Tratamento de temas interessantes de uma forma desinteressante. Abordagem inconsequente acerca da consequência das coisas. Tudo será devidamente tratado, mas sem qualquer resolução. Os leigos também têm direito a opinião...

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Every breath you take ou o hino do perseguidor


Na minha adolescência, os Police foram uma banda marcante. Um dos meus ídolos de sempre, Keith Richards, guitarrista dos Stones, referiu-se a eles numa entrevista nos anos oitenta, como sendo a melhor banda do mundo naquela altura.

O tema mais emblemático e que sempre me acompanhou é “Every breath you take”, ganhou o Grammy Award para a melhor canção do ano 1983.

Durante muitos anos, tal como a generalidade das pessoas, estive convencido de que tratava de uma canção terna de amor. Os versos falavam de uma dedicação eterna à pessoa amada. Era um tema obrigatório nas festas de casamento. Nada mais errôneo:

A Argentina, entre 1976 e 1983 viveu sob uma ditadura militar. Neste período muitas pessoas conotadas com a oposição desapareceram, hoje sabe-se que foram assassinadas pelos militares. Os sucessivos governos tentaram branquear esse passado e a oposição utilizou este tema dos Police em manifestações de protesto.

Sting compôs a canção no célebre hotel GoldenEye na Jamaica em 1982. Contou que numa noite de insónias se levantou de madrugada já tinha na cabeça o refrão, sentou-se ao piano e começou a escrever, em meia hora estava pronta, já não tornou a adormecer. “Nem me apercebi quão sinistra ela era” – confessou mais tarde – “Acho que estava a pensar no Big Brother de Orwell, em vigilância, controle...”

A musa inspiradora do tema foi a sua ex-mulher Frances Tomelty, a primeira esposa da qual tem 2 filhos. Tinham-se separado e Sting não tinha ultrapassado a questão. Mais tarde confessou ter ficado admirado com o sucesso da música. Considerou-a uma das mais simples que havia composto e que a letra nada tinha de terno, nem de politico. Era apenas uma canção que falava de um amor que terminara, mas em que um dos membros não se conformara. De uma forma doentia começa a perseguir a ex-companheira roído pelo ciúme e sentido de posse.

Gordon Sumner (Sting) afirmou: “Acho curioso as pessoas ouvirem este tema num casamento. É uma canção que nasceu de uma experiencia vivida de ciúme e sentido de posse. Eu não iria querer ouvir isso no meu casamento”.

O tema é sinistro, nada tem a ver com harmonia e paz. Fala de um amor possessivo e doentio, ciúme e perseguição.

É irónico que uma canção que durante anos ouvimos e interpretamos de uma determinada forma, afinal representa precisamente o contrário. Aborda um tema tão pouco tratado como o dos “stalkers", pessoas que não se conformam com o terminus de uma relação e assediam o ex-companheiro ou ex-companheira das mais incríveis formas possíveis, levando-as por vezes ao suicido.

Agora sempre que oiço este tema vêm-me à memória vitimas conhecidas deste tipo de paixão obsessiva, doentia e destruidora. As emoções invocadas, agora são completamente diferentes. Aquele que seria um hino ao amor, não é mais do que um hino ao perseguidor.


Every breath you take
Every move you make
Every bond you break
Every step you take

I'll be watching you

Every single day
Every word you say
Every game you play
Every night you stay

I'll be watching you

Oh can't you see
You belong to me
How my poor heart aches
With every step you take

Every move you make
Every vow you break
Every smile you fake
Every claim you stake

I'll be watching you

Since you've gone I've been lost without a trace
I dream at night I can only see your face
I look around but it's you I can't replace
I feel so cold and I long for your embrace
I keep crying baby, baby, please

Oh can't you see
You belong to me
How my poor heart aches
With every step you take

Every move you make
Every vow you break
Every smile you fake
Every claim you stake
I'll be watching you

Every move you make
Every step you take
I'll be watching you

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Alguns clichês

Todos temos a tendência de utilizar “lugares comuns” ou “clichès” que, por princípio, todos entendem para explicar situações ou atitudes que são conhecidas de todos. Mas a questão que coloco é esta: será que todos sabem do que estamos a falar?

Vou dar-vos alguns exemplos de lugares comuns.

O Principio de Peter

“Num sistema hierárquico todo o funcionário tende a ser promovido até ao seu nível de incompetência”

Laurence J. Peter postulou na sua obra de 1969 “The Peter Principle”.

Explicando melhor, segundo Peter alguém que integre numa empresa como estagiário, pode vir a ser promovido a técnico efetivo, dai vai subindo até ser gerente, onde se revelará incompetente. Com isto, sua ascensão finda e esta pessoa ficará estagnada numa função para a qual não tem qualquer competência para exercer.

Mais grave ainda, também observou que nem todos os indivíduos se elevam. Alguns não são promovidos porque se acredita serem indispensáveis no lugar em que estão, ou seja, foram elevados até o nível da "indispensabilidade". Concluiu então que, quando coincidem os níveis de incompetência com o de indispensabilidade de um indivíduo, deparamo-nos com uma anomalia: o incompetente indispensável.

