Tratamento de temas interessantes de uma forma desinteressante. Abordagem inconsequente acerca da consequência das coisas. Tudo será devidamente tratado, mas sem qualquer resolução. Os leigos também têm direito a opinião...

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Alguns clichês

Todos temos a tendência de utilizar “lugares comuns” ou “clichès” que, por princípio, todos entendem para explicar situações ou atitudes que são conhecidas de todos. Mas a questão que coloco é esta: será que todos sabem do que estamos a falar?

Vou dar-vos alguns exemplos de lugares comuns.

O Principio de Peter

“Num sistema hierárquico todo o funcionário tende a ser promovido até ao seu nível de incompetência”

Laurence J. Peter postulou na sua obra de 1969 “The Peter Principle”.

Explicando melhor, segundo Peter alguém que integre numa empresa como estagiário, pode vir a ser promovido a técnico efetivo, dai vai subindo até ser gerente, onde se revelará incompetente. Com isto, sua ascensão finda e esta pessoa ficará estagnada numa função para a qual não tem qualquer competência para exercer.

Mais grave ainda, também observou que nem todos os indivíduos se elevam. Alguns não são promovidos porque se acredita serem indispensáveis no lugar em que estão, ou seja, foram elevados até o nível da "indispensabilidade". Concluiu então que, quando coincidem os níveis de incompetência com o de indispensabilidade de um indivíduo, deparamo-nos com uma anomalia: o incompetente indispensável.

Peter considera que a competência é determinada não por estranhos, mas pelos superiores. Considerando que, se um superior ainda estiver no seu nível de competência, poderá avaliar os subordinados no sentido de lhes obter um desempenho útil de trabalho; mas, se este superior estiver no seu nível de incompetência, procurará manter os subordinados dentro de valores institucionalizados, ou seja, será mais formalista e exigente do cumprimento de regras, rituais e formas estabelecidas. Desta forma ele assegura a manutenção do seu lugar de incompetência.



Os reflexos condicionados de Pavlov

Para Pavlov, aquilo que se denominava por espírito mais não era do que a actividade do cérebro. Dedicou-se, por isso, a estudar profundamente a actividade nervosa superior, estabelecendo um conjunto de leis fisiológicas que acabaram por lhe valer o Prémio Nobel da Medicina em 1904. Concluiu que é no córtex cerebral que se vão formar, modificar e desaparecer os reflexos condicionados.

Pavlov, ao estudar as secreções gástricas dos cães, descobre que sempre que era apresentado um estímulo (comida) eram produzidas secreções (saliva), facto que acontecia de um modo semelhante em todos os elementos de uma espécie animal. São os chamados reflexos inatos ou reacções automáticas naturais, por exemplo: num cão verifica-se a produção de saliva quando é apresentado um alimento, facto que serve para ajudar a ingestão do alimento.

Para além destes reflexos descobriu que se podem desenvolver reflexos aprendidos podendo assim proceder-se a uma alteração dos comportamentos. Os reflexos aprendidos ou condicionados são produzidos pela associação de um estímulo novo (estímulo que não produzia inicialmente nenhuma resposta específica) ao estímulo antigo (que desencadeava o reflexo inato). Por exemplo o cão associa a comida ao seu tratador, logo, quando o vê produz-se saliva.

Concluiu também que este tipo de reflexos é comum ao ser humano.



A lei de Murphy

“Se alguma coisa tem a mais remota hipótese de correr mal, certamente correrá mal”.

O criador desta lei foi o capitão da Força Aérea americana, Edward Murphy. Foi um dos engenheiros envolvidos nos testes sobre os efeitos cardíacos da desaceleração rápida em pilotos de aeronaves.

Para poder fazer essa medição, construiu um equipamento que registava o ritmo cardíaco e a respiração dos pilotos. O aparelho foi instalado por um técnico, mas simplesmente ocorreu um problema e o equipamento não funcionou. Murphy foi chamado para consertar o equipamento, descobriu que a instalação estava toda errada, daí formulou a sua lei.

A partir desta lei foram criadas várias derivadas muito interessantes, alguns exemplos:

. As coisas podem piorar, mas você não tem imaginação suficiente.

. Toda a partícula que voa, encontra um olho.

. As coisas vão piorar antes de melhorar. Quem disse que as coisas vão melhorar?


A síndrome de Peter Pan

Existem indivíduos que se recusam a crescer. A sua personalidade caracteriza-se pela imaturidade psicológica, e o narcisismo. Tratam-se de pessoas irresponsáveis em quase todos os aspetos da vida, rebeldes, que se negam a crescer, dependentes, manipuladoras e que se sentem acima das normas sociais. Estes indivíduos costumam sentir-se insatisfeitos com o que têm, mas nada fazem para resolver a questão. Limitam-se a pedir ou a exigir, como se tudo fosse um direito adquirido.

Resumindo o conceito, estamos a falar de meninos mimados. Está cientificamente demonstrada a grande importância do papel das mães na educação destes rapazolas...


A verdade de La Palice

Diz-se de algo que é tão evidente que se torna redundante destacar.

“Se não estivesse morto, ainda estaria vivo”

Este epitáfio ficou inscrito numa canção composta pelos soldados comandados por Jacques de Chabannes, senhor de La Palice (1470-1525).

O senhor de La Palice era um guerreiro valoroso que foi morto na batalha de Pavia. Os seus soldados em homenagem ao comandante compuseram uma canção ingénua, cujos versos lhe valeram a imortalidade.


Bode expiatório

Diz-se de alguém que arca com as responsabilidades de outros.

A origem da expressão tem a ver com relatos do primeiro testamento. O dia da expiação dos pecados do povo de Israel. Nesse dia eram levados dois bodes para a cerimonia. Um deles era sacrificado, o outro era o bode expiatório. Era abandonado no deserto por ser portador de todos os pecados dos israelitas. Com a sua morte todos os pecados eram expiados.




Testa de ferro

Diz-se de alguém sem qualquer poder, mas que representa outra pessoa ou poder oculto.

A origem da expressão terá sido em Itália com Emanuele Filiberto di Savoia (1528-1580), conhecido como Testa di Ferro, que foi conde de Asti, duque de Saboia, príncipe de Piemonte e conde de Aosta. Foi também rei de Chipre e Jerusalém, mas tratavam-se de cargos fantoches, sem qualquer poder.

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