Tratamento de temas interessantes de uma forma desinteressante. Abordagem inconsequente acerca da consequência das coisas. Tudo será devidamente tratado, mas sem qualquer resolução. Os leigos também têm direito a opinião...

domingo, 25 de setembro de 2016

Conduzido por mim...

Estou realmente só quando conduzo e me sinto bem comigo

No carro, estou entregue a mim, nos meus pensamentos, confortável

No exterior sopra o vento, forte, frio, mas cá dentro estou em paz e sossego

A velocidade passa, por fora, não me afecta cá dentro

Não quero ouvir o rádio, a interacção de pensamentos e interjeições distraem-me

Não telefono para ninguém, porque me ocuparia o silêncio e eu gosto de estar só, apenas comigo

E no que penso ?

Penso que realmente esta curva pode ser feita sem travar, segurando o carro simplesmente com a direcção e a caixa de velocidades, uma certa sensação de controlo, segurança e auto-confiança

Lá fora o vento continua a soprar forte, cá dentro a temperatura é amena, a calma é confortável, dá-me espaço e a clarividência de que podia ter ido mais longe, mais rápido, podia ter sido mais franco, mais amigo, mais pleno, mais completo, podia ter sido tudo aquilo que gostaria de ser


Mas no passado não foi assim, a vida colocou-me em situações de descrença de desconfiança, de desconforto financeiro, de ansiedade, de dúvida, a ingenuidade confundiu-me, a pureza esvaiu-se

Instalou-se a incerteza, tornei-me um encenador de mim próprio, um actor descontrolado que foi pedindo conselhos, sabendo que se fossem bons não eram gratuitos e seriam seguidos pelos próprios

Agora sigo nesta viagem calma, silenciosa, numa das estradas secundárias do nosso país, um brilho de Sol interditado por algumas nuvens plenas de graça, vazias de nada, eu conduzido por mim e assim tomo consciência de que renasceu a confiança de seguir em frente, o meu caminho
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