Tratamento de temas interessantes de uma forma desinteressante. Abordagem inconsequente acerca da consequência das coisas. Tudo será devidamente tratado, mas sem qualquer resolução. Os leigos também têm direito a opinião...

segunda-feira, 26 de março de 2012

Novas regras para melhorar o futebol

1. O Campo
Deve ser inclinado. Nenhuma equipa é prejudicada, porque mudam de campo ao intervalo. Assim descansam 45 minutos.

2. A bola
Deve haver uma bola para cada jogador, para evitar disputas.

3. Número de jogadores
14 para não se perder tempo com substituições.

4. Equipamento dos jogadores
Desenhado por estilistas nacionais com várias colecções sazonais.

5. Arbitro
Não é necessário, as equipas auto regulam-se.

6. Arbitros assistentes
Não são necessários, torna-se a organização mais barata.

7. Duração da partida
Muda aos 5, acaba aos 10. Aumenta as emoções do jogo.

8. Inicio e reinicio do jogo
Com bola ao ar, como no basket.

9. Bola em jogo e bola fora
Só pára o jogo quando saem todas.

10. A baliza
Sem postes para que as bolas não ressaltem.

11. Fora de jogo
A partir de 5 metros paga multa.

12. Faltas e condutas irregulares
Decide-se no momento entre todos e sem cartões.

13. Livre directo ou indirecto
Decide o lesado.

14. Pénalti
Não há. Acabam-se com as áreas.

15. Lançamento lateral
Não há. Bola que sai já não entra para não haver anti-jogo.

16. Pontapé de baliza
Não há. Bola que sai já não entra para não haver anti-jogo.

17. Pontapé de canto
Substitui os pontapés de baliza.

sábado, 17 de março de 2012

A 9ª Sinfonia de Beethoven

Os CDs foram inventados para comportar 72 minutos de música porque este é o tempo exacto de duração da 9ª Sinfonia de Beethoven.

Em 1824 surge a Sinfonia nº9 em Ré Menor. Pela primeira vez na história da música é inserido um coral numa sinfonia, a aliança entre as artes irmãs: a poesia e a música.

A partir de Beethoven a música nunca mais foi a mesma. As suas composições eram criadas sem a preocupação de respeitar regras.

Inaugura a tradição de compositor independente, que escreve música para si, sem estar vinculado a um príncipe ou a um nobre mecenas que lhe custeasse a existência.

Hoje em dia muitos críticos consideram-no, em conjunto com Mozart, como os maiores compositores de todos os tempos.

A ele se deve o inicio do período Romântico.

Conta-se que um dia perguntaram a Wagner quem seria o maior compositor daquela época. Ele respondeu:

- Eu próprio !

- Então, e Beethoven ?

- Ele é a própria musica !

A sinfonia n.º 9 tem um papel cultural de extrema relevância no mundo actual. Em especial o 4. Andamento, o "Hino à Alegria", foi rearranjada por Herbert von Karajan para se tornar o hino da União Europeia.

Foi apresentada pela primeira vez em 7 de maio de 1824, em Viena, Áustria. Dirigiu o maestro foi Michael Umlauf, director musical do teatro.

Beethoven, já em adiantado estado de surdez, teve direito a um lugar especial no palco mas não pôde dirigir.

Como é irónico que alguém, que nunca ouviu a composição, nos tenha legado uma obra que ainda hoje, duzentos anos depois, nos maravilha.

domingo, 4 de março de 2012

O lobo e o leão.

Um Lobo que acabara de roubar uma ovelha, depois de reflectir por um instante chegou à conclusão que o melhor seria levá-la para longe do curral, para que enfim, fosse capaz de servir-se daquela merecida refeição, sem o indesejado risco de ser interrompido por alguém.

Os seus planos foram bruscamente gorados quando no caminho se cruzou com um poderoso Leão, que sem qualquer conversa lhe levou a ovelha.

O Lobo contrariado mas sempre a uma distância segura do seu oponente, disse em tom injuriado, com uma certa dose de ironia:

- Não tens o direito de tomar para ti aquilo que por direito me pertence!

