Tratamento de temas interessantes de uma forma desinteressante. Abordagem inconsequente acerca da consequência das coisas. Tudo será devidamente tratado, mas sem qualquer resolução. Os leigos também têm direito a opinião...

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Um banco mau ou pessoas más?

Acerca do Bes toda a gente emite opiniões, faz exposições, escreve tratados financeiros, define estratégias, faz juízos de valor e tiram conclusões muitas vezes pouco acertadas, mas perigosas.

Dos fazedores de opinião, não me lembro de nenhum que estivesse no olho do furacão.


Pois, mas eu estou. Fui empregado do BES e agora faço parte do Novo Banco.


E sabem que mais? 

Não vou dizer-vos o que eu e os meus colegas sentimos.

Não vou emitir opinião.


Não vou fazer nenhuma exposição financeira.


Não tenho estratégia.


Guardo os juízos de valor para mim.

Quanto a conclusões ainda é muito cedo.
Como não quero fazer parte desse coro de opinadores de cátedra, vou abordar uma temática completamente diferente.

Em tempos escrevi:  Psicopatas x Sociopatas

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Serial Killers: O caso Ludwig


Cada vez que cometiam um crime deixavam uma nota escrita. Assinavam com o nome Ludwig sobre uma águia nazi e uma cruz suástica. Dai ser conhecido pelo caso Ludwig.  
Na verdade os protagonistas são dois italianos Wolfgang Abel e Mario Furlan. Diziam-se os últimos nazis e que tinham como missão eliminar indivíduos que consideravam como sub-humanos: prostitutas, mendigos, toxicodependentes e homossexuais.


Eram dois amigos de infância da cidade de Verona que partilhavam os mesmos interesses sinistros. Ambos com formação universitária, eram tidos pelos colegas como pessoas muito inteligentes embora com formas de estar pouco sociais, um pouco introvertidos.

O primeiro crime relatado ocorreu em 1977 quando queimaram vivo no seu carro, um cigano toxicodependente. A vítima sobreviveu apenas o suficiente para contar às autoridades que tinham sido 3 indivíduos a executar o crime. Nunca foi identificado o terceiro agressor.


Em Pádua aconteceu o segundo crime, quando um empregado do casino foi morto com golpes de faca. Pouco tempo depois um homossexual é assassinado em Veneza com 34 golpes de arma branca.

Uma prostituta de 51 anos é morta com golpes de machado em Vicenza. Também nessa altura aparecem mortos 2 padres com os crânios esmagados com golpes de martelo.

No ano de 1981 em Verona foi queimado vivo um sem abrigo que viajava à boleia. Na cidade de Treton um sacerdote homossexual é morto à martelada, tendo sido pregado pelo crânio a uma cruz de madeira.

Cinco pessoas morreram queimadas em Milão, quando os assassinos atearam fogo a um cinema que passava filmes pornográficos.



Em 1983 em Amesterdão incendiaram uma discoteca onde pereceram 13 pessoas. No Mónaco deitaram fogo à discoteca Liverpool, morreu uma mulher e outras 40 pessoas ficaram feridas.

Em Março de 1984 Furlan e Abel, vestidos de Pierrot, são apanhados a regar com gasolina as carpetes de uma discoteca com 400 pessoas, na cidade de Castiglione delle Stiviere, perto de Mantua. Na verdade o que evitou o desastre foi o material não comburente de que era constituído o mobiliário da discoteca. Foram salvos de linchamento pelos seguranças no local.

Terminava assim uma senda de crimes que provocou 28 mortos e mais de 50 feridos. 

Em julgamento negaram sempre a autoria dos crimes, mas ficou provada a ligação aos crimes em várias provas materiais, entre as quais cartas que foram encontradas no apartamento de Wolfgang Abel, tinham a mesma grafia das cartas deixadas nos locais dos crimes. Após as suas detenções cessaram os crimes com as cartas de Ludwig.

Em 1987 foram dados como culpados de 10 crimes. Por alegada insanidade parcial evitaram a pena perpétua, foram condenados a 30 anos de prisão. Após três anos de detenção foram colocados em liberdade condicional.
Em 1991 Forlan fugiu para a Grécia, onde viveu em Creta durante 4 anos. Foi recapturado em 1995, ficou detido até 2010.

Actualmente, ambos são pessoas livres. Marco Forlan é consultor de informática em Milão. Wolfgang Abel é motorista e agricultor em Arbizzano, Verona.

domingo, 20 de julho de 2014

Ibéria: Federação de Estados Ibéricos

Desde o nascimento do condado Portucalense que a maior preocupação dos seus cidadãos foi a manutenção da independência face aos restantes reinos da Península Ibérica. Após a unificação do Reino de Espanha mantivemos sempre as costas voltadas aos nossos vizinhos.

Ao longo dos nossos novecentos anos de história apenas estivemos privados da nossa independência durante o período Filipino, sessenta anos durante os séc XVI  e XVII. Exibimos com orgulho o facto de sermos o mais antigo país europeu.


Mas questiono: E daí? Quais são as vantagens que actualmente advêm dessa independência? Que nível de desenvolvimento atingimos por estarmos orgulhosamente sós?

Não seria benéfica uma fusão de Estados Ibéricos?

Penso que só teríamos a ganhar  se reuníssemos toda a Ibéria numa federação de estados autónomos, a exemplo dos EUA. Conseguiríamos prenão servar a nossa identidade cultural, mas beneficiaríamos de um peso representativo muito mais evidente junto dos nossos parceiros europeus e no panorama mundial.


