Tratamento de temas interessantes de uma forma desinteressante. Abordagem inconsequente acerca da consequência das coisas. Tudo será devidamente tratado, mas sem qualquer resolução. Os leigos também têm direito a opinião...

domingo, 25 de dezembro de 2016

Triologia O Bom, o Mau e o Vilão: O Vilão...

Em frente ao espelho barbeia-se com lamina, o escanhoado sai com outra apresentação, a sensação de frescura é renovada a cada passagem da lamina. O after shave comprado nas mais caras lojas da especialidade realça o frescor da fragância que fica no ar. Olha-se ao espelho, sente-se impecável. Não usa a habitual gravata, hoje decide-se pelo lenço de seda vermelha requintadamente colocado em torno do pescoço com as pontas guardadas no interior da camisa branca, lisa, os botões de punho dourados e o fato azul escuro dão-lhe um ar respeitável, cuidado e inspirador. Os sapatos cuidadosamente engraxados, brilhando com as passadas decididas e enérgicas. No caminho para o trabalho olha-se nas montras por onde passa, ajeita o colarinho ligeiramente fora do alinhamento, dá uma passagem ao cabelo que com o gel rebrilha à luz. O seu narcisismo impele-o a sentir-se bem consigo. Nada poderá falhar, mesmo que não domine a matéria, nada poderá impedi-lo de conseguir o que quer, aquele lugar foi criado à sua medida.

Quando chega todos os presentes se concentram na sua presença, saem os cumprimentos de circunstância e como tem passado, já não o via há muito, como foram estes meses tão longe. Rodeado de atenção, fala de si apaixonadamente como ninguém. Cheio de si próprio encantado por se ouvir. De inicio os convivas ouvem com atenção, depois um pouco timidamente olham em redor buscando cumplicidade em outro qualquer. Trocam olhares de enfado. O orador continua, cada vez mais entusiasmado consigo, aumenta o tom de voz, o grupo já não reage. Por outro lado ninguém interrompe, não têm coragem de assumir essa responsabilidade porque o palestrante pode aproveitar a oportunidade para renovar o assunto sobre si próprio e redobrar o discurso ainda mais autoconfiante do que antes. Nunca se lembra de ouvir quem quer que seja, a interrupção pode levar a uma quebra de corrente que ele, ingenuamente, acredita ter formado com os ouvintes. Mas ninguém o ouve. Em todos cresce uma vontade enorme de defenestrá-lo janela fora. O seu narcisismo patológico impede-o de ver a rejeição nos olhares que o rodeiam.

Já ninguém aguenta, mas como silenciá-lo sem parecer indelicado?

- Vem aí o chefe !!

O discurso é interrompido abruptamente, tosse nervosamente. Coloca-se em sentido, um pouco curvado para a frente. Enquanto todos cumprimentam o chefe com um simples aperto de mão, ele inclina-se e aplica um duplo aperto de mão ao superior, envolve-o em salamaleques e elogia-o pelos resultados atingidos. Os outros quase juram que o viram babar-se.

Caminham em silencio para a sala de reuniões. Apenas o chefe inchado de importância rejubila no fato talhado anos antes quando nele cabia.

- Venho comunicar-vos que a partir de hoje passo à situação de reforma, pelo que deixo de ser o vosso director comercial. A administração deu indicação que a escolha do meu sucessor será feita de acordo com o ranking de resultados apresentados, sem qualquer hipótese de intervenção da minha parte. Nada mais posso fazer a não ser agradecer-vos pelo profissionalismo e empenho que me dedicaram durante estes anos em que trabalhamos juntos.

O silencio ressoou na sala...Por fim, alguém começou a bater palmas e os outros seguiram-no sem grande entusiamo. O bajulador quedava-se pálido e num automatismo de Pavlov acompanhava-os com as palmas das mãos húmidas.

E agora como seria sem o seu mentor, tanto investira naquela aposta de carreira, tantos meses de companheirismo forjado para acompanhar os interesses do seu chefe. Eram jantares a altas horas, alguns caríssimos, pegar no taco de golfe e levantar-se quase de madrugada para ir ao clube onde o chefe sempre confraternizava com os amigos. Sacrificar a própria família para à noite acompanhar o chefe ao clube de bridge só para estar presente porque nem sabia jogar.  Ter de aturar a sua necessidade de protagonismo, anular-se para satisfazer a sua ansia ser o centro das atenções. Fazer considerações elogiosas mesmo em situações que achava despropositadas, ser condescendente nas fraquezas, menorizando as falhas do chefe. Tanta adulação para nada?

Sem resultados não ia ter hipótese de ficar com o lugar por que tanto lutara. Mas tinha sido um ano muito difícil e além disso o acompanhamento continuo que fizera ao chefe ocupara-o de sobremaneira e tirou-lhe tempo para a sua própria actividade.  Tinha sido uma opção que lhe parecera certa na altura, agora sabia-o fora um risco mal calculado.

De certo ele já sabia que se ia embora e não foi capaz de lho dizer, sentia-se usado e vilipendiado. Não há duvida, há pessoas sem o mínimo de caracter. Logo com ele que não merecia, que sempre fora atencioso, sempre tivera o cuidado de transmitir ao chefe tudo aquilo que sabia passar-se na empresa, quando algum colega tinha um desabafo consigo o primeiro a saber era o chefe, para este estar ao par de toda a informação e melhor decidir. Havia apostado no cavalo errado. Correra o risco de ser proscrito pelos colegas e agora era esta a recompensa?

Tem de voltar à linha da frente. Não é agora ao fim deste tempo todo que se vai matar a trabalhar, não cumprir os objectivos e arriscar-se a ser despedido.