O Leão sentindo-se um tanto ultrajado pela audácia do seu concorrente, olhou em volta, como o Lobo estava longe demais e não valia a pena o inconveniente de persegui-lo, apenas para lhe dar uma merecida lição disse com desprezo:

- Pertence-te ? Por acaso compraste ? O pastor deu-te como presente? Desculpa a ovelha foi tão tua, como agora é minha...

E foi-se embora com a ovelha.

Moral da História:
Aquilo que se consegue a mal, a mal se perde.

Fábula escrita na Grécia por Esopo por volta do ano 620 A.C.

Quando lemos esta fábula 2.600 anos depois, não podemos deixar de sorrir com a sua bonomia e ingenuidade.

Hoje em dia toma-se posse ilegítima de bens ou ideias com a maior desfaçatez, muitas vezes protegidos até pela lei.

Após a apropriação torna-se absolutamente irrelevante a forma como se assumiu a posse. São-lhes prestadas todas as honrarias e benesses, como se sempre lhes tivessem pertencido por direito natural. Muitas vezes são condecorados pelo próprio Estado.

O furtar, extorquir, plagiar, esquivar-se e o especular, vão sendo legitimados por habilidades jurídicas praticadas em oportunismos de circunstancia que apenas servem para branquear e regularizar actos fraudulentos.

São estes "Oportunistas", que hoje são descritos como: "Indivíduos que revelam grande sentido de oportunidade". São pessoas audaciosas e astutas, muito consideradas e vistas pelos seus pares como uns vencedores e exemplos de sucesso.

Uma vez detentores daquilo que não lhes pertence, nunca mais a posse é questionada, até porque ela se esconde em formalismos jurídico-legais que protegem o obscurantismo da propriedade em instrumentos constituídos anonimamente: Sociedades Anónimas, Off-Shores, SGPS, Fundos Investimento, Títulos não nominativos, etc...

Os próprios herdeiros tomam como seu o que ilegitimamente foi subtraído pelos predecessores. Crescem convictos que essa forma de viver é o paradigma do sucesso. Conscientes desses procedimentos, tudo fazem para perpetuarem e engrandecerem a vantagem obtida.

Neste ciclo se mantém a nossa sociedade.

Também com a minha ingénua bonomia acredito que um dia virá em que os Lobos e Leões serão abordados pelos Pastores que lhes pedirão contas pelas ovelhas furtadas.

sábado, 3 de março de 2012

Após a tempestade vem a bonança

Vendavais de som abafado
Ondulantes flutuações de suores frios
Secura nos lábios que antevêem a ânsia
A sofreguidão inevitável
Que antecede o embate
Torrentes de lava escorrem
Laranja de cor, de barro brilhante
No meio dos montes que apertam o vale
Temperatura que sobe num bafo quente e húmido
Desliza sedoso, macio e violento
Magnética atracção fatal do destino
Abafa no peito um grito gutural
Animal de sensações plenas no espirito
Em vão tenta parar a corrente liquida e veloz
Um rio pujante de vida que torna
Calma fluente, a lama arrefece
Sossega enfim, bordejando as margens
O curso normal repõe-se
E nós enfim suspiramos aliviados:
Após a tempestade vem a bonança...

domingo, 26 de fevereiro de 2012

O mais antigo Classico do futebol mundial

retirado do site oficial da FIFA.

Edimburgo é a capital e o centro político da Escócia. Todos os anos, ela atrai milhões de turistas ao seu famoso castelo, ao seu renomado festival cultural e às suas históricas ruas de pedra. Porém, no mundo do futebol, a cidade sempre viveu à sombra de Glasgow. A vizinha ao oeste, maior e mais populosa, é sem dúvida a capital futebolística escocesa. Nela foi estabelecido o recorde de público na Europa, quando 149.415 pessoas lotaram o Hampden Park em 1935. O estádio também é palco da acirrada disputa entre Celtic e Rangers pela supremacia do futebol nacional — rivalidade que se renova todos os anos no célebre "Old Firm", o maior clássico do país.

