Tratamento de temas interessantes de uma forma desinteressante. Abordagem inconsequente acerca da consequência das coisas. Tudo será devidamente tratado, mas sem qualquer resolução. Os leigos também têm direito a opinião...

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Hipocrisia (reflexões de outros)

"Hipocrisia é pretensão ou fingimento de ser o que não é. Hipócrita é uma transcrição do vocábulo grego "hypochrités". Os actores gregos usavam máscaras de acordo com o papel que representavam numa peça teatral. É daí que o termo hipócrita designa alguém que oculta a realidade atrás de uma máscara de aparência."
In Wikipédia

“Um hipócrita lembra-me um homem que assassinou os pais e que, quando vai receber a sentença, pede clemência alegando ser órfão”.
Abraham Lincoln

"Existem infinitamente mais homens que aceitam a civilização como hipócritas do que homens verdadeiramente e realmente civilizados, e é lícito até perguntarmo-nos se um certo grau de hipocrisia não será necessário à manutenção e à conservação da civilização, dado o reduzido número de homens nos quais a tendência para a vida civilizada se tornou uma propriedade orgânica."
Sigmund Freud

"Ninguém pode, por muito tempo, ter um rosto para si mesmo e outro para a multidão sem no final confundir qual deles é o verdadeiro."
Nathaniel Hawthorne

"Podemos pretender ser quanto queiramos; mas não é lícito fingir que somos o que não somos."
José Ortega y Gasset

"Um homem pode agradar e sorrir e não passar de um facínora."
William Shakespeare

"Sei que pareço um ladrão...
mas há muitos que eu conheço
que, sem parecer o que são,
são aquilo que eu pareço."

"Eu não sei porque razão
Certos homens, a meu ver,
Quanto mais pequenos são
Maiores querem parecer."
Antonio Aleixo

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Frente fria

Azul celeste e limpido
Claridade fria que nos gela
Futuro opaco que não se vê
Se seremos nós que não outros
Vivendo tristes desde agora
Cerramos as portas por dentro
Fechamos em nós o medo.

O fogo dentro queima
Nós aqui nos quedamos
Por fora o frio gela
Onde pára a beleza de tudo?
De sobra nos falta vida
Eterno eco do passado
Esperando viver um dia.

Frente fria que no vento sopra
Gelo no vidro
Bafo quente que vem do peito
Condensa vapor no vitral
E o liquido escorre em agua
Cristalina e indiferente
Chove dentro e fora de nós.

(Pensando na próxima geração, a dos meus filhos...)

domingo, 29 de janeiro de 2012

Niilismo



"Trata-se de uma tendência filosófica de reduzir todas as crenças a puras convicções do sujeito. O niilismo destitui-se de crenças. Há vários tipos de niilismo. Os mais conhecidos são: niilismo político; niilismo metafísico; niilismo existencialista. Alguns pensadores modernos também dividem o niilismo entre ativo e passivo." In wiktionary.

Embora seja um termo muito pouco utilizado no dia a dia, é a atitude dominante dos nossos dias.

Quantas vezes verificamos alguém a defender um determinado pressuposto e o seu contrario como verdadeiros? A verdade para esses indivíduos é meramente conjuntural.

A ausência de moral serve perfeitamente como instrumento  da capacidade argumentativa para atingir um determinado fim.

Os conceitos de bem e de mal são utilizados ao sabor de compromissos ora assumidos, ora impostos.

A moral torna-se amoral...

O ideal, transforma-se em ideário político.

O niilismo não é apenas a negação de Deus enquanto entidade suprema, não é apenas o vazio existencialista. O niilismo é a possibilidade positivista que cada um tem de construir a sua própria moral, para o bem e para o mal.


Pois, mesmo não concordando com ele, foi Nietzsche quem antecipou o desenvolvimento amoral do mundo Ocidental durante o séc. XX, e escreveu:


"A moral não tem importância e os valores morais não têm qualquer validade, só são úteis ou inúteis consoante a situação" (...) "A verdade não tem importância; verdades indubitáveis, objectivas e eternas não são reconhecíveis. A verdade é sempre subjectiva" (...) "Deus está morto: não existe qualquer instância superior, eterna. O Homem depende apenas de si mesmo" (...) "O eterno retorno do mesmo: A história não é finalista, não há progresso nem objectivo".