O que interessam os méritos? Mérito tem ele em saber relacionar-se com as pessoas que interessam. Mesquinhos são aqueles que não têm a esperteza de se colocarem em situação de vantagem perante tudo o que os rodeia. Devem estar atentos a tudo o que pode influenciar as suas carreiras, o desempenho nem sequer é o principal porque a inteligência emocional e o sentido de oportunidade sobrepõem-se ás competências efectivas.
Levanta-se por entre os colegas e dirige-se ao WC. Penteia-se, ajeita o lenço no pescoço, mais uma vez renova a sua autoestima olhando-se ao espelho, inspira, autoconfiança ao máximo e sobe ao andar da administração.

Se o novo director for aquele que está a pensar sabe coisas dele que mais ninguém sabe. Tem de o descobrir rapidamente. Para um graxista o mais importante é estar com a pessoa certa, no local certo à hora certa. Vai fazer aquilo que faz de melhor e o ciclo recomeça...


Triologia O Bom, o Mau e o Vilão: O Mau...

Lá estava ele a uma segunda feira debruçado sobre a agenda, o que fazer?

O pior de tudo, o mais chato e moroso era o mais urgente, a vontade de procrastinar o assunto era mais forte.

E porque não? Não há nenhuma urgência que não possa ser tratada amanhã.

Parou de pensar nisso e dirigiu-se à secção do lado, tinha de tomar um café para raciocinar mais claramente.

- Ninguém quer vir tomar um café? Preciso de abrir os olhos...

Um dos colegas aceitou o convite. Os outros continuaram envoltos nos seus afazeres.

- Reparaste naquela cambada de monos? Ninguém fala, só quando o chefe aparece é que se houve alguém dizer algo. Esta empresa é do pior, o que querem é um rebanho de carneirinhos que estão sempre disponíveis para o que eles quiserem...

- Não é bem assim. Se passasses por aqui mais tempo ias perceber que é pessoal dedicado ao trabalho e muito competente. Para tu poderes concretizar negócio alguém tem de garantir a retaguarda. Não deves ser tão simplista nos teus juízos.

Ele encolheu os ombros. As pessoas precisavam de descontrair e relaxar. Não deviam levar as coisas tão a sério. Eram tão snobs, tão focados, tão previsíveis... gente desinteressante.

É tão difícil como desnecessário cumprir horários. Porque motivo teria de estar a horas no local de trabalho, que mais valia poderia ele representar se ainda estava literalmente a dormir?

Por vezes passavam-se dias em que ninguém sabia dele. Quando aparecia tinha sempre uma boa desculpa para justificar a ausência, mas principalmente trazia a concretização de bons negócios.

Muitas vezes o seu director tinha de corrigir seu comportamento. Era preguiçoso e já havia sido encontrado a beber  durante o expediente. Como  era um vendedor brilhante que achava que seu talento o dispensava de seguir as regras da empresa.

Nas conversas com os clientes quando colocado perante uma reclamação, muitas vezes referia-se à empresa num tom jocoso e displicente.

Nas conversas com os colegas ia revelando confidencias de uns e outros. Principalmente na sua ausência, as suas intrigas faziam eclodir litígios entre eles.

Enfim, era um personagem que minava a moral na empresa, mas preponderante no cumprimento de resultados.

Um dilema sempre presente nas reuniões de direção.

Triologia O Bom, o Mau e o Vilão: O Bom...

Num local de trabalho coexistem vários tipos de pessoas, são todas diferentes, mas todas correspondem a um determinado tipo. Podem até nem ser atitudes permanentes, mas sem duvida que se verificam periodicamente. Esta trilogia refere alguns enquadramentos possíveis: O Bom, o Mau e o Vilão.

Exemplar, sempre bem disposto, solicito, impecável no trato. Um trabalhador incansável e envolvido com os objectivos do grupo de trabalho. Forte na oralidade e na expressão escrita, pontual, zeloso, a interdisciplinaridade não representa para ele qualquer dificuldade, a sua rede de contactos possibilita-lhe ter sempre uma solução para qualquer problema. Muito escrupuloso no relacionamento com os demais.

Tem sempre uma atitude positiva e uma palavra amável para algum colega em dificuldade.

Dá conselhos aos outros para que se esforcem por aprender, demonstrando interesse e motivação, entendendo que cada organização tem seus próprios regulamentos e que os mesmos deverão ser cumpridos. Que sejam humildes e procurem entender as razões das ordens emanadas pelas chefias.

Procura relacionar-se bem com os colegas de trabalho, eles são os maiores divulgadores da sua conduta, são eles a sua melhor forma de marketing. Auxilia, colabora, é tolerante. Não faz comentários dos demais membros da empresa e muito menos dos superiores hierárquicos.

É absolutamente pontual. Quando sabe que o transito está complicado sai de casa mais cedo para chegar ao trabalho 15 minutos antes do horário estabelecido, é bom para começar bem o dia e tomar um café.

Por vezes, muitas vezes a sua generosidade é irritante, por não ser normal a infalibilidade provoca tédio e cansaço, mas na maioria das vezes o seu maior problema é a inveja que o rodeia, porque para os elementos mais competitivos não passa de um sonso.

Está sempre de bom humor e desempenha as funções com uma atitude mental positiva diante da realidade. É uma pessoa calma e ponderada que respeita todos em redor, é um excelente apoio para a restante equipa, mas não vende.

domingo, 11 de dezembro de 2016

Stanislav Petrov, o homem que salvou o mundo.

O alarme toca, as luzes vermelhas de alerta acedem, os avisos sucedem-se, está em curso um ataque nuclear, misseis americanos atacam território da URSS. O que fazer?

A 26 de Setembro de 1983 o Tenente-Coronel Stanislav Petrov era o oficial do dia que tinha a responsabilidade de controlar os computadores da defesa anti-misseis numa base nos arredores de Moscovo.

Vivíamos um dos períodos mais conturbados da Guerra Fria, três semanas antes os soviéticos tinham abatido um Boeing Sul- Coreano com 269 civis a bordo. Alegaram que o avião invadira o seu espaço aéreo sem permissão.