Juntos, os dois clubes de Glasgow — os principais da Escócia — somam nada menos do que 95 títulos nacionais. Por isso, seria normal esperar que o clássico de Edimburgo, entre Heart of Midlothian e Hibernian, fosse considerado menos relevante do que o embate entre Celtic e Rangers. No entanto, o dérbi da capital escocesa acabou desenvolvendo uma identidade própria. No próximo domingo, o Hibernian recebe o seu maior adversário no estádio Easter Road para a 616ª partida entre ambos, reeditando uma das rivalidades mais antigas do futebol mundial.
Como tudo começou
Edimburgo assistiu à primeira edição do seu dérbi no dia de Natal de 1875. O Hearts — apelido carinhoso do clube, fundado um ano antes —levou a melhor, vencendo por 1 a 0 aquela que também foi a primeira partida competitiva do Hibernian. Com o surgimento de outros torneios regionais e nacionais, não demorou para que as duas equipes começassem a se enfrentar até dez vezes na mesma temporada, o que aumentou ainda mais a rivalidade entre ambos.

Naquele tempo, já existiam outros clubes na cidade, mas, assim como em Glasgow, o futebol da capital escocesa acabou polarizado entre um clube da elite, o Hearts, e outro popular nas zonas mais humildes, o Hibernian, apoiado especialmente pela classe operária de origem irlandesa. A diferença entre Edimburgo e Glasgow é a origem da rivalidade. Enquanto na maior cidade da Escócia a religião e os traços étnicos estão por trás da disputa, no caso da capital é a geografia que explica o embate. A maior parte da torcida do Hibs vive nas zonas leste e sul da cidade, enquanto os adversários estão mais concentrados na região oeste.

O clima nos dias de jogo quase sempre é marcado por uma grande hostilidade e, durante a partida, as entradas dos atletas de ambas as equipes são, muitas vezes, duríssimas. Porém, o dérbi de Edimburgo em geral não chega ao ponto de ser influenciado pelo ódio cego que deteriorou o clássico de Glasgow. Por isso, não é tão incomum encontrar famílias "divididas" entre os dois clubes.

Pat Stanton, um dos craques históricos dos Hibs e que também defendeu o Celtic, definiu bem a diferença entre os dois encontros. "Cresci em Edimburgo e sempre torci para o Hibernian", disse. "Por isso, esse clássico sempre foi o momento mais importante para mim. Mas eu tinha e continuo tendo muitos amigos que torcem para o Hearts e sempre nos juntamos para tomar umas cervejas depois da partida. Acho que as pessoas se dão conta de que é só um jogo, mesmo que seja um que todos queiram desesperadamente ganhar."

No entanto, pela complexidade da disputa e pelo fato de que há 50 anos nenhum clube de Edimburgo vence o campeonato nacional, é inegável o clima de tensão às vésperas de cada um dos clássicos da cidade. Csaba Laszlo, técnico húngaro que passou por vários clubes europeus durante a carreira, incluindo o Hearts, atribuiu este nervosismo à importância que o futebol tem na cultura escocesa. "A personalidade das pessoas é diferente aqui", afirmou certa vez. "O que eu adoro na Escócia é que todo mundo só fala de futebol. O interesse pelo esporte é maior e, na cidade, só se comenta sobre o clássico e o esporte. O amor pelo futebol é mais valorizado aqui do que em outros países."

Números
Os dois clubes estão empatados em número de títulos — quatro para cada lado. Mas o Hearts leva uma vantagem indiscutível no confronto direto: tem 273 vitórias, contra 198 do Hibernian. Estes números incluem competições locais e foi em uma delas que o Heart of Midlothian conquistou a maior vitória no clássico: um 10 a 2 em 1893, partida que também registra a maior quantidade de gols entre os dois clubes.

A torcida do Hearts também lembra saudosamente da sequência de 22 partidas invictas contra o rival entre as décadas de 1980 e 1990, além da vitória por 2 a 1 no dia em que o clássico teve o seu maior público: em fevereiro de 1955, 65.860 pessoas lotaram Easter Road. O único consolo do Hibs nas estatísticas é ter a maior vitória no dérbi pelo Campeonato Escocês: uma celebrada goleada por 7 a 0 sobre o arquirrival no dia 1º de janeiro de 1973.

