Tratamento de temas interessantes de uma forma desinteressante. Abordagem inconsequente acerca da consequência das coisas. Tudo será devidamente tratado, mas sem qualquer resolução. Os leigos também têm direito a opinião...

domingo, 14 de setembro de 2014

Ressaca



Ele jazia no quarto
Esperava que a luz chegasse
Mas incapaz de brilho
Deitou-se e adormeceu.

Antes disso era a ideia
De um escriba que conseguiria
Dizer ao mundo
Tudo o que sentia
Mas naquele momento
A luz da apagou-se
Talvez para sempre
Que futilidade
A realização de uma ideia...

Preso que estava na matéria
Da sensação primária.
Nada melhor do que viver o dia-a-dia
Beber cerveja, dizer asneiras
Conquistar mulheres
E não escrever
Porque o real é material.

Assim seja:
A realização de si mesmo
Sendo outro.


20/08/1991

Apenas sós



Estranho o estarmos sós
É sempre alguém que nos lembra
Que estamos sós
Porque temos de o sentir?
Sempre em relação a alguém?
É ilógico...

Devíamos senti-lo apenas,
Porque estar só é estar sozinho
Não é com ninguém...

E porque quando estamos
Apenas sós, connosco
Não nos sentimos sofrer
Se estamos sós
Mesmo sem ser com ninguém

A solidão devia ser apenas isso
Não necessita ser contra alguém
E assim não sofreríamos
Sentir-nos-íamos apenas sós
Sozinhos...



27/10/1993

Por mim, em mim, para mim, sem mim, de mim



A música triste ecoa na sala
A tristeza vive aqui
Na sala onde estou
A pena penando por mim
Dilacera o ar que se torna gelado
Tremo do frio em mim
Na sala as paredes abrem para o céu
Húmido, o ar frio da sala
E se o vento soprasse
Varreria assim o frio daqui
A sala fecharia as paredes ao céu
Húmido, passa para mim o frio
E a tristeza da musica
Voaria assim sem mim

Em silvos de magia
Um filtro de alegria
Viva, viva
Porque assim
Tudo depende de mim

A nossa inquietude



Um sinal, um simples sinal
Do regresso de tudo,
O retorno ao começo
Um susto velado por julgar irreal
Mas existe e tortura.

Não...
Recuso o sinal quero apagá-lo
Mas não se extingue
Saltita brilhante
Ofusca-me a mim.

O calor de um corpo que choca no meu
O suor da derme que mistura salgado
Um escorrer líquido, gelado
É a alma inclusa, confusa
A nádega, o seio, uma célula, um espírito
Arranca do êxtase a parte cerebral
O animal fraqueja, suspira e apaga
Volta o metafísico moral de gente
Inquieta-se o espírito
Fecunda-se a alma com a dúvida
E sofre-se, torna a sofrer-se.


10/06/1993

A vela



A chama lentamente ondula
É uma vela, é um clarão na pequenez do espírito
Se me basta? Não sei...
Talvez a busca da glória fluorescente
Merecesse mais daquilo que quero
Só isto dá para sentir que passo
Falta o resto do que não sei
Para sonhar, viver ou ser