Petrov tinha em mãos um dilema, se aceitasse como válidos os alertas e comunicasse o facto aos seus superiores desencadearia um ataque nuclear aos Estados Unidos, o que despoletaria uma Guerra Nuclear global. Por outro lado se ignorasse os sinais e o ataque americano fosse efectivo, Moscovo seria destruída e ele seria o principal responsável pela catástrofe.

O militar soviético ponderou por momentos. Na sua ideia um ataque nuclear não seria desencadeado por apenas 5 misseis. O sistema já dera mostras anteriormente de ter falhas. Resistiu em aceitar o alarme como genuíno. Tinha apenas alguns segundos para tomar uma decisão. Considerou o alerta como falso alarme por erro do sistema.

Os minutos passaram e então pôde constatar que tinha razão, não havia qualquer ataque. Os sensores do satélite que emitira o aviso haviam sido iludidos por um alinhamento de raios luz sobre as nuvens.

Naquela noite Petrov não deveria estar de serviço, viera substituir um colega. Este acaso terá salvo o mundo da eclosão da Terceira Guerra mundial, porque foi o seu bom senso que evitou a tragédia.

O tenente coronel Petrov veio a ter problemas mais tarde com a hierarquia do exército soviético porque desobedecera ao protocolo instituído. Para os superiores o reconhecimento da falha do sistema era despiciente, mais importante era a disciplina do militar. Foi deslocado para postos sem importância onde não tinha tomar decisões. Veio a ser reformado 2 anos depois.

O mundo foi salvo por um homem anónimo. A sua história foi ocultada até 1998.

Em 2004, a Association of World Citizens premiou Stanislav Yevgrafovich Petrov com o título de Cidadão do Mundo.

Aos 77 anos, vive sozinho numa casa modesta em Fryazino, nos arredores de Moscovo. Devido às pressões que então viveu a família abandonou-o pouco tempo após o incidente.

Não se considera um herói, na sua simplicidade diz que estava no local certo na hora certa.

Este homem nunca ganhou o Prémio Nobel da Paz.


quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

A máquina de fazer terramotos.


O que liga a fábrica de automóveis Tesla à máquina de fazer terramotos?

A resposta correcta é: A eletricidade.

A Tesla Motors, Inc. é uma fábrica de automóveis americana, sediada na Califórnia. Dedica-se à produção de automóveis elétricos. Existe desde 2003 e há quem diga que a médio prazo se tornará um dos maiores construtores automóveis do mundo. Na origem do nome está a homenagem que os seus fundadores quiseram prestar ao genial inventor  Nikola Tesla.


Nikola Tesla nasceu em 1858 era austríaco nascido num território que hoje pertence à Croácia. Desde muito cedo se interessou pela ciência. Estudou engenharia elétrica em Graz e Praga, o seu primeiro emprego foi na companhia de telefones de Budapeste. Descobriu o campo magnético rotativo, um principio fundamental da corrente elétrica alterna. Foi trabalhar para a Companhia Continental Edison em Paris.

Em 1884 é convidado a ir trabalhar como assistente de Thomas Edison em Nova York.

Em breve começaram a surgir divergências entre Edison e Tesla. Enquanto este defendia a utilização da corrente alterna como a melhor forma de atingir grandes distancias, o americano considerava-a uma "corrente assassina" por ser difícil de controlar. Esta discordância fez despoletar uma disputa entre os dois que durou até ao final da vida.

O primeiro contrato de fornecimento de energia alterna de Tesla foi realizado com a Westinghouse entre as cataratas de Niágara e a cidade de Buffalo...

Hoje em dia todos cabos de alta tensão são percorridos por corrente alterna.

Ao longo da vida Nikola Tesla registou cerca de 40 patentes todas ligadas à utilização de eletricidade, como é o caso da lâmpada fluorescente, do controlo remoto por rádio, a comunicação sem fios, o motor de indução (usado nos frigoríficos) ou o motor de arranque dos automóveis.

Teve vários problemas no desenvolvimento das suas experiencias. Para muitos era um louco, mas nos dias de hoje sem duvida que seria considerado um génio.

Chegou a criar uma máquina voadora pessoal que se deslocava a uma velocidade de 120 km hora.

Uma das suas ideias mais extraordinárias foi a de criar o automóvel elétrico que se movia sem necessidade de baterias. Segundo Tesla, eletrificando as ruas com cargas de baixa tensão os carros deslocar-se-iam sem precisarem de reabastecimento.

Tesla concebeu em 1917 uma estação emissora de ondas de energia que permitiria aos seus operadores a localização com elevada precisão de veículos inimigos distantes. O departamento de guerra dos EUA rejeitou o "raio explorador". Cerca de 20 anos mais tarde esta mesma invenção, desenvolvida então pelos ingleses, ajudaria os aliados a vencerem a segunda guerra mundial. Viria a chamar-se: radar.

A mais estranha das suas invenções foi uma máquina de fazer terramotos. O seu plano era transmitir eletricidade de baixa tensão pela crosta terrestre de forma que em qualquer lugar do planeta se pudesse ligar uma lâmpada simplesmente enfiando-a na terra.

Durante essa experiência em Nova York, seu laboratório foi invadido pela policia. A ilha de Manhattan estava a vibrar a vários quilómetros de distância. Nikola não sabia na altura que as ondas magnéticas se tornavam mais fortes com a distancia. Estava criada a "Máquina de Terremotos de Tesla".

Acabou por falir quando um fogo destruiu a sua oficina elétrica e teve que pagar elevadas indeminizações aos seus vizinhos.


Thomas Edison tudo fez para desacreditar Tesla e conseguiu. JP Morgan e Westinghouse também ajudaram. Todos moveram influências para darem uma imagem tresloucada do seu génio.

Chegou a ser indicado ao Prémio Nobel da Física, juntamente com Edison, mas  recusou-se a recebê-lo.

