Tratamento de temas interessantes de uma forma desinteressante. Abordagem inconsequente acerca da consequência das coisas. Tudo será devidamente tratado, mas sem qualquer resolução. Os leigos também têm direito a opinião...

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Livro: O som e a fúria - William Faulkner



William Faulkner publicou este livro em 1929. 
No romance já se verificavam todos os sinais do que em breve iria acontecer com a derrocada do mercado accionista de Wall Street. Um dos personagens/narradores seria ele próprio vitima da queda da bolsa.


É uma obra muito difícil, com 4 narradores distintos. Uma cronologia desordenada e uma escrita de pensamento directo, muito complexa e difusa.
O labirinto emocional é brilhante. Obriga-nos a uma grande atenção e capacidade de interpretação. O leitor tem uma função perfeitamente activa ao longo do romance.
Mais do que o enredo, esta obra é fundamental pela técnica do escritor.
A decadência daquela família sulista é absoluta e dolorosa. Os Compson apagam-se financeiramente e moralmente.
A amargura que emana da máe como que se propaga a toda a casa. Os esforços da criada negra para relativizar as situações negativas que a todos afectam, revelam-se infrutíferos.
Um livro pessimista que relata mais do que acontecimentos, tensões, emoções, pensamentos e um grande descredito e desencanto na humanidade.

Recomendo vivamente.

Balada do vento

Rolam pensamentos serenos
Esvoaçam difusos no ar

Temperados, lentos, amenos
Simplesmente a meditar.

Sibilando leve, afaga
Primeiro muito lento
Lentamente abafa
Como se fosse um lamento.

Agora fustiga a janela 
balada do vento
Envolve-me nela
Este som, este momento.

Vendo que se aproxima
A tempestade espiral
Alterado o clima
Tornado tropical.

Sopram ventos de cores
Uma faísca reluz
Traços de pintores
Numa tela que seduz.

Agora fustiga a janela 
balada do vento

Envolve-me nela
Nesse tom, nesse andamento.

Lentamente cessa
Pára o turbilhão
Um pássaro começa
A cantar uma canção.

Sente-se a Primavera
Chega um cheiro azul
Talvez uma nova era
Uma brisa do Sul.

Já não fustiga a janela
A balada do vento
Envolve-me nela
Outro som, noutro momento.





domingo, 3 de fevereiro de 2013

O mistério do Triangulo das Bermudas

Quem ainda se lembra do "Mistério do Triângulo das Bermudas"?


As explicações místicas para os desaparecimentos de aeronaves e navios naquela zona do Ocarno Atantico, foram agora refutadas.
E a resposta não se encontra em magnetismo, túneis do tempo, extra-terrestres ou qualquer outro tipo de fenómeno metafísico. Na realidade, os fenómenos estranhos relatados na famosa região entre Porto Rico, Florida e as ilhas Bermudas resumem-se a um problema de... gás. Concretamente, gás metano.
A ciência não pára de encontrar as respostas para os maiores mistérios da humanidade. Dois cientistas australianos anunciaram que descobriram porque navios e aviões desapareceram na região designada 'Triângulo das Bermudas'. 

Esta a conclusão do trabalho do professor Joseph Monaghan e do seu pupilo David May, da Universidade Monash de Melbourne, Austrália, publicado no American Journal of Physics.
Segundo estes investigadores, grandes bolhas de gás metano que se desprendem do solo do oceano são capazes de fazer naufragar navios e despenhar aviões. Um fenómeno que poderá mesmo explicar outros desaparecimentos noutros locais do mundo.
Já nos anos 60 o investigador Ivan T. Sanderson tinha identificado regiões do planeta onde se encontram grandes concentrações de metano. Além do famoso 'Triângulo das Bermudas', também o Mar do Japão e o Mar do Norte tem áreas onde se detectam estas 'bolsas' de gás.

Quando tal acontece, transforma-se numa bolha gigante que cresce exponencialmente enquanto sobe até à superfície. Mesmo depois de entrar na atmosfera, o gás continua a subir, expandindo-se lateralmente.

Segundo as simulações de computador dos cientistas australianos, qualquer navio apanhado nesta bolha perde imediatamente a sua capacidade de flutuação e, simplesmente, naufraga.

Se a bolha for suficientemente densa, é mesmo capaz de fazer despenhar um avião (especialmente se este voar a baixa altitude) - o metano faz o aparelho perder a sustentação e provoca danos nos motores. Nestas circunstâncias, a aeronave cai no oceano e afunda-se rapidamente.
O metano, formado após intensa actividade vulcânica submarina, está normalmente contido no interior das rochas, sob a alta pressão oceânica pode soltar-se rapidamente.

Passo a passo vão caindo os mitos...Uma pena perder-se o mistério das coisas.


sábado, 12 de janeiro de 2013

Livro: O barão trepador - Ítalo Calvino


Ítalo Calvino conta-nos a historia de um menino oriundo de uma decadente família nobre italiana. 

Cosimo em atitude de rebeldia contra as normas impostas pelos pais, resolve ir viver para cima das árvores e não mais colocar os pés no chão. 

A partir dessa altura vive uma serie de aventuras mirabolantes.

É uma história muito original, despida de alegorias, bem disposta, simpática e escrita de uma forma simples.

Recomendo a leitura deste livro leve e despretensioso.

Livro: A servidão humana - W. Somerset Maugham



William Somerset Maugham nasceu em Paris, em 1874. Sexto filho do procurador da embaixada britânica, sua primeira língua foi o francês. Ficou órfão aos dez anos, quando o mandaram para a Inglaterra para viver com o seu tio, vigário de Whitestable.  Formou-se em medicina e abandonou a carreira após o sucesso de seus primeiros romances e peças teatrais. Escreveu O pecado de Liza (1897), Servidão Humana (1915), O fio da navalha (19441), Uma dama na Malásia (1932), Histórias dos mares do Sul (1936), Férias de Natal (1939), Véu Pintado (1925), O destino de um homem (1930), dentre outros. Sofria de disfemia e foi ridicularizado na Inglaterra, pelos colegas de escola, por não falar bem o inglês. Tinha baixa estatura. Maugham viveu em desgraça, tanto na comunidade religiosa do tio, como na escola, onde era maltratado por companheiros. Tal fato fez com que desenvolvesse a habilidade de fazer observações sarcásticas daqueles que o enfureciam.Referência bibliográfica Maugham, W. Somerset, 1874 – 1965.

É um romance extenso mas fluente, cuidadosamente elaborado, cerebral, analítico, brilhante. Segundo consta é um relato praticamente auto biográfico da juventude do autor muito atormentado por um complexo de inferioridade física.

Os personagens são densos de caracter variável e absolutamente contigentes, tal como é na realidade a natureza humana. A capacidade de analise psicológica do autor é fantástica. A relação de Philip com Mildred baseada numa servidão voluntária é quanto a mim um relato perfeito das nossas contradições.

A exposição da frieza ou do afecto, da bondade ou da maldade, a avareza ou generosidade é feita de uma forma crua, directa, sem artifícios. Somerset Maugham ensina-nos que os outros não nos vêem da mesma forma que nós próprios, para o bem e para o mal.

Embora a acção decorra nos finais do século XIX, e o contexto social seja o da Inglaterra dessa época, o leitor vai-se identificando com os dramas psicológicos vividos por Philip. Nessa altura percebemos que as nossas realidades interiores não são assim tão diferentes de há 100 anos. 

Recomendo a leitura porque se trata de um romance perfeito, um dos grandes livros do século XX.