Peter considera que a competência é determinada não por estranhos, mas pelos superiores. Considerando que, se um superior ainda estiver no seu nível de competência, poderá avaliar os subordinados no sentido de lhes obter um desempenho útil de trabalho; mas, se este superior estiver no seu nível de incompetência, procurará manter os subordinados dentro de valores institucionalizados, ou seja, será mais formalista e exigente do cumprimento de regras, rituais e formas estabelecidas. Desta forma ele assegura a manutenção do seu lugar de incompetência.



Os reflexos condicionados de Pavlov

Para Pavlov, aquilo que se denominava por espírito mais não era do que a actividade do cérebro. Dedicou-se, por isso, a estudar profundamente a actividade nervosa superior, estabelecendo um conjunto de leis fisiológicas que acabaram por lhe valer o Prémio Nobel da Medicina em 1904. Concluiu que é no córtex cerebral que se vão formar, modificar e desaparecer os reflexos condicionados.

Pavlov, ao estudar as secreções gástricas dos cães, descobre que sempre que era apresentado um estímulo (comida) eram produzidas secreções (saliva), facto que acontecia de um modo semelhante em todos os elementos de uma espécie animal. São os chamados reflexos inatos ou reacções automáticas naturais, por exemplo: num cão verifica-se a produção de saliva quando é apresentado um alimento, facto que serve para ajudar a ingestão do alimento.

Para além destes reflexos descobriu que se podem desenvolver reflexos aprendidos podendo assim proceder-se a uma alteração dos comportamentos. Os reflexos aprendidos ou condicionados são produzidos pela associação de um estímulo novo (estímulo que não produzia inicialmente nenhuma resposta específica) ao estímulo antigo (que desencadeava o reflexo inato). Por exemplo o cão associa a comida ao seu tratador, logo, quando o vê produz-se saliva.

Concluiu também que este tipo de reflexos é comum ao ser humano.



A lei de Murphy

“Se alguma coisa tem a mais remota hipótese de correr mal, certamente correrá mal”.

O criador desta lei foi o capitão da Força Aérea americana, Edward Murphy. Foi um dos engenheiros envolvidos nos testes sobre os efeitos cardíacos da desaceleração rápida em pilotos de aeronaves.

Para poder fazer essa medição, construiu um equipamento que registava o ritmo cardíaco e a respiração dos pilotos. O aparelho foi instalado por um técnico, mas simplesmente ocorreu um problema e o equipamento não funcionou. Murphy foi chamado para consertar o equipamento, descobriu que a instalação estava toda errada, daí formulou a sua lei.

A partir desta lei foram criadas várias derivadas muito interessantes, alguns exemplos:

. As coisas podem piorar, mas você não tem imaginação suficiente.

. Toda a partícula que voa, encontra um olho.

. As coisas vão piorar antes de melhorar. Quem disse que as coisas vão melhorar?


A síndrome de Peter Pan

Existem indivíduos que se recusam a crescer. A sua personalidade caracteriza-se pela imaturidade psicológica, e o narcisismo. Tratam-se de pessoas irresponsáveis em quase todos os aspetos da vida, rebeldes, que se negam a crescer, dependentes, manipuladoras e que se sentem acima das normas sociais. Estes indivíduos costumam sentir-se insatisfeitos com o que têm, mas nada fazem para resolver a questão. Limitam-se a pedir ou a exigir, como se tudo fosse um direito adquirido.

Resumindo o conceito, estamos a falar de meninos mimados. Está cientificamente demonstrada a grande importância do papel das mães na educação destes rapazolas...


A verdade de La Palice

Diz-se de algo que é tão evidente que se torna redundante destacar.

“Se não estivesse morto, ainda estaria vivo”

Este epitáfio ficou inscrito numa canção composta pelos soldados comandados por Jacques de Chabannes, senhor de La Palice (1470-1525).

O senhor de La Palice era um guerreiro valoroso que foi morto na batalha de Pavia. Os seus soldados em homenagem ao comandante compuseram uma canção ingénua, cujos versos lhe valeram a imortalidade.


Bode expiatório

Diz-se de alguém que arca com as responsabilidades de outros.

A origem da expressão tem a ver com relatos do primeiro testamento. O dia da expiação dos pecados do povo de Israel. Nesse dia eram levados dois bodes para a cerimonia. Um deles era sacrificado, o outro era o bode expiatório. Era abandonado no deserto por ser portador de todos os pecados dos israelitas. Com a sua morte todos os pecados eram expiados.




Testa de ferro

Diz-se de alguém sem qualquer poder, mas que representa outra pessoa ou poder oculto.

A origem da expressão terá sido em Itália com Emanuele Filiberto di Savoia (1528-1580), conhecido como Testa di Ferro, que foi conde de Asti, duque de Saboia, príncipe de Piemonte e conde de Aosta. Foi também rei de Chipre e Jerusalém, mas tratavam-se de cargos fantoches, sem qualquer poder.