Claro que aqueles que no seu dia a dia são puros niilistas, vivem em permanente negação. Rejeitam o vazio das suas próprias existências. Tentam justificar o injustificável.

Qual é a razão de ser do desabrochar de uma flor? Não há razão de ser, é apenas um facto. Tudo o resto não passa de uma reflexão metafísica sem sentido. Factos são factos.

Os outros, os que têm a consciência existencial do niilismo, preenchem esse vazio vivendo sem crenças compensatórias de redenção. Crêem apenas no eterno retorno da substância.

São esses os que estão sós e sem desculpas, como declarou Jean Paul Sartre.

domingo, 22 de janeiro de 2012

Israel na Austrália. Porque não?

"O objetivo da "Solução Final" era exclusivamente o de exterminar todos os judeus europeus. Assim, nos campos de extermínio, as SS e a polícia alemã assassinaram cerca de 2.700.000 judeus utilizando mecanismos de asfixia por gás venenoso ou por fuzilamento, 3.300.000 outros israelitas morreram devido às atrocidades cometidas contra eles pelos alemães e seus colaboradores, por fome, maus-tratos, espancamento, frio, doenças, experiências “médicas” e outras formas de crueldade inimagináveis. No total, seis milhões de judeus - homens, mulheres e crianças - foram mortos pelos nazis durante o Holocausto, aproximadamente 2/3 dos judeus que viviam na Europa antes da Segunda Guerra Mundial."

In A solução final, Holocaust Memorial Museum, Washington DC

Esta temática é muita vezes esquecida nos dias de hoje. Geralmente surge-nos como historia distante, tratada em filmes dos anos 50 e 60. Aconteceu à 67 anos e os seus efeitos perduram até hoje.

Uma das consequências da 2a Guerra Mundial foi a criação do Estado de Israel.


Em Maio de 1948 é declarada a independência do Estado de Israel. 

No dia seguinte os países muçulmanos vizinhos declararam guerra e um após outro os conflitos mantém-se até hoje.


A população de Israel é constituída por 7,5 milhões de habitantes dos quais cerca de 6 milhões são judeus.

A colocação do estado judaico naquela zona do mundo foi, quanto a mim, um erro monumental.

O erro surge após a primeira Grande Guerra, quando é atribuído ao Reino Unido a responsabilidade de ser a potência administrante da Palestina. Em 1922 o mandato era semelhante à "Declaração Balfour".

Esta declaração havia sido proferida pelo ministro de negócios estrangeiros britânico Arthur Balfour, que em 1917 afirmara: "O governo de Sua Majestade encara favoravelmente o estabelecimento na Palestina de um lar nacional para o Povo Judeu…", a comunidade internacional acreditava ingenuamente que naquela zona seria constituído um estado em que judeus e muçulmanos conviveriam em paz.

Não está em causa o direito dos judeus se constituirem num Estado soberano e independente dado que o seu povo é uma nação com a sua própria identidade histórica, cultural e religiosa.

Na minha opinião o Estado de Israel deveria ter sido constituído na Austrália.

Para os australianos seria uma forma de ocupar e desenvolver as zonas interiores do deserto. É de recordar que a Austrália foi tendo ao longo do sec. XX campanhas de suporte e captação de imigração para povoamento do seu vasto e árido território, pelo que não se iria opor à ideia.

Para os judeus seria uma pátria em que poderiam viver em paz, sem a indesejável vizinhança.

Para a comunidade internacional seria menos uma dor de cabeça. Os muçulmanos deixariam de ter mais esta desculpa para escoar a sua agressividade. O inimigo sionista já não estaria ás suas portas.

Quando os diplomatas não têm visão os povos é que sofrem. Vejamos o que se passa no Médio Oriente...

domingo, 15 de janeiro de 2012

As lendas que são lendas


WYATT EARP (1848-1929)
No cinema é retratado como um jogador profissional e honesto, pistoleiro rápido e certeiro e homem corajoso, que teria muito sucesso com as mulheres.

