irresponsavelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cómico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado

Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.
Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...
Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,
Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?
Então sou só eu que é vil e erróneo nesta terra?
Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

in Poema em linha recta de Álvaro de Campos, heterónimo de Fernando Pessoa,
o maior vulto da literatura de língua portuguesa.

Para refletirmos, olhando para quem nos rodeia...

Sem mais comentários.



domingo, 14 de dezembro de 2014

Roma não paga a traidores


Dos Lusitanos muito pouco resta no Portugal atual, a não ser a nossa auto designação de povo Lusitano e a ténue recordação de Viriato.


Os Lusitanos eram povos de várias tribos que habitavam no oeste e noroeste da Península Ibérica antes destas terras serem conquistadas pelos romanos. Viviam da pastorícia e do cultivo das terras. Eram tribos belicosas permanentemente envolvidas em conflitos por disputas territoriais.

Os romanos foram conquistando a Península, mas quando chegaram aos territórios altos e agrestes ocupados pelos Lusitanos, as dificuldades aumentaram. As tribos haviam-se unido em torno de um líder chamado Viriato.

A biografia de Viriato diluiu-se no tempo. Os dados que chegaram até nós são muito ténues. Viveu durante o sec. II a.C. não sabemos ao certo o seu local de nascimento, terá sido numa zona montanhosa entre os rios Douro e Tejo, zona que corresponde à região da serra da Estrela.

Segundo o historiador romano Diodoro, tornou-se o líder dos Lusitanos em 148 a.C.

Viriato, quando criança e à semelhança de todos os lusitanos, tinha sido pastor. Mais tarde, tornou-se caçador e depois guerreiro.

Em 147 a.C., os lusitanos renderam-se perante as tropas de Caio Vetílio, que os haviam cercado. Mas, Viriato opôs-se terminantemente a essa derrota.Organizou as suas tropas e contra-atacou, acabando por derrotá-los no desfiladeiro de Ronda, na Andaluzia, onde acabaria por matar o próprio Caio Vetílio.

Era um guerreiro temerário, que conhecia muito bem os territórios que defendia. A partir do ano 143 a.C. tornou-se uma verdadeira preocupação para os romanos, dadas as dificuldades que sentiam na progressão da conquista.

A resistência culminou em 140 a.C. numa batalha travada em Erisane, no sul da Península, na região a que hoje chamamos Andaluzia. Com a derrota dos romanos, Viriato conseguiu que fosse celebrado um acordo de paz em que o consul romano para os territórios da Hispânia Ulterior, Máximo Serviliano, reconhecia a independência da Lusitânia.

No ano seguinte Serviliano é substituído por Quinto Servilio Cipião. O acordo foi revogado pelo novo consul para a região. Os combates tornaram a eclodir. Viriato, na tentativa de repor a paz enviou três dos seus homens de confiança, como embaixadores para renegociarem o acordo com Cipião.

Minuros, Audas e Ditalco, foram aliciados por Cipião para matarem Viriato. Aceitaram a missão. Quando regressaram assassinaram-no enquanto dormia.

Depois da morte de Viriato (139 a.C.), o exército lusitano passou a ser comandado por Táutalo Sertório. Mas as tropas lusitanas estavam muito enfraquecidas e sem uma liderança forte, acabaram por ser derrotadas.

Quanto aos traidores, refugiaram-se junto dos romanos após o assassinato de Viriato, reclamando o prémio prometido. No entanto, os romanos ordenaram a sua execução em praça pública, onde os seus corpos ficaram expostos com os dizeres “Roma não paga a traidores”.




segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Roswell

Segundo o relato de um ex-agente da CIA, existe um cofre em Langley, na Virginia, que contém as informações necessárias ao esclarecimento do Caso Rosewell.

Em Julho de 2012 Chase Brandon afirmou ao The Huffington Post:

“Eu vi uma caixa que continha fotografias e informações que provam que o OVNI em Roswell era real. Estava numa área abobadada – havia uma caixa que realmente me chamou a atenção. Tinha escrita uma palavra sobre ela: ROSWELL. Remexi nela, coloquei a caixa na prateleira e disse: “Meu Deus, o resgate do OVNI acidentado realmente aconteceu.” Não foi um balão meteorológico – que foi a desculpa dada às pessoas quando o incidente foi relatado pela primeira vez. Não vou revelar tudo o que vi, mas posso afirmar que deixei de ter dúvidas acerca do Caso Roswell.”

Quando em 8 de Julho de 1947, ocorreu um incidente estranho junto à base aérea de Roswell, no estado do Novo México, as autoridades divulgaram um comunicado à imprensa com o seguinte texto:

“Os muitos rumores sobre um disco voador tornaram-se verdadeiros ontem, quando o oficial de dia do 509º Grupo de Bombardeiros da Força Aérea Americana, com base em Roswell, se apoderou de um disco não identificado.”

