Tratamento de temas interessantes de uma forma desinteressante. Abordagem inconsequente acerca da consequência das coisas. Tudo será devidamente tratado, mas sem qualquer resolução. Os leigos também têm direito a opinião...

sábado, 27 de dezembro de 2014

Os órfãos de Roger Waters


Neste Natal o meu filho mais velho ofereceu-me o último álbum dos Pink Floyd.

“The Endless River”, segundo David Gilmour é mesmo o último álbum da mítica banda inglesa.

Apenas o tema “Louder than words” é cantado, todos os outros são instrumentais com grande intervenção de Richard Wright, o teclista falecido em 2008. Aliás o álbum é uma homenagem a Wright.

Antes de tomar a decisão de escrever sobre este tema, ouvi o álbum por quatro vezes em dois dias. Sendo um admirador de longa data da banda, posso dizer que estou decepcionado. Um álbum dos Pink Floyd e ainda por cima sendo o último, obriga a mais.


Não é que o som dos Floyd não esteja lá, mas falta a chama, a genialidade. É um trabalho tristonho mais apropriado a colocar em documentários do National Geographic ou a tocar no lounge de um qualquer hotel.

As manobras de marketing em torno do lançamento, ainda me fazem sentir pior, porque nada do que ouvi me soou a novo, tudo me pareceu desnecessário. Repito que não é um som mau, só que soa a "déjà-vu". Por momentos pensamos em "Dark Side of The Moon" ou em "Echoes", mas muito aquém por não ser fresco.

Já os albuns "The Division Bell" e "A Momentary Lapse of Reason" me haviam parecido distantes dos grandes momentos dos Pink Floyd, mas é claro que faltando Roger Waters, nada pode ser igual. Se David Gilmour e Nick Mason se vão despedir do público com este trabalho é uma pena.

É absolutamente notório que sem o génio criativo de Roger Waters, o som dos Pink Floyd é uma pálida demonstração daquela que terá sido uma das maiores bandas de todos os tempos.

Estes não são os Pink Floyd, são os órfãos de Roger Waters.

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