Tratamento de temas interessantes de uma forma desinteressante. Abordagem inconsequente acerca da consequência das coisas. Tudo será devidamente tratado, mas sem qualquer resolução. Os leigos também têm direito a opinião...

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

O assédio sexual não é para todos

Quero, primeiro que tudo, declarar que nunca fui vítima de assédio sexual.

Oiço dizer a tanta gente que tiveram problemas no local de trabalho, porque de uma maneira ou de outra, havia sempre alguém interessado em se aproximar sub-repticiamente ou então declaradamente, no sentido único de obter algum favor sexual em troca.

Pois bem, infelizmente não sei do que se trata, talvez porque não tenha passado por isso. Nas vezes em que estive porventura, muito próximo de que isso realmente me acontecesse, nunca aconteceu.

Para que houvesse alguma forma de assédio em torno da minha pessoa, tive de ser eu a promovê-lo. Quase sempre essas tentativas foram intentadas a expensas próprias e muito raramente correram bem. Posso mesmo dizer que devo ter um saldo devedor.

É por isso muito difícil para mim entender alguém que padece desta obsessão. Eu explico porque se torna difícil esta compreensão.

Esta análise tem a ver com empatia, ou seja a capacidade que temos de nos colocarmos no papel do outro. Ora isto para mim é um problema, porque nunca estive no papel do outro.

Uma vítima, para ser uma verdadeira vitima, não pode colocar-se nessa posição, ou seja uma vítima para ser vítima não pode saber ou sequer adivinhar que um dia será vítima, porque caso contrário, passará a ser o objeto sobre o qual agirá o sujeito agressor, e não há efeito que não tenha a sua consequência.

Daqui nasce a tradicional confusão entre a abordagem forçada e a abordagem consentida.

Eu não sirvo de vítima por que já me pus a jeito e nada aconteceu.

Resta-me apurar por que motivo alguém que não está virado para desempenhar esse papel, se torna protagonista do mesmo, e alguém que sempre sonhou com esse desempenho, nunca foi chamado a assumir o papel da vítima.

Só existe uma explicação lógica para esta lacuna na minha vivência, a falta de sex appeal.


É o sex appeal que justifica a constante vitimização de uns, e a confrangedora exclusão de outros. Não acho justo, porque até tenho trabalhado bastante esse aspecto. Passe um pouco a imodéstia, não sou estúpido e adapto-me bem a situações novas.

Continuo a achar absolutamente injusto, haver alguns, segundo dizem, bastantes, que já foram vítimas de assédio e por várias vezes. E eu que tanto me tenho exposto... Nada.

Por outro lado, dou por mim a pensar: Será que já fui vítima e não dei por isso? Poderemos considerar ser uma tentativa assédio quando uma colega nos pede licença para tirar uma fotocópia e passa à nossa frente só porque é mulher? Convidar-nos para tomar um café e no fim deixar-nos pagar?

Estou confuso e desiludido por não entender porque motivo nada acontece.

É ridícula esta falta de experiência e estar rodeado por gente que viveu situações atrozes.
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