Tratamento de temas interessantes de uma forma desinteressante. Abordagem inconsequente acerca da consequência das coisas. Tudo será devidamente tratado, mas sem qualquer resolução. Os leigos também têm direito a opinião...

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Opulência sentimental

Quando estamos felizes podemos estar a ferir alguém.


Eu acredito que o mundo é constituído com base em antagonismos exactamente como definiu Heraclito na sua dialética universal, em que tudo o que existe é fruto do equilíbrio que resulta do confronto entre opostos.
Portanto sempre que nos sentimos felizes há alguém, algures a sofrer com isso.
A nossa felicidade é invejada, causa desconforto nos outros que não a vivem. É posta em causa, gera desconfiança e lança a duvida.

Aquele que demonstra o seu estado de alma aos quatro ventos é porque no fundo esconde qualquer coisa, lança-se a dúvida.

Quando a dúvida não resulta começa o processo de intriga e má-lingua. Nesta fase inicia-se um afastamento silencioso mas nada respeitoso, apenas estratégico.
Nos bastidores de tudo a ignorância vai fazendo o seu caminho de mão dada com a arrogância da estupidez.
Mesmo aqueles a quem ajudaste não te reconhecem o mérito, apenas te devolvem inveja e desprezo.
Sentem-se desrespeitados por não viveres na zona cinza da vida, como eles.
O despeito que sentem leva-os a baloiçarem muito facilmente entre um descabido excesso de auto estima e uma profunda insegurança nascida da falta de amor-próprio.

O seu próprio umbigo é o centro do universo e para além deles nada mais existe.
Tenta afastar-te dessas pessoas. Se por motivos de força maior tal não for possível, então só te resta uma saída, tens de largar essa opulência sentimental e viver esses momentos para ti e para os teus, aqueles que realmente te amam.


Não sejas extravagante na exibição da felicidade, por dois motivos. O primeiro é o mais obvio, a felicidade é um estádio passageiro e intermitente, é por isso muito fugaz. O segundo motivo é menos evidente, mas muito mais contundente, a inveja de terceiros. Eles podem fazer-te a vida negra, não vão descansar enquanto não te virem na mó debaixo, “Eu não disse que aquilo não durava muito, vês?”, "Era só fogo de vista..."

A felicidade deve ser vivida em recato e paz, sem exibicionismo, senão a coisa pode correr mal. O sucesso incomoda os néscios. 

As tristezas sim devem ser partilhadas. O fracasso desperta solidariedade. Essas pessoas gostam de ver o outro em baixo, por dois motivos. O primeiro tem a ver com eles próprios, sentem-se melhor porque existe outro que está bem pior. O segundo motivo porque têm a oportunidade de oferecer ajuda, o que é uma boa forma de afagar o seu ego, sentindo-se úteis.

Portanto o melhor é partilhares as tristezas e guardares os momentos felizes para ti e para os teus.

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