Tratamento de temas interessantes de uma forma desinteressante. Abordagem inconsequente acerca da consequência das coisas. Tudo será devidamente tratado, mas sem qualquer resolução. Os leigos também têm direito a opinião...

domingo, 2 de dezembro de 2012

Livro: Na margem do Rio Piedra sentei e chorei - Paulo Coelho


Paulo Coelho foi um autor que me despertou curiosidade por haver sempre em exposição em qualquer livraria. Muito prolífico, muitos títulos apelativos e capas comerciais. Nunca tive oportunidade de ler.

Resolvi, finalmente comprar e tentar ler.

Disse bem: tentar, porque tentei por duas vezes lê-lo até o fim e não consegui.

A linguagem é simples e directa, mas plena de lugares comuns e construções mecânicas. O leitor pouco intervém no romance repleto de imagens e raciocínios pre-concebidos e fechados.

A narradora é enfadonha, analítica e profundamente dogmática.

Um romance cheio de parábolas pouco conseguidas, próprias para colocar em notas de rodapé.

Não recomendo. Por mim Paulo Coelho está descartado da minha biblioteca.

Não quero ser injusto, mas trata-se de um escritor demasiado estereotipado.

Livro: Cem anos de solidão - Gabriel Garcia Marquez

Marquez coloca-nos perante a transitoriedade da humanidade e a eternidade da Natureza, numa escrita sublime e fantástica.

Para mim o personagem fulcral é o tempo. É o tempo que transporta o romance e o leitor para um universo fantástico mas real. Damos por nós a tomarmos consciência da nossa própria insignificância porque o ciclo da vida é eterno mas sem retorno, Macondo é o planeta Terra.


O humor é negro e quase trágico, num romance intemporal e absolutamente genial.

Muito modestamente faço a minha vénia ao génio de Gabriel Garcia Marquez, de tudo o que li até hoje: o melhor livro de todos.

Uma obra que não pode ser descrita, apenas lida.

É obrigatório ler este monumento literário.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Livro: The great Gatsby - F. Scott Fitzgerald

Acabei de lêr esta obra escrita em 1925 por Francis Scott Fitzgerald.

Não tenho qualquer pretensão ou a mínima formação para ser critico literário mas posso assegurar-vos que vale a pena desfolhar estas páginas.

Não vos quero contar o romance. Só lendo, cada um de vós pode tirar conclusões acerca de uma história simples com uma narrativa rica e complexa.

Fitzgerald projecta na vivência de um Verão a imagem que tem do glamour das classes abastadas da América dos anos vinte. As pessoas vivem os anos do pós guerra com a superficilidade que a vida mundana provoca.

O retrato psicológico de cada personagem é cru, real, o leitor sente que conhece algumas daquelas pessoas. Embora representem personagens colectivas daquela época, não deixam de ter a sua própria densidade de carácter ou falta dele.

A solidão disfarçada das multidões em festa persegue o narrador e arrasta-nos com ele.

Embora se trate de um romance datado e bem situado no tempo, não deixa de ser intemporal porque nos faz reflectir sobre a nossa existência e a marca que deixamos àqueles que nos rodeiam.

O mundo da aparência corrói-nos, a decepção do narrador é a nossa própria decepção e então um dia, concluímos  que o melhor é retirar-mo-nos para longe da frivolidade, para o interior na pacatez de nós próprios, porque essa sim é verdadeira.

Leia este grande livro e tire as suas próprias conclusões.

sábado, 15 de setembro de 2012

A solução final...

O termo foi criado por Adolfo Eichmann oficial alemão capturado, julgado e executado por Israel. A Solução Final é considerada um dos aspectos mais hediondos do Holocausto resultado do pensamento nazi de que os judeus eram um problema na sociedade européia e por isto deveriam ser eliminados. Cerca de 6 milhões de judeus morreram nessa época.

A Solução Final que preconizo não é esta. Questiono-me por vezes, se não é algo assim que os dirigentes actuais pretendem? Não precisamos eliminar os pobres desta forma. Ingenuamente acredito que existe uma solução boa tanto para nós como para a Europa.




"Ao Estado cabe a missão de atacar a capitalização estéril por meio de uma ofensiva fiscal, sendo seu dever apoiar o capital criador e proteger e fomentar os investimentos de capital que produzam emprego" John Keynes. 

O tempo que hoje vivemos exige dos nossos dirigentes soluções de coragem para enfrentar os interesses instalados pelos grandes grupos económicos detentores de capital imobilizado e improdutivo.

Já nos anos trinta, nos Estados Unidos foi necessária a coragem do presidente 
Roosevelt para implementar o New Deal. Afrontou os fortes, redistribuiu a riqueza e recuperou os EUA para que na década seguinte se tornasse a maior potência económica do mundo.

Actualmente o Estado português não pode ter o mesmo papel de investidor activo como nesses tempos, no entanto pode e deve ser muito interventivo na promoção do investimento para produção de bens transaccionáveis e na protecção do emprego.

A minha Solução Final nada tem a ver com morte e desgraça. É a receita de paz, bem estar social, redução da pobreza, redistribuição da riqueza de uma forma sustentada e duradoura.

As medidas que provocam contracção da procura levam a uma crise de superprodução, logo fazem disparar o desemprego. É um ciclo vicioso negativo inevitável, tal como aconteceu nos anos da Grande Depressão dos anos trinta.

Se o Estado onerar fiscalmente o capital imobilizado acima de 1M de Euros, este tenderá a tornar-se produtivo. Para evitar a fuga de capitais deverá agravar-se fortemente a tributação à saída. O levantamento de qualquer tributação pela entrada de capitais desde que comprovadamente utilizados na criação ou manutenção de emprego, incentivaria o repatriamento de capitais entretanto parqueados em paraísos fiscais.

