Tratamento de temas interessantes de uma forma desinteressante. Abordagem inconsequente acerca da consequência das coisas. Tudo será devidamente tratado, mas sem qualquer resolução. Os leigos também têm direito a opinião...

sábado, 10 de janeiro de 2015

Schubert, o génio que dormia de óculos


Oiço Schubert há muitos anos. As suas melodias simples e melancólicas que invocam paisagens de Inverno, transportam-me para um bem estar interior pleno de paz.

Schubert morreu em Viena no de 1828, aos 31 anos, sem dinheiro e dependente da ajuda de amigos. Muitos dos que estudaram a vida do compositor acreditam que foi vítima de sífilis.

Conta-se que, pouco antes da sua morte, manifestou seu último desejo: queria ouvir, na cama, o Quarteto nº 14, de Beethoven.

Actualmente não é tão conhecido popularmente como Beethoven. Não obstante, o seu contributo para a música é importantíssimo. Aliás, pode-se considerar a música de Schubert como uma perfeita transição entre os dois compositores. Era herdeiro do classicismo de Mozart, mas tinha já o espírito de renovação que levaria ao romantismo de Beethoven.

Nascido num subúrbio de Viena, em 31 de janeiro de 1797, Schubert foi cantor no Coro da Capela Imperial durante 6 anos. Depois trabalhou como professor de musica na escola primária do pai.

Durou pouco tempo este trabalho. Schubert foi despedido pelo pai, devido à sua indisciplina. Por vezes durante uma aula o jovem compositor escrevia uma composição no caderno de qualquer aluno. Os atritos com o seu pai eram constantes.

Schubert foi morar na casa de amigos, levando uma vida de boémia. Nunca se casou. Na sua única aventura amorosa contraiu a sífilis que mais tarde o levaria à morte prematura. Escrevia música pela manhã, passeava pela tarde e a noite ia para a casa de algum amigo apresentar as novas obras.

A sua vida em Viena não tinha amores fulminantes ou triunfos memoráveis. Foi simples, despretensiosa, preocupado apenas em fazer música. Vivia nas casas dos amigos, tocando esporadicamente, compondo uma ou outra peça por encomenda.

Aos 18 anos, já tinha escrito 203 peças musicais. Ao longo da sua curta vida escreveu cerca de 600 ” lieder”, pequenas peças sobre textos de Shakespeare e Goethe e outros poetas menores.

Chegou a ter grande sucesso com as suas “lieder”, mas o dinheiro auferido pela venda dos seus direitos autorais rapidamente desapareceu. As suas outras grandes obras não tinham o mesmo reconhecimento. Nunca chegou a apresentar publicamente nenhuma das suas sinfonias ou óperas.

Segundo relatos da época, Schubert escrevia como que em transe, em qualquer lugar, a qualquer hora. Mesmo durante a noite dormia de óculos para anotar mais rápido as ideias que tivesse.

As suas sinfonias não chegaram a ser apresentadas durante a vida. O próprio manuscrito da sua mais famosa obra a “Inacabada”, foi encontrado por acaso, 43 anos depois de sua composição.

Escrita em 1822, esta sinfonia é "inacabada" por ter apenas duas partes. Naquela época o usual era que as sinfonias tivessem quatro partes ou movimentos. Hoje é impossível saber porque ficou inacabada. A morte de Schubert, aos 31 anos não foi a causa, pois depois da Inacabada ele ainda escreveu mais uma sinfonia, num total de nove. Também não quis deliberadamente quebrar as regras vigentes. Prova é que chegou a escrever os oito primeiros compassos de um terceiro movimento, mas ficou por aí a obra...

Schubert pouco se importava com o que escrevia. Frequentemente esquecia manuscritos em bancos de jardim, casas de amigos, tavernas ou em qualquer outro lugar.

Embora não tenha realmente sido amado por nenhuma mulher e ter vivido numa pobreza constante, o temperamento de Schubert era sempre lembrado pelos amigos como muito alegre. Não deixa de ser paradoxal o contraste entre a melancolia da sua música e o espírito jovial relatado pelos amigos da época.

Ao contrário de Beethoven que revolucionou os conceitos musicais da época, Schubert respeitou as regras de então, mas sublimou-as a um nível genial, como hoje lhe é reconhecido.
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