Tratamento de temas interessantes de uma forma desinteressante. Abordagem inconsequente acerca da consequência das coisas. Tudo será devidamente tratado, mas sem qualquer resolução. Os leigos também têm direito a opinião...

sábado, 19 de novembro de 2016

Economicismo social

Ele estava muito triste com a vida.

Porque não há justiça?

Porque não pára a roda do infortúnio?

A ironia era cruel. Estava num congresso sindical em que se debate a conciliação entre o trabalho e a família. No mesmo momento recebe uma mensagem da mulher a dizer que o filho ia ficar sem trabalho. O contrato de trabalho a termo estava a caducar e não iria ser renovado.

Respira fundo, lamenta para si em silencio sentindo-se só rodeado de gente.

Durante um ano o filho, agora com 20 anos, desempenhara funções de jardinagem ao serviço do município. Fora muito bem aceite pelos colegas. Enquadrou-se perfeitamente no meio. Era visto como um elemento válido não obstante as suas limitações intelectuais e físicas.

Há anos atrás os médicos não conseguiram chegar a um diagnóstico correcto, os critérios de análise das limitações da intelectuais da criança eram inconclusivos. Era preciso arrumar uma prateleira clinica, então surge a designação: microcefalia. É decretado que tem um grau de limitação superior a 77%, portanto é oficialmente considerado pelo Estado um cidadão com um handicap funcional segundo os termos da lei. No âmbito de alguns acordos entre a escola profissional que frequentava e a autarquia onde residia, conseguiu colocação nos serviços camarários, durante cerca de um ano em regime de voluntariado, sem remuneração e outro ano com uma compensação inferior ao ordenado mínimo nacional.

Contaram os próprios colegas que quando chegou era quase sempre o primeiro e colocava-se na porta de entrada a cumprimentar todos os colegas que entretanto iam chegando para iniciar a jornada de trabalho. Este procedimento consecutivo e diário obrigava os colegas a cumprimentá-lo. Em pouco tempo todos começaram a cumprimentar-se pela manhã, coisa que se mantém até hoje, ao contrario do era costume.

Agora a chefe de divisão recém empossada, uma tecnocrata financeira, diz que ele não reúne as competências necessárias para o desempenho que lhe é exigido. Mas se quisesse permanecer como voluntário poderia ficar.

Naquela cadeira incómoda com vozes imprecisas em redor pensava: estamos, claro, a falar de economicismo. É este o Estado Social? Como é possível?

Quando se trata de integração de uma pessoa com deficiência no mundo do trabalho, uma autarquia demite-se da sua própria responsabilidade? 

Trata-se de economicismo social para poupar? Não se apercebem que o custo poderá vir a ser muito superior? Não há responsabilidade social?

Claro que o problema havia de ser resolvido, sempre foi assim, mas não havia necessidade de ter esta preocupação se a legislação, a exemplo de outros países, tivesse estipulada uma obrigatoriedade de integração de cidadãos portadores de deficiência, com determinados critérios ajustados às especificidades de cada um deles.

Para si não tinha duvida nenhuma que alguém com algum tipo de incapacidade, desde que não afecte o desempenho da sua tarefa, esforça-se muito mais do que outro qualquer. Por este motivo o Estado só tem a ganhar quando integra uma pessoa portadora de deficiência na vida activa, contribuindo com o seu trabalho para o bem comum, criando os alicerces da sua própria autonomia.

Não só pelo seu filho, mas por todos os outros em circunstancias idênticas, nesse dia decidiu que tudo haveria de tentar para que um dia venha a ser reconhecida a efectiva atribuição de preferência no acesso à função publica de cidadãos portadores de deficiências não incapacitantes para o trabalho.

terça-feira, 1 de novembro de 2016

Imposto sobre o patrimonio.

Vou colocar um post pouco habitual neste blog.

Não sou fã do Bloco de Esquerda, mas estou absolutamente de acordo que se tribute o património imobiliário.

Defendo que o valor mínimo tributável deveria ser a partir de 1M de património imobiliário acumulado, sem excepções.

Não tenho nada contra quem tem muito, apenas tenho contra quem não paga impostos.