Nikola Tesla morreu na pobreza em Nova York em 1943.

O rock morreu mas os génios ficaram...

Se olharmos à história da música vamos reparar que os grandes compositores continuam entre nós através das suas obras, elas não morreram. Entre nós continuam Beethoven, Mozart, Schubert, Brahms, Tchaikovsi ou Verdi e outros que nos legaram obras que os tornaram imortais. Muitos destes geniais criadores foram incompreendidos na sua época e os que tiveram sucesso de forma geral não tiveram vidas fáceis.

Outros que à época com eles partilharam vidas, fizeram composições avulsas que obtiveram grande sucesso imediato junto dos seus contemporâneos, entretanto, em grande parte desapareceram, hoje em dia não há a mínima memória que tenham existido. Poderão ter tido vidas muito mais recompensadoras e glamorosas, mas os seus legados perderam-se no tempo. Deles nada mais resta do que talvez algumas lendas partilhadas em família.

Nos tempos de hoje esta dicotomia é ainda mais evidente que nunca. As luzes da ribalta acendem-se e apagam-se, literalmente à velocidade da luz, qualquer pessoa que esteja no local certo à hora certa pode, sem ter apresentado o mínimo lampejo de talento, assumir um estrelato instantâneo e global. Não há necessidade de exibir talento, basta aproveitar a oportunidade. É desta volatilidade que surge o sucesso mas com a mesma rapidez se dissipa. Quantos autores de sucesso conhecemos de um só êxito, daqueles que figuram no TOP 40? Quantas semanas perduram os seus nomes no imaginário colectivo? Seis meses depois alguém se recorda?

É por este motivo que o rock definha, não existem hoje talentos à altura de fazerem algo de novo que faça perdurar o legado. Claro que também não é fácil a originalidade, quase tudo já foi criado, a proliferação de meios e de autores não permite grande margem de manobra.

Mas há os que ficam, que ficarão para sempre. Aqueles que se destacam e permanecem em cena por décadas mesmo que não tenham o reconhecimento momentâneo. Desde que tenham consistência e coerência num trabalho que atravesse gerações, terão o mesmo reconhecimento daqueles de há trezentos anos. A obra deles perdurará porque os génios não morrem, deixam-nos as suas obras.

Nomes que perdurarão para sempre: Elvis Presley, The Beatles,
Led Zepplin, The Doors, Lou Reed, Pink Floyd, Jimmy Hendrix, David Bowie, Freddy Mercury,  Kurt Cobain, Phill Lynnot, etc...

Então eu concluo que o rock morreu mas ficaram os génios, para sempre...

sábado, 19 de novembro de 2016

Economicismo social

Ele estava muito triste com a vida.

Porque não há justiça?

Porque não pára a roda do infortúnio?

A ironia era cruel. Estava num congresso sindical em que se debate a conciliação entre o trabalho e a família. No mesmo momento recebe uma mensagem da mulher a dizer que o filho ia ficar sem trabalho. O contrato de trabalho a termo estava a caducar e não iria ser renovado.

Respira fundo, lamenta para si em silencio sentindo-se só rodeado de gente.

Durante um ano o filho, agora com 20 anos, desempenhara funções de jardinagem ao serviço do município. Fora muito bem aceite pelos colegas. Enquadrou-se perfeitamente no meio. Era visto como um elemento válido não obstante as suas limitações intelectuais e físicas.

Há anos atrás os médicos não conseguiram chegar a um diagnóstico correcto, os critérios de análise das limitações da intelectuais da criança eram inconclusivos. Era preciso arrumar uma prateleira clinica, então surge a designação: microcefalia. É decretado que tem um grau de limitação superior a 77%, portanto é oficialmente considerado pelo Estado um cidadão com um handicap funcional segundo os termos da lei. No âmbito de alguns acordos entre a escola profissional que frequentava e a autarquia onde residia, conseguiu colocação nos serviços camarários, durante cerca de um ano em regime de voluntariado, sem remuneração e outro ano com uma compensação inferior ao ordenado mínimo nacional.

Contaram os próprios colegas que quando chegou era quase sempre o primeiro e colocava-se na porta de entrada a cumprimentar todos os colegas que entretanto iam chegando para iniciar a jornada de trabalho. Este procedimento consecutivo e diário obrigava os colegas a cumprimentá-lo. Em pouco tempo todos começaram a cumprimentar-se pela manhã, coisa que se mantém até hoje, ao contrario do era costume.

Agora a chefe de divisão recém empossada, uma tecnocrata financeira, diz que ele não reúne as competências necessárias para o desempenho que lhe é exigido. Mas se quisesse permanecer como voluntário poderia ficar.

Naquela cadeira incómoda com vozes imprecisas em redor pensava: estamos, claro, a falar de economicismo. É este o Estado Social? Como é possível?

Quando se trata de integração de uma pessoa com deficiência no mundo do trabalho, uma autarquia demite-se da sua própria responsabilidade? 

Trata-se de economicismo social para poupar? Não se apercebem que o custo poderá vir a ser muito superior? Não há responsabilidade social?

Claro que o problema havia de ser resolvido, sempre foi assim, mas não havia necessidade de ter esta preocupação se a legislação, a exemplo de outros países, tivesse estipulada uma obrigatoriedade de integração de cidadãos portadores de deficiência, com determinados critérios ajustados às especificidades de cada um deles.

Para si não tinha duvida nenhuma que alguém com algum tipo de incapacidade, desde que não afecte o desempenho da sua tarefa, esforça-se muito mais do que outro qualquer. Por este motivo o Estado só tem a ganhar quando integra uma pessoa portadora de deficiência na vida activa, contribuindo com o seu trabalho para o bem comum, criando os alicerces da sua própria autonomia.

