Tratamento de temas interessantes de uma forma desinteressante. Abordagem inconsequente acerca da consequência das coisas. Tudo será devidamente tratado, mas sem qualquer resolução. Os leigos também têm direito a opinião...

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Mulher solteira procura marido rico


Uma mulher americana escreveu nas redes sociais a pedir conselhos para conseguir arranjar um marido milionário.


“ Sou uma mulher formosa (diria muito formosa) de 25 anos, bem formada e com classe. Quero casar-me com alguém que ganhe no mínimo meio milhão de dólares por ano.

Tem algum homem neste portal que ganhe mais de USD 500.000/ano ou mais?

Será que esposas de milionários me podem dar alguns conselhos?

Já fui namorada de homens que ganhavam de 200 a 250 mil, mas não passavam disso. Não são 250 mil que me vão permitir viver em Central Park West.

Conheço uma mulher, na minha aula de yoga, que se casou com um banqueiro e vive em Tribeca, N. York, e ela não é tão bonita, nem tão inteligente como eu.

Então? O que ela fez que eu não fiz?

O que posso fazer para chegar ao nível dela?”

Rafaela S.

Resposta que recebeu de um homem que se afirma milionário:

“ Li o seu texto com grande interesse, pensei cuidadosamente no seu caso e fiz uma análise cuidada da situação.

Em primeiro lugar, digo-lhe que não estou a fazer-lhe perder tempo, porque ganho mais de 500 mil dólares por ano.

Posto isto, considero os termos da seguinte forma: o que você oferece, visto na perspetiva de um homem como aquele que você procura, é simplesmente um péssimo negócio.

Eis os motivos: deixando-nos de rodeios, o que você propõe é um simples negócio em que põe a sua beleza física e eu ponho o meu dinheiro.

Salvo melhor opinião existe um problema. Seguramente a sua beleza vai decair e um dia vai terminar, no entanto o mais provável é que o meu dinheiro continue a crescer.

Assim, em termos económicos, você é um ativo que sofre depreciação e eu sou um ativo que rende dividendos. A senhora não só sofre depreciação, como ela é progressiva, aumenta sempre.

Clarificando, você hoje tem 25 anos e vai continuar a ser linda nos próximos 5 a 10 anos, mas sempre um pouco menos cada ano, e de repente se se comparar com uma foto anterior verá que está mais envelhecida.

Com isto quero dizer que você está no “Ponto”, que é a época ideal para ser vendida, não para ser comprada.

Usando linguagem de Wall Street, quem a tem hoje deve colocá-la em “Trading Position”, e não em “Buy and Hold”, que é aquilo para que você se oferece.

Todavia, o casamento representa um “Buy and Hold”, ou seja “Compre e Retenha”, no caso de ser consigo, não é bom negócio a médio/longo prazo, pelo que o aluguer, em termos comerciais poderá ser razoável. É uma questão que poderemos negociar.

Penso que mediante a certificação de quão “bem formada, com classe e maravilhosamente linda” é, eu como potencial interessado e futuro locatário, quero, como é prática habitual, fazer um “test drive”, antes de concretizar o negócio.

Resumindo:
Visto que comprá-la seria um mau negocio devido à sua desvalorização constante, proponho-lhe o aluguer pelo tempo em que o material se mantenha em boas condições de uso.

Espero notícias suas e despeço-me cordialmente,

O milionário que é mesmo milionário.”

Como melhorar o rating da República Portuguesa?

No âmbito dos meus deveres de cidadania, venho por intermédio deste texto singelo contribuir com a minha ajuda ao governo da Nação para que de uma vez por todas possamos resolver o problema que temos com o valor dos juros que nos são cobrados pela tomada da nossa divida pública.

Temos verificado a grande dificuldade que o nosso estimável governo tem sentido em conseguir colocar os rácios indicados pela UE nos níveis exigidos. Atente-se ao facto de ter sido necessária a ajuda uma Troika para nos colocar no correto caminho e não obstante o esforço despendido por esta “Task Force”, e porque o povo não corresponde aos altos designios propostos pelos nossos lideres, teimosamente os números têm-se mantido afastados do pretendido.

Debrucei-me sobre o tema e cheguei à conclusão que o problema reside num erro de análise. 

Ao contrario do que seria normal o problema está a jusante não a montante. A solução não está na alteração das contas públicas, são as agências de rating que procedem à avaliação dos riscos. Então se não repararem nos riscos não emitirão alertas sobre os mesmos. Ou seja se controlarmos os avaliadores de risco, teremos bons ratings.

Se não conseguimos ganhar com “fairplay”, compremos árbitro e a secretaria.

Daqui conclui que o investimento que o nosso Estado tem de fazer é nas agências de rating. Não deve ser difícil comprarmos os seus favores, nós somos especialistas nessa matéria. Basta um almoço aqui, um jantar acolá, uma prenda entregue em mãos, fazer lobby nos corredores dos centros económicos e os resultados surgirão em breve.

Temos entre nós grandes auditores financeiros, especializados em não ver, vide os nossos reguladores passados e actuais. Penso que com algumas workshops envolvendo os avaliadores, estes iluminados poderiam disseminar a sua forma de trabalhar e aí teriamos resultados ainda mais rápidos.

