Tratamento de temas interessantes de uma forma desinteressante. Abordagem inconsequente acerca da consequência das coisas. Tudo será devidamente tratado, mas sem qualquer resolução. Os leigos também têm direito a opinião...

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

MIA - Sindrome da Mediocridade Inoperante Activa.


“Quando surge um verdadeiro génio no mundo, podemos reconhecê-lo pelo seguinte sinal: todos os medíocres conspiram contra ele.”
Jonathan Swift (1667 – 1745) autor de As Viagens de Gulliver

É verdade que os génios não abundam, normalmente estas características são detidas por pessoas criativas, artistas, cientistas, investigadores, pensadores, gestores, desportistas ou outros. Seria impensável um mundo constituído apenas por génios. Mas são esses que fazem a diferença, é com eles que o mundo progride.

Essas qualidades podem ser inatas ou adquiridas. A maioria de nós, na sua mediania ambiciona atingir níveis de excelência nos vários quadrantes da vida. É a nossa condição natural de tentar alcançar a felicidade e a perfeição.

O valor inverso é a mediocridade. É de notar que não é um factor tão negativo como pode parecer à primeira vista. De facto se todos fôssemos criadores geniais, o mundo seria um caos. Quem se encarregaria das dimensões naturais e normais da nossa vida? Ninguém iria querer trabalhar nas fábricas, recolher o lixo, lavar pratos nos restaurantes, assegurar funções básicas, etc. Deste equilíbrio de valências resulta o quotidiano.

Luís de Rivera, catedrático espanhol de psiquiatria, define assim a mediocridade:

“ A mediocridade é incapacidade para valorizar, apreciar ou admirar a excelência e define-se em 3 graus

1. A mediocridade comum é a forma mais simples e inócua. Os seus sintomas são a hiper-adaptação, a falta de originalidade e uma normalidade tão absoluta que poderia ser considerada patológica: a chamada “normopatia”. Os que a manifestam não têm ponta de criatividade e não sabem distinguir a excelência, mas respeitam as indicações que lhes dão e são consumidores bons e obedientes. O conformismo permite que se sintam razoavelmente felizes.

2. A mediocridade pseudocriativa, acrescenta à anterior uma tendência pretensiosa para imitar os processos criativos normais. Enquanto o medíocre comum não se esforça para além do mínimo exigível, o pseudocriativo sente necessidade de aparentar e ostentar poder. A imagem é tudo para ele, mas, como não distingue o belo do feio, o bom do mau, não mostra inclinação para favorecer progressos de qualquer tipo e incentiva as manobras repetitivas e imitativas.

3. A mediocridade inoperante activa (MIA). Trata-se do mais prejudicial e agressivo, pelo que encaixa no perfil da maioria dos praticantes de assédio.
É esta variante de mediocridade maligna que tem como único objectivo prejudicar o talento alheio e quem se destaca pelos seus méritos. Enquanto as categorias anteriores são simplesmente incapazes de reconhecer o génio, os MIA também se propõem destruí-lo por todos os meios ao seu alcance. O indivíduo afectado por esta síndrome desenvolve uma grande actividade que não é criativa nem produtiva, e possui um enorme desejo de notoriedade e influência. Por isso, tende a infiltrar-se em organizações complexas, nomeadamente as que já se encontram minadas por formas menores de mediocridade, com o objectivo de entorpecer ou aniquilar o progresso dos indivíduos brilhantes.

A mediocridade e o seu oposto, a excelência, surgem ligadas a uma série de características contraditórias: a primeira costuma ter por aliados a inveja, a imitação, o conformismo, a adaptação, a tradição, a inércia e a rotina; a segunda é amiga da admiração, da criatividade, do inconformismo, da rebeldia, da inovação, da curiosidade e da iniciativa."

Deixo-vos a tarefa de enquadramento de cada uma delas no vosso próprio quotidiano e vão decerto chegar à mesma conclusão a que eu próprio cheguei: São muito mais os medíocres do que os outros...
Enviar um comentário