Tratamento de temas interessantes de uma forma desinteressante. Abordagem inconsequente acerca da consequência das coisas. Tudo será devidamente tratado, mas sem qualquer resolução. Os leigos também têm direito a opinião...

domingo, 13 de abril de 2014

Dan Cooper, o crime perfeito?

Isto parece coisa de cinema e não a vida real, mas desde há 40 anos que o caso DB Cooper permanece como o único sequestro da aviação americana ainda não resolvido.


Em 1971, um homem que se identificou como ‘Dan Cooper’ comprou uma passagem de Portland, Oregon, para Seattle, Washington. Durante o voo anunciou à tripulação que tinha uma bomba a bordo e exigiu um resgate de US$ 200 mil em dinheiro (hoje seriam cerca de US$ 700 mil), quatro pára-quedas e um camião de combustível esperando por ele em Seattle.


A companhia aérea decidiu concordar com as exigências e, após a libertação dos passageiros e reabastecer em Seattle, Cooper e a tripulação levantaram voo para Reno. Exigiu que o voo fosse efectuado a baixa velocidade e a uma altitude média de 10.000 pés. 

Os pára-quedas não podiam ser sabotados porque o FBI não sabia se o pirata do ar levaria consigo alguns membros da tripulação. 


Durante o voo a parte traseira do avião foi aberta e Cooper saltou sozinho de pára-quedas. Nunca mais foi visto. 
Sobre Dan Cooper muito se tem especulado. Há quem afirme que viveu na Florida após o golpe. Que terá ido viver para um país sul americano. A tese mais provável é que terá morrido no salto de pára-quedas ou por hipotermia.
Em 1980, dois pacotes de 100 notas de US$ 20 e um terceiro pacote de 90 notas foram encontrados no Estado de Washington, reforçando a hipótese do FBI de que Cooper não sobreviveu ao salto de pára-quedas, mas nenhuma explicação foi encontrada para o facto de faltarem dez notas de um terceiro saco. O restante dinheiro nunca foi encontrado.
O caso está em aberto até hoje. Ainda existem recompensas para quem revele pistas no sentido de o resolver.
Depois deste episódio, foram feitas várias alterações de segurança nos aviões comerciais para evitar que tal torne a acontecer da mesma forma.

Terá sido o crime perfeito?

domingo, 1 de dezembro de 2013

Livro: O Castelo - Franz Kafka


Escrito em 1922 por Franz Kafka, só foi publicado após a sua morte.

Na linha de O Processo este romance aborda a luta de um cidadão contra a burocracia do Estado. Nele K., o personagem principal vai tentando ter acesso ao Castelo que domina a região. A sua ambição é conseguir trabalho e aceitação por parte dos seus concidadãos. Não vai conseguir obtê-los em vida, apenas postumamente.

Genial esta alegoria. Um livro difícil mas de uma inteligência extraordinária. Nele vemos projectadas as nossas angústias enquanto seres sociais. Nós precisamos da aceitação dos outros para nos realizarmos. Quando ela não aparece desesperamos. A rejeição líquida-nos.

O Estado torna-nos meros números e os outros utilizam-nos para os seus próprios fins. O indivíduo navega entre a sua necessidade de inclusão e a exclusão a que os outros o condenam.

Recomendo vivamente a leitura deste livro de um dos maiores autores da história da literatura.

P.S. Quando fui a Praga tive o prazer de ver a casa onde viveu...

Livro: Morte em Veneza - Thomas Mann


Novela publicada em 1912 . Thomas Mann aborda o tema da beleza física e do amor platônico de uma forma inesperada.

Um escritor em período de crise criativa auto exila-se para um período de férias num hotel em Veneza. Durante a estadia apaixona-se por um jovem polaco. Nunca chega a entabular qualquer conversação com o objecto do seu amor. No entanto, é esse amor que o levará à morte.

Na época ocorre na cidade uma epidemia fatal. O escritor mesmo sabendo o perigo que corre pela sua saúde debilitada, permanece na cidade para poder continuar próximo do ser amado. Virá a morrer vítima desse seu amor platónico.

O tema do amor homossexual é abordado de uma forma sublime. Os sentimentos não têm sexo, e mesmo quem não partilha o seu ideal de beleza entende a representação de Thomas Mann.

Recomendo a leitura deste pequeno grande livro de um dos maiores nomes da literatura mundial.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Livro: O som e a fúria - William Faulkner



William Faulkner publicou este livro em 1929. 
No romance já se verificavam todos os sinais do que em breve iria acontecer com a derrocada do mercado accionista de Wall Street. Um dos personagens/narradores seria ele próprio vitima da queda da bolsa.


É uma obra muito difícil, com 4 narradores distintos. Uma cronologia desordenada e uma escrita de pensamento directo, muito complexa e difusa.
O labirinto emocional é brilhante. Obriga-nos a uma grande atenção e capacidade de interpretação. O leitor tem uma função perfeitamente activa ao longo do romance.
Mais do que o enredo, esta obra é fundamental pela técnica do escritor.
A decadência daquela família sulista é absoluta e dolorosa. Os Compson apagam-se financeiramente e moralmente.
A amargura que emana da máe como que se propaga a toda a casa. Os esforços da criada negra para relativizar as situações negativas que a todos afectam, revelam-se infrutíferos.
Um livro pessimista que relata mais do que acontecimentos, tensões, emoções, pensamentos e um grande descredito e desencanto na humanidade.

Recomendo vivamente.

Balada do vento

Rolam pensamentos serenos
Esvoaçam difusos no ar

Temperados, lentos, amenos
Simplesmente a meditar.

Sibilando leve, afaga
Primeiro muito lento
Lentamente abafa
Como se fosse um lamento.

Agora fustiga a janela 
balada do vento
Envolve-me nela
Este som, este momento.

Vendo que se aproxima
A tempestade espiral
Alterado o clima
Tornado tropical.

Sopram ventos de cores
Uma faísca reluz
Traços de pintores
Numa tela que seduz.

Agora fustiga a janela 
balada do vento

Envolve-me nela
Nesse tom, nesse andamento.

Lentamente cessa
Pára o turbilhão
Um pássaro começa
A cantar uma canção.

Sente-se a Primavera
Chega um cheiro azul
Talvez uma nova era
Uma brisa do Sul.

Já não fustiga a janela
A balada do vento
Envolve-me nela
Outro som, noutro momento.