Tratamento de temas interessantes de uma forma desinteressante. Abordagem inconsequente acerca da consequência das coisas. Tudo será devidamente tratado, mas sem qualquer resolução. Os leigos também têm direito a opinião...

domingo, 20 de setembro de 2015

ser ou estar?


E porque escrevo?
Talvez por não saber fazer outra coisa


Talvez porque não tenha inspiração suficiente para ser pragmático
Talvez porque não tenha coragem para gritar,
Saltar, sair e fugir
Então escrevo...

E um dia afasto-me da escrita
Vai-me demonstrando que de nada serve
Ser pragmático é não escrever
É não ser.
Existir é não ser
Porque ser é complexo
Existir é simplesmente estar

Os ingleses não têm razão no verbo to be
Porque ser não é o mesmo que estar.
Ser é muito mais complicado, implica permanência, não é episódico
A escrita é aquilo que permanece no fim quando tudo acaba
É a escrita que nos deixa para sempre vivos
E o que existir deixa de ser, pura e simplesmente desaparece e o ser permanece
Então concluo que escrevo para ser e para deixar de existir.

domingo, 6 de setembro de 2015

Migrantes - ajudar sim, integrar não...



Eu nasci em Angola e vim de lá com os meus pais em 1975, portanto não sou um retornado, sou um refugiado.

As minhas raízes sempre foram lusas, as dificuldades na nova vida não foram diferentes de tantas outras crianças portuguesas, exceptuando talvez, as temperaturas. Recordo-me de ter passado muito frio nos primeiros anos na Europa.



A procura por uma vida melhor é um apelo da condição humana. Os portugueses são por natureza um povo migrante, temos comunidades espalhadas pelo mundo inteiro, somos um povo com grande facilidade de adaptação e integração, pelo que entendemos bem a tragédia por que passam os migrantes desta era. Mas existem diferenças culturais significativas entre nós e estes povos.

Recentemente estive em Londres, Paris e Munique. A diversidade étnica destas cidades é imensa. Os românticos poderão falar de cosmopolitismo, é verdade que sim, existe, mas do que observei posso antever que vão ter problemas muito sérios num futuro próximo. Grande parte dos imigrantes Islâmicos não estão integrados, penso que por vontade própria...Existem espaços inúmeros nestas cidades onde a tensão é latente.

Por estes motivos discordo que se fale em integração. A aculturação tem de ser voluntária e individual. Compete a cada indivíduo fazer pela vida. por outro lado, se for massiva e imposta resulta em guetos...

Os migrantes que agora se refugiam na Europa, foragidos da guerra e perseguição nos seus países, vêm para uma realidade completamente diferente daquela que vivem. Para além das enormes diferenças culturais, sobrevem a religião que no caso em análise é absolutamente estruturante nas sociedades islâmizadas o que inviabiliza praticamente a integração. Não estamos a falar de países moderadamente islâmicos.

A grande maioria dos migrantes são oriundos de Estados em que a religião tem um poder esmagador nas suas vidas e note-se, por vontade propria da grande maioria da população. São portanto povos que convivem mal com a democraticidade de um Estado laico.

Já se verificaram alguns episódios de intolerância religiosa por parte de grupos de migrantes. Por exemplo: vários grupos rejeitarem ajuda da Cruz Vermelha, exactamente por ter uma cruz como símbolo. Temos de saber lidar com este tipo de problemas, não com intolerância mas sim com compreensão e humanismo.

Claro que temos a obrigação de lhes prestar a ajuda humanitária de que necessitam, mas esta acção terá de ser meramente conjuntural até que se resolva o problema de fundo, a reintegração das populações nos seus países de origem.

A Europa precisa de ajuda para resolver este problema.


Neste momento só resta a solução militar, para isso terão de combater os grupos radicais de uma forma massiva, nos territórios que agora ocupam. A Europa tem de conseguir a ajuda das grandes potências militares globais (como a Rússia e os Estados Unidos) e das potências regionais (como Turquia e Irão). Só envolvendo todas estas vontades poderão obter um resultado rápido e duradouro.

Só eliminando a gênese do problema poderemos criar condições para o retorno e normalização das suas vidas.

A normalização do dia a dia nos países que actualmente estão destruturados, levará ao regresso voluntário das populações agora em migração.

Mais do que isso. Os países de origem têm de ter condições para reterem as suas populações. Para isso necessitam de empregos. A Europa em vez de deslocalizar a produção de bens de consumo para o Oriente, como tem feito, deverá instalar os seus centros de mão de obra nos países que nos circundam na bacia do Mediterrâneo.


Se este assunto for tratado desde já, será relativamente rápido, caso contrário caminharemos para uma guerra civilizacional sem precedentes...

Para memória futura, recordo que escrevi este post em Setembro de 2015, veremos o que se irá passar.