Imaginem a poupança. Nem precisaríamos de comprar as agências, pois que não teriamos dinheiro para isso, mas subornando uma duzia de funcionários teriamos a coisa resolvida.

Todas estas estratégias são absolutamente familiares aos nossos governantes, pelo que não seria difícil atingirmos os objetivos de melhoria dos ratings da Divida Soberana.

Resumindo: Não precisamos cumprir, basta-nos iludir os seguranças.

Sinto que já dei a minha colaboração e assim cumpri o meu dever de cidadão.

Praia do Baleal, Peniche

O mar espalha o espelho na areia
O reflexo do Sol incendeia
A lonjura quente das dunas
Com os cactus espinhosos redondos
O vento pára em brisa
A lingua de terra na água
Une a ilha a nós
O azul transforma-se em verde
O verde esboroa-se em espuma
Porque algas em fio rebolam em ondas
Um albatroz em voo
Procura a presa em baixo
Não mergulha flutua embalado
Sente-se fluir o tempo
Devagar, mansinho, sereno
A paz que mora em nós
Liberta-se no ar
Levitamos acima da matéria
Levanta-se na ordem do espaço
Na sequência da lógica universal
Metafísica forma de estar
Não nos toca o mundo
Felizes distantes de tudo
Que importa o resto?


Livro: As Neves de Kilimanjaro - Ernest Hemingway

Quatro anos após uma viagem a África, Ernest Hemingway escreveu este livro de contos, em 1935.

São oito contos:
. As neves de Kilimanjaro
.Os invencíveis
.O jogador, a freira e a telefonia
.A capital do mundo
.A curta e feliz existência de Francis Macomber
.Cinquenta mil dólares
.Um sítio limpo e bem iluminado
.O ídolo

Hemingway mostra os recursos de um grande mestre da literatura (Prémio Nobel em 1954). No seu estilo prático e direto apresenta histórias surpreendentes pela simplicidade com que retrata as fragilidades do ser humano.

Nestes contos surge a mescla de sentimentos que nos compõem em permamente antagonismo, como a coragem, a cobardia, o amor, o ódio, a esperança e a desilusão.

Gosto particularmente do conto “Fifty Grand” (Cinquenta mil dólares), a história de um pugilista.

Recomendo a leitura destes contos.

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Portugueses. Como somos?

Adoramos utilizar termos como:
Talvez, mais ou menos, possivelmente, em principio...
Porquê parar num sinal amarelo se podemos passar um vermelho?
Dizemos mal de tudo.
Somos pessimistas por natureza.
Achamos que todos os outros nos são superiores.
Sobreavaliamos os outros.
Ridicularizamos os nossos costumes.
Preferíamos ser outros que não nós.
Não acreditamos nas nossas capacidades.
Temos dificuldade em reconhecer o mérito.
Invejamos o sucesso.
Privilegiamos relações e não os desempenhos.
Premiamos a incompetência.
Promovemos a cultura do favor.
Somos defensores do nepotismo.
Damo-nos bem com a fulanização.
Somos avessos à responsabilização.
Somos rápidos a apontar problemas.
Apontamos o dedo com facilidade.
Temos dificuldades nas soluções.
O planeamento é visto como perda de tempo.
O clientelismo é normal.
O amiguismo é promovido como algo natural.
As elites perpetuam-se no poder.
A oligarquia dos incapazes mantém-se e o desgoverno continua.
O povo em geral é mais capaz do que os seus dirigentes.
Ignoramos as sociedades secretas que nos governam.
Não queremos saber de politica.
Não sabemos de nada, mas temos opinião acerca de tudo.
Damo-nos mal com o rigor.
Somos ingenuamente corajosos.
Sempre disponiveis para ultrapassar pela direita.
Quando ganhamos somos os maiores.
De repente acreditamos que não há melhor no mundo.
Na derrota somos depressivos.
Nada há de pior no mundo.
Validamos com euforia classificações subjectivas.
Nas avaliações objectivas raramente ficamos bem notados, mas isso para nós é irrelevante.
Não existe o meio termo.
Ou é o oito, ou o oitenta.
A nossa grandeza histórica choca de frente com a nossa pequenez actual.
Na maior parte das vezes conformamos-nos.
Pontualmente embandeiramos em arco e nada nos segura.
Delinear uma estratégica é trágico, porque afinal acontecem tantas circunstâncias aleatórias que não vale a pena.
O melhor mesmo é desenrascar.
Resolver à pressa nunca falha, a não ser por vezes.
Para nós o ócio é complemento da acção.
Somos simpáticos e solicitos, muitas vezes subservientes.
Humildes, convencidos e por vezes arrogantes.
Apáticos e conformistas pelo nosso fado.
Somos tristes, melancólicos e saudosistas.
Quando bem orientados somos altamente eficazes e competitivos.
Somos flexiveis, temos grande capacidade de adaptação.
Somos bons a inovar.
Somos péssimos a aplicar as criações.
Para nós é licito tentar o ilicito desde que isso represente uma vantagem imediata.
Somos fiáveis e até certo ponto de confiança, por vezes.
Somos solidários e altruistas quanto baste.
A razão raramente vence as nossas emoções.
O Sol fez de nós morenos e amaciou-nos o raciocinio.
Com tudo isto e muito mais, somos assim: Portugueses.