Tratamento de temas interessantes de uma forma desinteressante. Abordagem inconsequente acerca da consequência das coisas. Tudo será devidamente tratado, mas sem qualquer resolução. Os leigos também têm direito a opinião...

domingo, 14 de dezembro de 2014

Roma não paga a traidores


Dos Lusitanos muito pouco resta no Portugal atual, a não ser a nossa auto designação de povo Lusitano e a ténue recordação de Viriato.


Os Lusitanos eram povos de várias tribos que habitavam no oeste e noroeste da Península Ibérica antes destas terras serem conquistadas pelos romanos. Viviam da pastorícia e do cultivo das terras. Eram tribos belicosas permanentemente envolvidas em conflitos por disputas territoriais.

Os romanos foram conquistando a Península, mas quando chegaram aos territórios altos e agrestes ocupados pelos Lusitanos, as dificuldades aumentaram. As tribos haviam-se unido em torno de um líder chamado Viriato.

A biografia de Viriato diluiu-se no tempo. Os dados que chegaram até nós são muito ténues. Viveu durante o sec. II a.C. não sabemos ao certo o seu local de nascimento, terá sido numa zona montanhosa entre os rios Douro e Tejo, zona que corresponde à região da serra da Estrela.

Segundo o historiador romano Diodoro, tornou-se o líder dos Lusitanos em 148 a.C.

Viriato, quando criança e à semelhança de todos os lusitanos, tinha sido pastor. Mais tarde, tornou-se caçador e depois guerreiro.

Em 147 a.C., os lusitanos renderam-se perante as tropas de Caio Vetílio, que os haviam cercado. Mas, Viriato opôs-se terminantemente a essa derrota.Organizou as suas tropas e contra-atacou, acabando por derrotá-los no desfiladeiro de Ronda, na Andaluzia, onde acabaria por matar o próprio Caio Vetílio.

Era um guerreiro temerário, que conhecia muito bem os territórios que defendia. A partir do ano 143 a.C. tornou-se uma verdadeira preocupação para os romanos, dadas as dificuldades que sentiam na progressão da conquista.

A resistência culminou em 140 a.C. numa batalha travada em Erisane, no sul da Península, na região a que hoje chamamos Andaluzia. Com a derrota dos romanos, Viriato conseguiu que fosse celebrado um acordo de paz em que o consul romano para os territórios da Hispânia Ulterior, Máximo Serviliano, reconhecia a independência da Lusitânia.

No ano seguinte Serviliano é substituído por Quinto Servilio Cipião. O acordo foi revogado pelo novo consul para a região. Os combates tornaram a eclodir. Viriato, na tentativa de repor a paz enviou três dos seus homens de confiança, como embaixadores para renegociarem o acordo com Cipião.

Minuros, Audas e Ditalco, foram aliciados por Cipião para matarem Viriato. Aceitaram a missão. Quando regressaram assassinaram-no enquanto dormia.

Depois da morte de Viriato (139 a.C.), o exército lusitano passou a ser comandado por Táutalo Sertório. Mas as tropas lusitanas estavam muito enfraquecidas e sem uma liderança forte, acabaram por ser derrotadas.

Quanto aos traidores, refugiaram-se junto dos romanos após o assassinato de Viriato, reclamando o prémio prometido. No entanto, os romanos ordenaram a sua execução em praça pública, onde os seus corpos ficaram expostos com os dizeres “Roma não paga a traidores”.




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