Lendas e anedotas do passado
Aquele encontro talvez seja considerado um dos pontos altos da cultura popular que gira em torno do Hibs, mas o jogo mais marcante entre ambas as equipes aconteceu há 114 anos, na final da Copa da Escócia de 1896. Foi a única vez na história que a decisão do torneio foi disputada fora de Glasgow e apenas por equipes de Edimburgo. E quem saiu triunfante foi o Hearts, que venceu por 3 a 1. Aliás, os primórdios do clássico são marcados por vitórias memoráveis da equipe de Tynecastle. A vitória por 8 a 3 em 1935, por exemplo, é uma das que teve mais incidentes nos embates entre os dois clubes.

Contudo, o Hibs logo começou a ter os seus ídolos. Foi o setor ofensivo com os "Cinco Famosos" que ajudou o clube a conquistar três Campeonatos Escoceses entre 1948 e 1952. Gordon Smith, um dos integrantes daquele histórico quinteto, voltou a vencer a competição em 1960, dessa vez defendendo o Hearts. Por conta disso, ganhou um lugar na história do futebol de Edimburgo. Mais tarde, em 1962, conquistou novamente o torneio nacional com um terceiro time de fora de Glasgow, o Dundee.

Aliás, foi Eddie Turnbull, outro integrante dos "Cinco Famosos", quem dirigiu o Hibs naquela histórica vitória por 7 a 0, durante o bom período que teve como técnico da equipe. No entanto, não demorou muito para que a balança voltasse a pender para o outro lado. Na década de 1980, o Hearts ganhou o seu herói do clássico contra o arquirrival: John Robertson, apelidado de "O Destruidor do Hibs", é até hoje o maior goleador do dérbi em jogos pelo campeonato nacional, com 27 gols.

Recentemente, entre os jogos mais inesquecíveis protagonizados pelos dois clubes, está o empate em 4 a 4 de 2003. Naquele jogo, o jovem Graham Weir, de apenas 18 anos, marcou duas vezes nos descontos para dar um ponto ao Hearts. A semifinal da Copa da Escócia de 2006 foi ainda mais marcante. Naquela partida, o Hearts goleou por 4 a 0, antes de conquistar o troféu que o Hibernian vem cobiçando desde 1902. No entanto, o clube de Easter Road conseguiu a revanche e uma taça no ano seguinte, após derrotar o arquirrival por 1 a 0 nas quartas de final da Copa da Liga e depois levar o título.

O momento
Os raros e espaçados triunfos dos dois clubes e a incapacidade compartilhada de disputar troféus com as equipes de Glasgow levaram o então presidente do Heart of Midlothian, Wallace Mercer, a fazer uma proposta radical em 1990: fundir os dois times. Um "Edinburgh United", capaz de romper o domínio de Rangers e Celtic, era o sonho de Mercer, que chegou a comprar 60% das ações do Hibs, mas viu o seu plano ir por água abaixo diante da forte oposição da indignada torcida do Hibernian.

A chegada do investidor lituano Vladimir Romanov ao Hearts, em 2005, despertou a esperança de títulos sem a necessidade de medidas como a proposta de Mercer. No entanto, apesar da conquista do vice-campeonato no ano seguinte — que acabou com o monopólio de mais de uma década das equipes de Glasgow nas duas primeiras posições da tabela —, a promessa não se cumpriu.

Por sua vez, nos últimos dez anos o Hibs tem revelado uma série de jogadores que se tornaram titulares da seleção escocesa — todos saídos das categorias de base do clube. No entanto, a equipe segue mergulhada em uma fase de instabilidade. Prova disto é o fato de o recém-contratado técnico Colin Calderwood ser o oitavo treinador do time em menos de nove anos.

Desde que assumiu o comando, Calderwood viu a sua equipe despencar para o penúltimo lugar na classificação. Por isso, o clássico do próximo domingo não parece ser o momento ideal para a estreia de um treinador diante da própria torcida. Para ele, no entanto, este pode ser "o início perfeito" para a sua gestão. Se conseguir uma vitória que dê aos torcedores do Hibernian a chance de fazer piadas com os adversários, ele pode estar certo.