No entanto 24 horas depois, o discurso oficial é alterado. Os militares afirmaram que afinal o objeto encontrado se tratava de um balão meteorológico que havia caído num rancho próximo da base. Desta forma o incidente foi abafado por algum tempo.

Em 1950 um agente do FBI, Guy Hottel escreve um memorando em que faz referencia a ter recebido informações de que na realidade, em Roswell foi encontrado o disco voador de forma circular, com cerca de 50 metros de diâmetro. Os corpos alienígenas tinham olhos grandes e eram pequenos, cerca de 95 cm de altura. Os seres estariam vestidos com fatos metálicos muito finos, semelhantes aos usados por pilotos de automóveis de alta velocidade, na altura.

O tenente Walter Haut foi o primeiro-oficial de relações públicas na base em 1947 a ter contacto com o caso e foi o homem que emitiu a nota de imprensa original após o acidente.

Haut morreu em Dezembro de 2005, mas teria deixado um depoimento juramentado para ser aberto após a sua morte. Nesse documento Walter Haut confirma os acontecimentos e descreve a nave e os corpos alienígenas.

O caso contínua por ser confirmado oficialmente, mas a cidade de Roswell agradece que se mantenha o mistério. Este acontecimento é a sua principal fonte de receitas via turismo.

domingo, 7 de dezembro de 2014

A Irlanda e a batata


A agricultura irlandesa nos séculos XVIII e XIX estava muito dependente do cultivo da batata. Era o país com a maior densidade demográfica da Europa, a população rondava os 8 milhões.

Em 1845 um fungo arrasou as colheitas de batata. Os irlandeses dependiam da batata, tal como os chineses dependiam do arroz. Nos dois anos seguintes manteve-se a perda total da produção de batata.

Sem outra alternativa, a população começou a emigrar para a Inglaterra e os Estados Unidos. Em pouco tempo cerca de um milhão e meio de irlandeses embarcaram para uma viagem em que muitos nunca chegaram ao seu destino, mortos por doenças a bordo ou fome e naufrágios.

Neste período as relações com a Inglaterra não eram as melhores. Os irlandeses ansiavam pela independência, a sua identidade católica e republicana não era compatível com a monarquia protestante do Reino Unido.

O governo em Londres inicialmente tentou amenizar a crise irlandesa com algum apoio financeiro e importando milho dos Estados Unidos. Mas era impossível conseguir alimentar milhões de pessoas famintas. Por outro lado os ingleses proprietários das terras, continuavam a exigir as suas rendas anuais aos rendeiros, quem não cumpria era expulso da terra. Esta situação conduziu ao paradoxo de nesta fase a Irlanda, que não tinha como alimentar as famílias residentes na ilha, exportava grandes quantidades de gado e cereais, era a única forma dos rendeiros conseguirem manter as terras. O governo inglês não quis entrar em conflito com os “landlords” e ignorou o problema. Os carregamentos eram enviados por comboio, escoltados por soldados, até aos portos e depois embarcados para Inglaterra.
Em 1846 a situação ainda pirou para os irlandeses com a chegada dos liberais de John Russell ao governo em Londres. O secretário destacado para a Irlanda, Charles Trevelyan foi o mentor da política de não intervenção na crise alimentar da Irlanda. Segundo ele, o povo não podia ficar habituado à dependência do governo: “O julgamento de Deus enviou esta calamidade para ensinar uma lição aos irlandeses”.

O ano de 1847 foi terrível a nível climático. Toda a situação se agravou sem o apoio do estado. As pessoas ficavam caídas à beira das estradas à espera da morte, havia corpos espalhados pelas ruas. Charles Dickens escreveu: “Em vários pontos, as estradas são cemitérios. Os cocheiros já não saem sem encontrar cadáveres pelo caminho e, à noite, passam por cima deles”, Chegaram a verificar-se casos de canibalismo. Os corpos eram enterrados em valas comuns, sem qualquer registo.

A sociedade civil inglesa teve de agir. Organizações como os Quakers, Irish Relief e Rotschild começaram a distribuir sopas pelas populações famintas, mas muitas vezes sob a exigência de assistir a cultos protestantes.

Na primavera de 1847, a fome deixou de ser o único flagelo. Chegaram as epidemias de tifo, escorbuto e disenteria bacilar, além do terrível edema da fome, que se traduz por um inchaço hidrópico dos membros e, em seguida, do corpo. Este flagelo foi ainda mais agressivo do que a fome. Pereceram pessoas de todas as classes, inclusive muitos “landlords” residentes.

