Tratamento de temas interessantes de uma forma desinteressante. Abordagem inconsequente acerca da consequência das coisas. Tudo será devidamente tratado, mas sem qualquer resolução. Os leigos também têm direito a opinião...

segunda-feira, 16 de maio de 2016

Agora sou Tri...

Em Outubro quando perdemos na Turquia frente ao Galatasaray e logo a seguir na Luz frente ao Sporting, pus-me apático, descrente na táctica imprecisa de Rui Vitória. A falta de reacção à adversidade que a equipa revelava avisava-me que viriam dias ainda piores. As coisas foram andando sem grandes motivos para regozijo, entre jogos assim, assim e outros muito sofríveis.

Mas eis que surge o mago da táctica, o catedrático do futebol, Jorge Jesus. A sua falta de educação e o seu ego inflamado provocaram as hostes mais desconfiadas do meu clube. Os ataques soezes que fez ao nosso treinador, nada mais fizeram do que acicatar o benfiquismo adormecido em todo clube. E unidos partimos para conquistar aquele titulo que, para mim é dos mais saborosos de sempre.

No inicio do campeonato éramos considerados os “under dogs” dos três grandes, aqueles que tinham o plantel mais fraco, porque os outros investiram e nós desinvestimos.

Cedo nos apercebemos que o Porto ia ter dificuldades. Pinto da Costa tardou a entender que Lopetetgui, em boa hora, descaracterizou o jogo da equipa. Mesmo assim vacilámos no jogo da Luz, já com Péseiro, em que eles venceram sem nada terem feito para que isso sucedesse.

O reverso da medalha ocorreu em Alvalade, num jogo que vencemos exactamente da mesma forma, com a diferença de que na Luz havíamos criado mais chances de golo do que o Sporting viria a criar.

A partir desta altura a choradeira leonina não mais parou, não vamos falar de erros de arbitragem, que os houve para ambos os lados e ainda tenho sérias duvidas de quem terá sido mais beneficiado. Falo antes dos jogos de bastidores ditados pelo evidente complexo de inferioridade colectivo de que padecem os dirigentes leoninos.

Para se valorizarem recorrem à menorização dos adversários, em vez de privilegiarem os seus atributos preferem denegrir os dos outros.

Nunca ouvirão da minha parte algum comentário a subvalorizar um enorme jogador como João Mário, muito gostaria que jogasse na minha equipa.



Ainda o subterfúgio da vitoria moral: “Não ganhamos mas jogamos melhor.” Não estamos a falar de natação sincronizada ou de patinagem artística, aí sim existem notas artísticas para quem actua. O Brasil no Mundial de 1982 foi a selecção que apresentou o futebol mais vistoso e ganhou o quê? Nada, foi eliminado pela Itália nos quartos-de-final.

Chamo a atenção a uma grande parte de adeptos leoninos que preferem acreditar numa ladainha estafada de calimeros que perdem tudo por injustiça.

Deviam antes questionar-se sobre as prioridades, cuja lenga-lenga Jorge Jesus já utilizava no Benfica, e a inerente falta de resultados. O investimento desmedido que acarretava um discurso de inevitabilidade de apuramento para a Liga dos Campeões que não se concretizou. A irresponsável redução do património do clube, na perda de activos a custo zero ou abaixo do mercado. As disputas jurídicas consecutivamente perdidas e com prejuízos directos nas contas do clube. As disputas internas tornadas publicas por populismo e por necessidade de defesa. A falta de resultados desportivos pode ser ocultada em discursos bacocos e demagógicos feitos no Facebook, mas não compõem a tesouraria.

Não podem iludir os adeptos para sempre, porque uma mentira não é por ser repetida muitas vezes que se torna verdadeira.

Se perdem no hóquei patins é porque foi uma injustiça, se perdem no andebol ou no futsal foram roubados, se perdem no râguebi é porque não estavam preparados, nunca acontece haver mérito dos adversários. Em relação ao voleibol ou no basket não há queixas porque também não têm equipas na primeira divisão.

Não tenho dúvidas que o Benfica está no caminho certo. Sem cometer loucuras, havemos de continuar a ter uma equipa competitiva baseada nos valores que nos caracterizavam há muitos anos atrás, baseando-se na força do clube, na sua formação, tentando projectar novos valores que mais cedo ou mais tarde serão a base da nossa selecção, mesclando a irreverência própria da juventude com a experiência de alguns jogadores já identificados com a mística do clube.

Estou crente que vamos alcançar o tetra, mas se não conseguirmos não será nenhum drama. No desporto há que saber ganhar e saber perder, temos é de manter o legado de orgulho que recebemos da geração anterior e entregá-lo às gerações futuras, porque o Benfica é imortal...
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