Embora seja retratado como um temido xerife, apenas desempenhou funções policiais durante 5 anos. A sua restante vida é passada a jogar à batota e a viajar pelo sudoeste americano investindo os lucros do jogo em bares e casinos. Roubou cavalos, foi vigarista, abandonou a mulher em pleno deserto.

Participou num tiroteio famoso em Tombstone. Os irmãos Earp sobreviveram e mataram 3 elementos do outro gang já depois destes se terem rendido. Nada honroso.

Wyatt Earp morreu de morte natural, pouco antes que Stuart Lake, o escritor, publicasse a falsa biografia que o celebrizaria e que faria Wyatt o protótipo do herói do Oeste. O cinema e a televisão ergueram-lhe um monumento que o mundo admira. Um homem tão corajoso que uma vez foi esbofeteado num bar e não reagiu. 

Ficam as palavras do Juiz Benson: “Wyatt Earp... Bígamo, trapaceiro e velhaco.”


JESSE JAMES (1847-1882)
O realizador Nicholas Ray deu-lhe um tratamento benevolente e generoso, dando a ver que ele não passou de mais uma vítima da violência e das injustiças sociais, provocadas pela Guerra Civil Americana e que só agiu movido pelas circunstâncias. É retratado como um "fora da lei" que roubava aos ricos para dar aos pobres.

Na verdade roubou diligencias, comboios e assaltou 11 bancos. Não consta que tivesse oferecido fosse o que fosse. Matou 16 pessoas, duas das quais eram funcionários bancários desarmados.

Foi morto pelas costas por um companheiro do gang que recebeu uma recompensa pela captura.

A mãe morreu na miséria a vender lembranças aos turistas que vinham visitar a campa do seu filho mais famoso em Kearney, Missouri.





BILLY the KID (1859-1881)
No écran transparece uma figura jovem que praticamente foi obrigado a seguir uma carreira no crime. Afinal ele apenas queria divertir-se. Praticamente foi obrigado a seguir uma carreira no crime.


Nem de propósito James Dean foi convidado para fazer o papel, mas não chegou a fazê-lo.


Na realidade Billy the Kid não foi mais que um psicopata que matou 21 pessoas, pelo menos, dado que na época mexicanos e indios não contavam. Estas mortes eram perpetradas em emboscadas e assaltos, não em duelos por defesa da honra.

Tal como Jesse James, foi morto por um amigo numa emboscada.


KIT CARSON (1809-1868)
O guia do Oeste selvagem, defensor da justiça e dos indios. Enquanto percorreu os estados do norte esta imagem correspondeu aquilo que tantas vezes li nos livros de quadradinhos da minha infância. Possivelmente porque o indios Cheyennes e Utes nunca manifestaram oposição aos avanços do exército americano.

Só quando o coronel Carson foi incumbido de fazer o mesmo no Novo México e Arizona é que tudo passou a ser diferente. Privou os Navajos dos seus pastos e retirou-lhes o sustento de Inverno, levando à morte por fome guerreiros, mulheres e crianças. Os indios foram então obrigados a confinar-se ás reservas.


BUFFALO BILL (1846-1917)
O corajoso aventureiro e batedor da cavalaria americana. Foi carteiro da Pony Express, condutor de diligencias, ferroviário e gerente de hotel.

A maioria das suas aventuras nunca ocorreram, faziam parte de um espectáculo, uma espécie de circo, que ele organizou: O Buffalo Bill's Wild West Show.

Na verdade ele tinha sido um intrépido caçador de búfalos, pensa-se que só à sua conta terá abatido cerca de 5.000. Deu um elevado contributo para a quase extinção da espécie.

É triste chegarmos à conclusão que o nosso imaginário da juventude não passa disso mesmo: imaginário.

As figuras são manipuladas ao sabor de interesses comerciais para se tornarem exemplares aos nossos olhos. 

Hoje sabemos que estes pseudo-heróis afinal não passaram de uns párias para a sociedade em que viveram.

O romantismo daqueles personagens é derrotado pelos factos da historia e nós que queremos acreditar em algo belo e puro, somos confrontados com a dura verdade de que as lendas se constroem a partir da deturpação da realidade.