A crise irlandesa culminou em 1849, o pior ano de todos. Um surto de cólera dizimou ainda mais a população. Nesse ano a jovem rainha Victória fez uma visita à ilha, na tentativa de apaziguar os impulsos independentistas, mas era tarde demais. A Irlanda não mais aceitaria fazer parte do império britânico, viria a declarar a sua independência em 1916.

A Irlanda nunca se refez completamente daquele trágico acontecimento, consta que durante esse período a população decresceu 30%. Com uma população estimada em 4,5 milhões de habitantes em 2011, a ilha não voltou a atingir a marca de 8 milhões, população anterior à crise de 1845.

Actualmente a Irlanda é um dos países mais prósperos do mundo e sempre na linha da frente no combate à fome, vejamos o exemplo de Bob Geldof e Bono Vox, 2 irlandeses sempre disponíveis em campanhas de luta contra a fome.


sábado, 6 de dezembro de 2014

A campanha porta a porta de Portas


Paulo Portas afirmou recentemente num discurso acalorado para membros do seu partido, que o CDS está preparado para ganhar eleições e governar sozinho. Digo-vos que não é uma afirmação desprovida de sentido, vejamos.

Actualmente em Portugal, O Dr. Paulo Portas é o único verdadeiro animal político que está em liberdade. Sim, porque o principal concorrente está enjaulado. Eu diria que é uma autêntica fera. Reparem bem na sua genialidade politica.

Quando entrou para o partido, o CDS tinha 4 deputados. Era conhecido pelo partido do táxi. O que fez ele? Concentrou toda a dinâmica politica em nichos de mercado bem definidos.

A própria classse dos pracistas, vulgo taxistas, começou a dedicar-lhe particular apoio porque Paulo Portas prometeu que havia de precisar de mais táxis. Eram realmente boas notícias para esta classe profissional. Na verdade, Portas cumpriu. Hoje em dia são necessários 6 táxis para transportar o grupo parlamentar do CDS que tem 24 deputados.

Para que isso fosse possível teve de trabalhar muito. Um exemplo do trabalho bem planeado foi a atenção prestada à classe dos lenhadores. Foram os centristas que licenciaram o abate de milhares de sobreiros que estavam em zona de reserva agrícola e ambiental. Esse espaço é hoje ocupado por uma urbanização com campos de golfe. Logo conquistaram uma série de votos no sindicato dos lenhadores e dos membros do clube de golfe.

Depois preocupou-se em conquistar votos junto da marinha portuguesa e encomendou os submarinos que tanta dor de cabeça lhe têm dado, e que penso, lhe vão dar ainda mais. Mas valeu, porque deve ter conseguido mais uns votos na marinha, pena é que os vendedores dos submarinos alemães não possam votar, e muitos mais conseguiria. Isto para não falar nos banqueiros, mas esses já votavam CDS desde o tempo anterior ao táxi de 4 lugares.

Mais recentemente tem-se dedicado ao ramo imobiliário. No caso concreto da Remax, empresa à qual fez um rasgado elogio, é muito natural que dos seus 3 mil colaboradores uma grande parte venha a votar CDS. Foi um pouco descuidado ao não mencionar os concorrentes Era e Century que também têm um numero apreciável de colaboradores, mas ainda tem tempo para corrigir esse lapso.

O grande golpe final deste génio luso são os chineses. Através dos vistos Gold e das lojas chinesas, se aprender a falar mandarim e conseguir que eles tenham direito a voto, sem dúvida que Paulo Portas pode tornar-se em breve primeiro ministro.

É fiel ao princípio tradicional: grão a grão enche a galinha o papo.

Neste combate porta a porta, Portas pode mesmo vir a ocupar ainda mais táxis. Só tem de dar mais visibilidade a muitos combates que vai travando atrás das portas, pelos corredores e bastidores, que, se o eleitorado soubesse do se trata, muitos mais votos ganharia.

Se falhar este objectivo Paulo Portas, como grande estratega político que é, já tem um plano B. Aluga táxis tipo Smart, para dizer que o partido precisa agora de muitos mais táxis, mesmo que tenha menos deputados.

Ao longo da sua trajectória porta a porta, só lhe observei uma deriva: o período do Paulinho das feiras e dos reformados. Nesta fase correu riscos porque não apostou numa estratégia limitada e de contrapartida directa, optou por um universo mais geral que o poderia ter prejudicado.

Agora anda a piscar o olho ao PS com a reposição dos feriados. Já é o plano C, para apanhar boleia do PS para o governo, caso o resto corra mal...

Espero sinceramente que não venha nenhum juiz ou promotor público, um dia, interromper a carreira política de alguém que tanto tem dado de si em prol do nosso país.