Não só pelo seu filho, mas por todos os outros em circunstancias idênticas, nesse dia decidiu que tudo haveria de tentar para que um dia venha a ser reconhecida a efectiva atribuição de preferência no acesso à função publica de cidadãos portadores de deficiências não incapacitantes para o trabalho.

terça-feira, 1 de novembro de 2016

Imposto sobre o patrimonio.

Vou colocar um post pouco habitual neste blog.

Não sou fã do Bloco de Esquerda, mas estou absolutamente de acordo que se tribute o património imobiliário.

Defendo que o valor mínimo tributável deveria ser a partir de 1M de património imobiliário acumulado, sem excepções.

Não tenho nada contra quem tem muito, apenas tenho contra quem não paga impostos.

Se não formos por este caminho, serão sempre os mesmos que pagam esta pouca vergonha. Estou farto de sustentar pançudos...

Aqueles que realmente se podem queixar são aqueles que não declaram o que realmente ganham, porque o património imobiliário não é fungível. A menos que o destruam, pode ser sempre colectado, independentemente de quem o possua.

Conhecem alguém que tenha um património imobiliário de 1M € e que não consiga suportar uma taxa de 0,5% ?

O que eu quero dizer é que a forma mais justa de colectar aqueles que ocultam rendimento é através do património imobiliário, porque no caso de ser incomportável podem sempre aliená-lo.



Atenção que eu defendo a tributação a bens imóveis residenciais acima de 1 M€, não defendo nenhum aumento  na tributação de capital ou de rendimento...

Não existe nada mais prejudicial à economia do que o capital imobilizado. A acumulação estéril de riqueza gera pobreza e desagregação social no longo prazo e não é isso que as sociedades modernas precisam, pois não?

O investimento deve ser incentivado, a acumulação em imobilizado não produtivo deve ser penalizada. É muito simples e nem sequer é novidade, nos países nórdicos é assim que se faz.

De qualquer modo não se preocupem porque uma taxa destas nunca será implementada desta forma.

Acham que os lobistas o iriam permitir?

Nem pensar...Os gabinetes de advogados, as associações secretas, as elites, as cúpulas deste país nunca o iriam permitir...Olha quem...


O poder de uma foto.

A partir de uma simples fotografia abre-se na nossa imaginação uma janela colorida que nos faz viajar por onde quisermos sem nos limitarmos no tempo ou no espaço. Se não tivermos desligados das amarras do tempo e espaço perdemos toda a beleza dessas viagens imaginárias porque nos cingimos ao momento passado, instantâneo e ao espaço definido, limitado.

Detesto rever fotografias numa perspectiva estática de passado porque muitas vezes me deixa triste, por ser tempo vivido que jamais se repetirá. Por isso muito raramente revejo fotografias das minhas vivências, mas gosto muito de viver os instantes dos outros, porque para mim são os primeiros, não os vivi, o passado dos outros é o meu presente, muitas vezes com projeções de futuro.

Atendendo a esta fotografia reparei que as cinco amigas estão em contra mão, então, pus-me a pensar...
Podem não estar, porque se for em Inglaterra, estão bem.

Mas esta vegetação não é tipicamente inglesa e reparei também que o bom tempo também não.

Então conclui, só pode ser na Austrália ou na Nova Zelândia.

Mas colocou-se outra duvida. Por que só duas delas levam uma mochila às costas?

É  fácil concluir que vão para a faculdade e que estas duas levam os livros das outras moças.

Mas vão de calções? Claro, está calor...


Então nesta foto é evidente que se trata de uma sessão de autógrafos de uma escritora famosa. Nota-se o interesse e devoção dos admiradores.

Da análise cuidada que faço da foto penso que possivelmente  se trata de uma escritora com influencia naturalista, dado que segundo o Naturalismo, o homem é desprovido do livre-arbítrio, ou seja, o homem é uma máquina guiada por vários fatores: leis físicas e químicas, hereditariedade e meio social, além de estar sempre à mercê de forças que nem sempre consegue controlar. Para os naturalistas, o homem é um brinquedo nas mãos do destino e deve ser estudado cientificamente.

Em relação à imagem ao lado verificamos uma temática diferente. Imagino que o proprietário da moradia terá utilizado esta foto para enviar ao empreiteiro que lhe construi a piscina.

Quando o arquitecto desenhou o jardim da vivenda colocou uma piscina que deveria ter cerca de 20 metros. Ora o empreiteiro acrescentou um zero à medida, depois achou que ficava muito grande e resolveu converter em polegadas, desta forma a piscina ficou com apenas 5,08 metros.

Como se pode ver pela foto a piscina ficou muito pequena para as sobrinhas conseguirem entrar ao mesmo tempo. É indiscutível que a razão está do lado do proprietário. Por aqui se comprova a importância que pode ter uma imagem em situações de litigância comercial.

É realmente admirável o poder de uma foto.

segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Dylan e o Nobel


Se toda a gente tem uma opinião sobre o assunto eu também posso ter, não?

É um tema onde estou suficientemente à vontade, sou um consumidor crónico de musica de todos os géneros. Sinto-me particularmente próximo do pop-rock anglo americano.

Desde muito novo me encantei pelos blues e o rock amplificado eletricamente com o acompanhamento sincopado de baixo e bateria. Sou por isso um guitarrista frustrado, porque nunca consegui tocar mais do que o riff de “Smoke on the water” dos Deep Purple.

Voltando ao assunto. As baladas de Dylan não se enquadram neste perfil. A sua musica era muito acústica e pouco elaborada. A sua excessiva simplicidade musical nunca me impressionou por aí além. Sempre fui mais adepto dos ritmos mais agressivos dos eternos Rolling Stones e Led Zepplin ou até dos melódicos Beatles e dos progressivos Pink Floyd.