A Ibéria seria o quinto maior Estado da União europeia, com cerca de 59 milhões de habitantes. Constituiria a décima primeira economia do mundo, com um PIB de 1,6 MM de dólares.


Com uma federação de estados, seriam resolvidas as questões autonómicas que desde sempre tem imperado em Espanha, especialmente no País Basco e na Catalunha. Estando todos os estados em plano de igualdade sob a égide de uma unificação federal republicana, os impulsos autonómicos seriam apaziguados.


Esta união teria um projeção enorme junto dos países de língua lusa e castelhana. Imagine-se a junção destes estados numa organização cooperativa transcontinental que envolveria países em todos os continentes.



Pensemos nas economias de escala que obteríamos com esta fusão. A máquina do Estado seria unificada e duplamente controlada, as empresas obteriam um mercado interno alargado e os cidadãos de igual modo beneficiariam dessa maior dinâmica.

Os termos da federação teriam de ser devidamente estudados por forma a preservar a identidade sócio-cultural de cada estado. Claro de o regime da nova federação teria de ser republicano.

Embora possa haver aspectos negativos nesta união, os benefícios obtidos superam em muito os custos. Os problemas que ambos os países têm não irão desaparecer por um golpe de magia mas as possibilidades deles virem a ser amenizados duplicam.

A força da Península Ibérica e dos estados luso-hispânicos no mundo, seria decisiva no quadro económico e político internacional.

Já grandes figuras da intelectualidade ibérica defenderam a união dos povos da Península, destaco em Portugal o nome de Fernando Pessoa e em Espanha o filósofo Miguel Unamuno.

Para primeiro passo para esta realidade defendo que se deveriam organizar  referendos em ambos os países, no sentido de oscultar as vontades dos povos acerca desta proposta:

Concorda com a formação da IBÉRIA-Federação de Estados Ibéricos?


terça-feira, 3 de junho de 2014

Tourada

Escrito em 1972 mas parece que foi ontem. Muito pouco mudou...



Tourada (Ary dos Santos)

Não importa sol ou sombra
camarotes ou barreiras
toureamos ombro a ombro
as feras.
Ninguém nos leva ao engano
toureamos mano a mano
só nos podem causar dano
esperas.

Entram guizos chocas e capotes
e mantilhas pretas
entram espadas chifres e derrotes
e alguns poetas
entram bravos cravos e dichotes
porque tudo o mais são
tretas.

Entram vacas depois dos forcados
que não pegam nada.
Soam brados e olés dos nabos
que não pagam nada
e só ficam os peões de brega
cuja profissão não pega.

Com bandarilhas de esperança
afugentamos a fera
estamos na praça
da Primavera.

Nós vamos pegar o mundo
pelos cornos da desgraça
e fazermos da tristeza
graça.

Entram velhas doidas e turistas
entram excursões
entram benefícios e cronistas
entram aldrabões
entram marialvas e coristas
entram galifões
de crista.

Entram cavaleiros à garupa
do seu heroísmo
entra aquela música maluca
do passodoblismo
entra a aficionada e a caduca
mais o snobismo
e cismo...

Entram empresários moralistas
entram frustrações
entram antiquários e fadistas
e contradições
e entra muito dólar muita gente
que dá lucro as milhões.

E diz o inteligente
que acabaram as canções.

(Escrito no final de 1972. Interpretada por Fernando Tordo, concorreu ao Festival da RTP da Canção de 1973 onde obteve o 1º lugar)




domingo, 11 de maio de 2014

4:19

No silêncio do pavilhão vazio um rapaz de 17 anos passa horas atirando a bola ao cesto. Gestos repetidos todos os dias, todas as semanas, durante todos os meses das aulas.
O seu sonho é um dia poder jogar na equipa da sua escola. Vai ser difícil, é autista. O seu treinador costuma colocá-lo no banco, mas nunca joga. Receia que o rapaz entre em pânico e que não corresponda às exigências da competição,

O jovem que adora o basquetebol continua o seu treino, fechado no seu mundo hermético. Não tem de ponderar muito sobre o tema. Basta-lhe a repetição mecânica daquele gesto para sentir o conforto necessário para se manter calmo. Talvez um dia surja a sua oportunidade, quem sabe?

Dia de jogo. A sua equipa está a perder por 20 pontos, faltam 4:19 minutos.
O treinador olhou para o banco:
"Porque não? O jogo está perdido... Vou premiar o esforço que tem feito. Vai entrar."

O rapaz autista entra em campo para jogar os últimos 4 minutos e 19 segundos.
Na primeira vez que recepciona a bola encesta-a de 3 pontos. Os seus colegas sentem que podem confiar na sua precisão. Ele resolve o jogo, é inacreditável, marca 6 lançamentos triplos e um de dois, num total de 20 pontos. A sua equipa vence a partida por 3 pontos. Torna-se o homem do jogo e o herói da escola.

Este relato parece extraído de um filme, mas na realidade aconteceu. Em 2006 numa escola secundária em Nova York. O jovem chama-se Jason McElwain, a escola é a Greek Athena.
Um acontecimento que correu todo o país. O presidente quis conhecê-lo. Recebeu milhões de cartas de pessoas que se sentiram inspiradas por aquele feito.
Actualmente faz atletismo e recentemente correu a maratona de Boston.
Veio-me à memória o filme Forrest Gump, também baseado numa história verídica.



São feitos destes que nos fazem acreditar num mundo melhor. Um sinal de esperança para tantos que têm vários tipos de deficiência. Todos podem vencer as suas limitações mostrando-nos coisas surpreendentes e grandes lições de vida.