A desoneração do capital reinvestido em empresas que produzam bens transacionáveis e na criação de emprego, possibilitaria poupança de subsídios, resultando em redução de despesa publica.

O aumento de consumo por via do aumento de emprego possibilitaria ás empresas melhorias nos resultados, logo melhoraria a colecta fiscal. Claro que o controlo inflacionário tería de ser rigoroso ou os ganhos de produtividade rapidamente se esvairiam na especulação.

O capital não reinvestido seria moderadamente tributado em sede de IRC até 1M euros. A partir deste montante agravar-se-ia radicalmente a carga fiscal.

Para uma melhor distribuição da riqueza, por forma a dinamizar o consumo, deverá o Estado tributar o Património imobiliário acima de 1M Euros. Neste caso não se coloca o perigo da fuga do património. Para não se tornar iniqua esta medida não poderia ser permanente, manter-se-ia apenas pelo período necessario à recuperação das contas publicas.

A captação de investimento actualmente nem precisa de ser externa. Durante os próximos anos basta-nos estimular o reinvestimento interno.

Este plano deverá ser acompanhado por forte encorajamento ao consumo de bens nacionais. O IVA pode ser um excelente instrumento para discriminação do consumo a este nível. Os produtos com maior incorporação de podução nacional teriam uma taxa de IVA menor.

Se criamos emprego, criamos consumo, se criamos consumo asseguramos emprego...é um ciclo vicioso positivo. 

Os caminhos que indiquei são do lado da receita. 

Do lado da despesa é apenas necessária alguma coragem. Eliminando muitas fundações, direcções gerais, institutos publicos e outros serviços desnecessários que são sorvedouros de dinheiros publicos.

No caso das PPP o Estado pode sempre alegar o interesse publico para as renegociar. Não tem de ter medo da imagem externa porque nós não vamos deixar de pagar, vamos é fazê-lo de outra forma, pois que a usura tem limites de decência que foram em muito ultrapassados.

Ao baixar os custos o Estado precisará de uma menor receita, logo reduzirá a carga fiscal.

Estou convicto que com a simplicidade destas receitas que nada têm de novo iriamos finalmente resolver os nossos problemas estruturais.

A Solução Final: Reduzir os pobres, alargar a classe média e aumentar a riqueza sem opulência.


quarta-feira, 25 de julho de 2012

17 gramas


- Rui, é maligno!


Uma névoa perpassou o ar quente daquela manhã de Junho. O calor tornou-se denso e opressivo, quase solido. Custava-me respirar. Por fim reajo.

- Diz-me o que temos de fazer a seguir. Não podemos perder tempo, vou já ter contigo.

Desmarquei a reunião que ia ter e segui para casa...

Durante a viagem de meia hora, na minha cabeça rodavam em espiral projecções de futuro, todas sombrias, sempre negativas. Se as coisas corressem mal, como iria acabar de criar os nossos três filhos? Como iriam conviver com ausência da mãe? Porque tinha de ser connosco que o destino negro se comprazia, como sempre? Quem queria vingar todos os males do mundo em nós? Como culpar alguém?

Quando cheguei abracei-a convicto que aquela meia hora tinha encerrado todo o meu desapontamento. Não havia tempo para mais queixumes. Ela sempre foi uma vencedora não ia ser um bicho mesquinho destes que havia de a derrotar.

Li o diagnostico três vezes, fui à net verificar a nomenclatura.

Carcinoma Intraductal com padrão cribriforme. Tem solução, se não se tornou invasivo o prognóstico é muito bom. Como tem apenas 3mm a sua retirada pode ser definitivamente eficaz.

Não há tempo a perder, ficou agendada para a semana seguinte uma ressonância magnética para confirmar se o cancro não tinha alastrado.

Mais tarde a Rita contou-me o pavor que sentiu durante a ressonância magnética, disse-me que foi o que mais lhe custou neste processo, pela sensação de solidão e claustrofobia.

O esforço foi compensado com a validação do diagnóstico inicial. A operação ficou marcada para a semana seguinte.

Durante este percurso nunca houve espaço para cepticismos ou choros de auto comiseração. As nossas conversas abordavam o tema de uma forma pragmática, como se de uma tarefa se tratasse...e era isso.

Ao longo do processo a Rita apenas chorou no dia do diagnóstico e nos dois dias após a operação quando verificou a cicatriz que tinha no peito direito e soube que haviam retirado 17 gramas de tecido.

Claro que em silêncio deve ter-se questionado da sorte muitas vezes, em casa connosco sempre se mostrou animada. As crianças apenas souberam o que se passava na véspera da operação, não havia necessidade de as preocupar com antecedência.

Finalmente soubemos que tudo tinha corrido pelo melhor. Desde o diagnóstico inicial até à operação haviam decorrido 4 semanas. A equipa médica foi de um profissionalismo inexcedível.

O nódulo havia sido detectado pela médica de imagiologia no exame anual de rotina. Quase por acaso detectou uma mancha com 3mm. Esta circunstância fez toda a diferença no desfecho da historia, alguns meses mais e este carcinoma poderia tornar-se invasivo.

Irá agora seguir-se um tratamento de quimioterapia para garantir a erradicação das células cancerígenas.

Conto-vos este episódio da nossa vida para que se mantenham alerta para este tipo de problemas. O tempo é o factor fundamental. Nunca percam tempo no real sentido do termo e não percam tempo com coisas que não sejam realmente importantes.