Foram as suas letras que tiveram grande impacto na geração anterior à minha, a que conviveu com a guerra do Vietnam e o flower-power. Nos anos oitenta apenas uma franja pseudointelectual de adolescentes imberbes sabiam que existia um autor de nome Bob Dylan. Por mim, tomei efectivo contacto com a musica de Dylan através de um tema que havia sido interpretado por Jimmy Hendrix pouco tempo antes de morrer “All along the watch tower”. É a partir daí que começo a prestar atenção ao que Dylan havia feito.
Claro que a musica per si não teve grande impacto em mim, foi a sua estética poética que se revelou fantástica, muito acima da sua criatividade musical.

Hoje em dia é absolutamente indiscutível a sua transcendente influencia na musica contemporânea. Todavia, não me parece ajustada a atribuição do prémio Nobel da literatura. Tal como ele existem outros autores merecedores da nossa homenagem, mas também nesses casos os prémios a atribuir deviam sê-lo no meio musical e não no mundo literário.

A lírica de Robert Zymerman revela uma linha de pensamento que identifica uma geração, uma época, mas não representa a pluralidade contemporânea plena.

Sem tirar mérito ao autor, considero que a condecoração é desajustada porque provém de um meio que não lhe é próprio. Por este principio qualquer dia teremos um escritor ou um cientista a ganhar um Grammy ou um Óscar. Talvez por isso a dificuldade que tiveram em contactá-lo e a sua  recusa em estar presente na cerimónia de entrega.

Lembro-me a propósito disto do prémio para o melhor jogador de futebol do mundo, o “Ballon d`Or”. Na génese do troféu criado pelo jornal France Football, estavam um grupo alargado de jornalistas desportivos que escolhiam todos os anos desde 1956 aquele que para eles era o futebolista mais completo de cada época.

Hoje em dia essa escolha resvalou para uma análise acerca de troféus conquistados e golos marcados, sobrepondo-se a outros prémios com esses critérios. Franz Beckenbauer ou Lev Yashin, vencedores do galardão nas décadas de 60 e 70 do século passado, muito dificilmente ganhariam este troféu actualmente, porque não marcavam muitos golos. Aqui está um exemplo de subversão do espirito do prémio. Por isso o France Football este ano resolveu voltar o sistema de escolha para os critérios originais.

As atribuições de prémios muitas vezes são desvirtuadas. Com o passar dos tempos os institutos vão esquecendo os paradigmas que levaram os fundadores a criar determinado reconhecimento de mérito. Os parâmetros iniciais vão sendo deludidos.
Penso que Alfred Nobel iria concordar que Bob Dylan merece a nossa homenagem, mas não esta.

domingo, 30 de outubro de 2016

O corpúsculo cai ao crepúsculo.


Se entendermos por corpúsculo uma partícula ínfima dos corpos, como um átomo ou molécula, por analogia os caracteres menores podem ser corpusculares por serem mesquinhos, pequeninos, insignificantes.

Se a esta matéria corresponder a decadência germinal de ter nascido menor, ter vivido em sombras e ter ocupado o lado obscuro de tudo, podemos afirmar tratar-se de um organismo crepuscular.

O crepúsculo matutino acontece de manhã cedo quando o Sol surge a Leste por baixo da linha ténue do horizonte, os raios propagam-se directos por cima mas sem tocar na sombra insignificante de quem nada representa na vivência dos outros. O corpúsculo rebola insano, gemendo na sombra do dia, pesaroso e diáfano, quase inexistente. Saliva escorrendo dos dentes, verdete bolorento dos fungos por tratar, com um hálito azedo, fétido, mas oculto.

Durante o dia percorre os corredores encostado às beiras, fugidio, analítico, mas solicito, sempre pronto a sorrir, já refeito do acordar doloroso da luz da manhã. O corpúsculo destila  os parasitas pelos seus poros anatómicos de ser inferior e rasteiro.

Raras vezes detectado porque as suaves e minuciosas partículas francesas de fragâncias odoríficas, não deixam perpassar qualquer sinal olfativo da sua natureza putrefacta. Dissimulando a sua natureza pequena, o corpúsculo reage rapidamente quando a oportunidade surge, tal e qual um protozoário disseminando uma epidemia.

Mas a sua vida é curta, quase sempre resvala para uma vala escura repleta de anticorpos que surgem ao final do dia, quando, sozinho, abandonado a si mesmo, assiste em pânico ao pôr do Sol que lhe passa por cima, a Oeste, sob o mar esverdeado, indiferente, crepuscular.

Assim padece o corpúsculo repelente no crepúsculo vespertino do final de um dia sereno para todos e insone para ele…Até nascer um novo dia repetindo a senda na estreiteza da sua existência.


domingo, 25 de setembro de 2016

International Boxing Hall of Fame

O texto que compus pretende ser uma homenagem a um desporto que tanto admiro. Todos estes homens fazem parte da selecção de pugilistas que entraram para galeria dos mais distintos boxeurs de todos os tempos em várias categorias. Hoje estão imortalizados no International Boxing Hall of Fame.


James John Corbett (São Francisco, 1 de setembro de 1866 - Nova Iorque, 18 de fevereiro
de 1933) Campeão mundial dos pesos-pesados entre 1892 e 1897. James Corbett foi considerado um inovador na arte do pugilismo devido a uma apurada técnica, não baseada na força. Foi a partir de Corbett que o boxe deixou de ser encarado como uma mera luta entre duas pessoas e passou a ser considerado realmente como uma prática desportiva.
Faleceu em 1933, aos 77 anos de idade, tendo sido sepultado no Cypress Hills Cemetery, em Brooklyn, N. York.



John Arthur Johnson (Galveston, 31 de março de 1878 - Raleigh, 10 de
junho de 1946) Entrou para história ao tornar-se o primeiro boxeur negro campeão mundial dos pesos-pesados, título este que foi conquistado em 1908 e mantido até 1915.
Filho de ex-escravos, Jack Johnson largou a escola para trabalhar como estivador nas docas. Defend
eu o seu título por 6 vezes e combateu até aos 65 anos.
Johnson faleceu em 1946, aos 68 anos, vítima de em um acidente de carro. O seu corpo encontra-se sepultado no Graceland Cemetery, em Chicago.