Se não formos por este caminho, serão sempre os mesmos que pagam esta pouca vergonha. Estou farto de sustentar pançudos...

Aqueles que realmente se podem queixar são aqueles que não declaram o que realmente ganham, porque o património imobiliário não é fungível. A menos que o destruam, pode ser sempre colectado, independentemente de quem o possua.

Conhecem alguém que tenha um património imobiliário de 1M € e que não consiga suportar uma taxa de 0,5% ?

O que eu quero dizer é que a forma mais justa de colectar aqueles que ocultam rendimento é através do património imobiliário, porque no caso de ser incomportável podem sempre aliená-lo.



Atenção que eu defendo a tributação a bens imóveis residenciais acima de 1 M€, não defendo nenhum aumento  na tributação de capital ou de rendimento...

Não existe nada mais prejudicial à economia do que o capital imobilizado. A acumulação estéril de riqueza gera pobreza e desagregação social no longo prazo e não é isso que as sociedades modernas precisam, pois não?

O investimento deve ser incentivado, a acumulação em imobilizado não produtivo deve ser penalizada. É muito simples e nem sequer é novidade, nos países nórdicos é assim que se faz.

De qualquer modo não se preocupem porque uma taxa destas nunca será implementada desta forma.

Acham que os lobistas o iriam permitir?

Nem pensar...Os gabinetes de advogados, as associações secretas, as elites, as cúpulas deste país nunca o iriam permitir...Olha quem...


O poder de uma foto.

A partir de uma simples fotografia abre-se na nossa imaginação uma janela colorida que nos faz viajar por onde quisermos sem nos limitarmos no tempo ou no espaço. Se não tivermos desligados das amarras do tempo e espaço perdemos toda a beleza dessas viagens imaginárias porque nos cingimos ao momento passado, instantâneo e ao espaço definido, limitado.

Detesto rever fotografias numa perspectiva estática de passado porque muitas vezes me deixa triste, por ser tempo vivido que jamais se repetirá. Por isso muito raramente revejo fotografias das minhas vivências, mas gosto muito de viver os instantes dos outros, porque para mim são os primeiros, não os vivi, o passado dos outros é o meu presente, muitas vezes com projeções de futuro.

Atendendo a esta fotografia reparei que as cinco amigas estão em contra mão, então, pus-me a pensar...
Podem não estar, porque se for em Inglaterra, estão bem.

Mas esta vegetação não é tipicamente inglesa e reparei também que o bom tempo também não.

Então conclui, só pode ser na Austrália ou na Nova Zelândia.

Mas colocou-se outra duvida. Por que só duas delas levam uma mochila às costas?

É  fácil concluir que vão para a faculdade e que estas duas levam os livros das outras moças.

Mas vão de calções? Claro, está calor...


Então nesta foto é evidente que se trata de uma sessão de autógrafos de uma escritora famosa. Nota-se o interesse e devoção dos admiradores.

Da análise cuidada que faço da foto penso que possivelmente  se trata de uma escritora com influencia naturalista, dado que segundo o Naturalismo, o homem é desprovido do livre-arbítrio, ou seja, o homem é uma máquina guiada por vários fatores: leis físicas e químicas, hereditariedade e meio social, além de estar sempre à mercê de forças que nem sempre consegue controlar. Para os naturalistas, o homem é um brinquedo nas mãos do destino e deve ser estudado cientificamente.

Em relação à imagem ao lado verificamos uma temática diferente. Imagino que o proprietário da moradia terá utilizado esta foto para enviar ao empreiteiro que lhe construi a piscina.

Quando o arquitecto desenhou o jardim da vivenda colocou uma piscina que deveria ter cerca de 20 metros. Ora o empreiteiro acrescentou um zero à medida, depois achou que ficava muito grande e resolveu converter em polegadas, desta forma a piscina ficou com apenas 5,08 metros.

Como se pode ver pela foto a piscina ficou muito pequena para as sobrinhas conseguirem entrar ao mesmo tempo. É indiscutível que a razão está do lado do proprietário. Por aqui se comprova a importância que pode ter uma imagem em situações de litigância comercial.

É realmente admirável o poder de uma foto.