Robert James Fitzsmimons (Helston, Inglaterra, 26 de maio de 1863 - Chicago, 22 de outubro de 1917) Foi um formidável pugilista britânico, tendo sido o primeiro na história a conquistar os títulos mundiais em três categorias de peso diferentes.
Bob Fitzsimmons foi campeão mundial dos pesos-médios de 1891 a 1894, campeão mundial dos pesos-pesados de 1897 a 1899 e campeão mundial dos meios-pesados de 1903 a 1905.
Faleceu em 1917, aos 54 anos vitima de uma pneumonia. O seu corpo encontra-se sepultado no Graceland Cemetery, em Chicago.


William Harrison "Jack" Dempsey (Manassa, Colorado, 24 de Junho de 1895 — Nova Iorque, 31 de Maio de 1983). Manteve o título de campeão mundial dos pesos-pesados entre 1919 e 1926. O estilo agressivo e o poder destruidor fizeram dele um dos pugilistas mais populares em toda a história do boxe. Ágil, for
te e bastante agressivo, Dempsey usava combinações e golpes duros para minar seus adversários, que não raramente eram mais altos do que ele próprio. Além disso, Dempsey, que era destro, também era capaz de assumir uma postura de canhoto durante um combate, o que confundia os adversários e ajudou a notabilizar seu potente gancho de esquerda. Jack Dempsey faleceu em 1983, aos 87 anos de idade devido a insuficiência cardíaca. O seu corpo encontra-se sepultado no Southampton Cemetery, em Nova Iorque.



James Walter Braddock (Nova Iorque, 7 de Junho de 1905 — North Bergen, 29 de Novembro de 1974) foi um pugilista da categoria peso-pesado que lutou com o pseudônimo James J. Braddock. Também foi conhecido como "Cinderella Man", d
evido as suas origens pobres, como no conto de fadas da Cinderela, tornou-se rico. Na crise da bolsa perdeu tudo e teve de voltar a combater, tendo sido escolhido para lutar contra Max Baer. Braddock surpreendeu novamente, e lutando em 13 de junho de 1935 no Madison Square Garden Bowl venceu Baer, que era quatro anos mais jovem, num dos combates mais impressionantes da história do boxe. O título permaneceria com Braddock durante dois anos, até perdê-lo para o jovem Joe Louis. A sua vida é contada no filme "The Cinderella Man" de Ron Howard com Russel Crowe no papel de Braddock.




Joseph Louis Barrow (La Fayette, Alabama, 13 de maio de 1914 – Las Vegas, Nevada, 12 de abril de 1981) Joe Louis manteve o título dos pesos pesados durante doze anos (1937-1948), defendendo-o em 26 lutas. Um dos combates que marcou a sua carreira foi contra o alemão Max Schmelling, em 1938. O combate foi uma desforra de dois anos antes, quando Louis
sofreu uma das piores derrotas de sua carreira. Ganhou também contornos políticos porque Hitler utilizou a vitória de Schmelling como propaganda do nazismo, provando que a raça ariana era superior. Desta vez Louis venceu e manteve o seu título de campeão mundial. Joe Louis morreu em 12 de Abril de 1981, aos 66 anos, de ataque cardíaco.


Max Schmeling (Klein Luckow, 28 de Setembro de 1905 — Wenzendorf, 2 de Fevereiro de 2005) foi um pugilista alemão.
Foi Campeão mundial dos pesos-pesados entre 1930 e 1932. Durante o auge de sua carreira foi usado por Hitler como exemplo para provar a supremacia da raça ariana. Após a sua derrota frente a Joe Louis caiu em desgraça.
Total de lutas 70, Vitórias 56, Vitórias por ko 40, derrotas 10 e Empates 4.



Rocco Francis Marchegiano, ou apenas Rocky Marciano (Brockton, Massachusetts, 1 de Setembro de 1923 — Des Moines, Iowa, 31 de Agosto de 1969) Conhecido por seus golpes potentes, Marciano nunca perdeu um combate enquanto esteve nos ringues. Somou 49 vitórias, sendo 43 por KO, marca nunca superada até hoje. Rocky ficou conhecido também por nunca subestimar nenhum dos seus adversários, era humilde e modesto. Vale a pena lembrar que Rocky foi o último branco campeão dos pesos pesados durante muito tempo. Após a sua carreira ter terminado iniciou-se a supremacia dos atletas negros nos ringues que durou até a chegada de Tommy Morrison nos anos 1990, e pos
teriormente, dos irmãos ucranianos Vitali e Wladimir Klitschko que unificaram os títulos mundiais. Na sua carreira praticamente perfeita ficou com o título de 23 de Setembro de 1952 até 30 de Novembro de 1956, quando se retirou do boxe sem nunca ter perdido ou empatado. A sua vida inspirou o filme "Rocky", de Sylvester Stallone (Oscar de Melhor Filme em 1976).



Walker Smith Jr. (Ailey, 3 de maio de 1921 - Culver City, 12 de abril de 1989), mais conhecido como Sugar Ray Robinson. Esteve activo entre as décadas de 1940 e 1950. Como pugilista amador conseguiu um recorde de 85 vitórias, sendo 69 por KO e 40 destas terminaram no primeiro round. Manteve seu título mundial de 1946 até 1951 e ganhou o título de peso-médio em 1951. Sua única derrota foi para Jake LaMotta, a quem derrotou por
cinco vezes. Sugar Ray Robinson foi considerado o maior pugilista de todos os tempos pela ESPN. Era famoso pela sua dança em torno do adversário, como um autêntico bailarino. Ainda hoje é dado como exemplo aos formandos pelo seu incrível jogo de pés. Sugar Ray Robinson é considerado o precursor do pugilista moderno quer pela maneira de estar em ringue, quer fora dele. Após a sua retirada, Robinson tentou uma carreira como artista sem grande sucesso. Viveu modestamente até sua morte em 1989. Em 2006 a sua imagem foi colocada num selo comemorativo pela United States Postal Service.



Giacobe LaMotta (10 de julho de 1921), mais conhecido como Jake LaMotta, também apelidado de "The Bronx Bull" e "The Raging Bull", foi campeão na categoria meio-pesados. LaMotta, nascido no bairro do Bronx, em Nova York, começou a lutar boxe ainda muito novo quando o pai o obrigou lutar com crianças da vizinhança para o divertimento dos adultos. Em 1941, aos 19 anos, ele começou a lutar profissionalmente. Com 83 vitórias (30 KO) 19 derrotas e 4 empates, La Motta foi o primeiro homem a vencer Sugar Ray Robinson, criando uma rivalidade que se manteve em 6 combates memoráveis. Foi suspenso por suspeita de fraude numa derrota com Billy Fox. Posteriormente, Jake LaMotta admitiria ter perdido de propósito. Sua história é contada no filme de Martin Scorsese "O touro enraivecido". Robert De Niro no papel de LaMotta ganhou o Oscar de melhor actor em 1981. Decadente após a reforma, Jake La Motta foi preso, perdeu um filho, e lançou vários livros sobre sua carreira e suas lutas com Sugar Ray Robinson. Actualmente tem 93 anos e vive em Nova York.



Muhammad Ali-Haj, nascido Cassius Marcellus Clay Jr., (Louisville, 17 de janeiro de 1942) é para muitos o melhor pugilista de todos os tempos. É mundialmente conhecido não somente pelo que fez nos ringues, mas também pelas suas posições políticas. Ali foi eleito " O Desportista do Século" pela revista americana Sports Illustrated em 1999. Foi o mais mediático pugilista de sempre. Aos 18 anos ganhou a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Roma. A sua fama como profissional começou aos 22 anos, quando surpreende o campeão do mundo de então Sonny Liston. Ao longo da sua carreira em 62 combates perdeu apenas 5. Faleceu no Arizona em Junho 2016 aos 74 anos.


Joseph William Frazier, conhecido como Smokin' Joe (Beaufort, Carolina do Sul, 12 de Janeiro de 1944 - Filadélfia, 7 de novembro de 2011) A sua carreira estendeu-se pelas décadas de 1960 e 1970. Ficaram famosos os três combat
es que disputou com Muhammad Ali pelo título de campeão de pesos pesados. Em 1975 travou em Manila o mais épico de todos. Muhammad Ali venceu, mas afirmou no fim: "Nunca estive tão próximo da morte". Dois dias antes da morte de Joe Frazier por cancro, Muhammad Ali declarou: "As notícias são difíceis de acreditar e ainda mais difíceis de aceitar, Joe foi o maior lutador que defrontei, é um campeão e eu rezo para que esteja a lutar agora".



George Edward Foreman ( Marshall, Texas, 10 de janeiro de 1949) Duas vezes campeão mundial de boxe na categoria peso-pesado e medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de 1968. Os seus títulos mundiais foram em 1973 e 1994, sendo o último aos 45 anos por ko a um pugilista de 26 anos Michael Moorer no 10.º round e estabelecendo assim o recorde, de campeão com maior idade entre os pesos-pesados. Em 81 combates venceu 76, sendo 68 por ko. Juntamente com Muhammad Ali e Joe Frazier, é considerado um dos maiores pesos-pesados de todos os tempos. George Foreman é agora um homem de negócios bem-sucedido e um ministro cristão que tem sua própria igreja.



Sugar Ray Leonard (Wilmington, Carolina do Norte, 17 de maio de 1956) é um ex-pugilista americano. Foi campeão olímpico e profissional. Ficou
três anos afastado devido a uma operação na retina esquerda depois de conquistar os dois títulos mundiais nas categorias dos meio-médios e dos médio-ligeiros. Retornou em 1987 e ficou com o título em mais quatro categorias: médios, supermédios, meio-pesados e pesados. Seu recorde foi: 40 combates, 36 vitórias, 25 por KO, 3 derrotas, 1 empate. O seu estilo no ringue baseava-se na técnica de pés do ídolo de sempre Sugar Ray Robinson. Na sua autobiografia publicada em 2011, revelou corajosamente haver sido molestado sexualmente por um técnico.



Michael Gerard Tyson (Nova Iorque, 30 de Junho de 1966), mais conhecido por Mike Tyson ou Malik Abdul Aziz. Teve um desenvolvimento físi
co precoce. Aos 12 anos pesava mais de 80 kg, com musculatura bem desenvolvida para um miúdo. Aos 15 era um peso pesado veloz. Aos 18 nem mesmo seu treinador ficava de pé. Aos 20 anos tornou-se campeão mundial, o mais jovem peso pesado a conseguir este feito. Obviamente haveria consequências para tamanha performance num período tão curto de tempo. Assim, quando Tyson completou 30 anos, já era possível perceber que precocemente também estava a perder o seu vigor físico, a devastadora temporada de ko e títulos mundiais chegava ao fim para Mike Tyson, o resto da sua história é conhecida.


Julio César Chávez (Ciudad Obregón, Sonora, 12 de julho de 1962) pugilista mexicano. Foi campeão mundial em três diferentes categorias, permaneceu invicto até 1994, após 90 combates. É consi
derado um dos melhores pugilistas de todos os tempos, contando com várias indicações como boxeur do ano pelo Conselho Mundial de Boxe (CMB), outorgada pela prestigiada revista The Ring. Ganhou cinco títulos mundiais em diferentes categorias e tem um cartel de 107 combates, com 102 vitórias, 2 empates e 3 derrotas.