Tratamento de temas interessantes de uma forma desinteressante. Abordagem inconsequente acerca da consequência das coisas. Tudo será devidamente tratado, mas sem qualquer resolução. Os leigos também têm direito a opinião...

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Livro: A sangue frio - Truman Capote


Foi publicado pela primeira vez na revista New Yorker, em 1965, dividido em 4 capítulos.

Truman Capote baseou-se num acontecimento ocorrido em 1959. Dois delinquentes assassinaram uma família na cidade de Holcomb no Kansas.

Capote era um jornalista/escritor que para fazer o relato dos acontecimentos, deslocou-se ao local e viveu na cidade cerca de 1 ano, falou com a população e entrevistou os criminosos que haveriam de ser enforcados em 1965.

É um romance impressionante, de uma frieza cortante. Considerado um dos melhores livros do século XX.

Penso que se trata de uma obra imprescindível. A ler, sem duvida.


terça-feira, 11 de novembro de 2014

Perguntas que valem milhares de milhões de Euros



Recentemente durante a apresentação do orçamento de estado para 2015, assisti a alguns membros do nosso governo afirmarem que ao nível da despesa pública, não havia mais custos que eventualmente pudessem ser reduzidos, havíamos chegado ao limiar máximo de contenção da despesa primária. A partir daqui o único caminho seria o de continuar a reduzir as prestações sociais ou o aumento de impostos.

Sendo eu um contribuinte ativo e líquido do erário publico, penso ter o direito a que me sejam respondidas algumas questões.

Em 2011 o Estado português não sabia ao certo quantos organismos públicos existiam. Não havia um inventário geral. Pensava-se que na administração central, local, regional, institutos, fundações e associações públicas, existiriam cerca de 13 740 entidades que se alimentavam do Orçamento do Estado e consumiam cerca de 81 mil milhões de Euros, aproximadamente 48% do PIB.

Qual foi a redução obtida com a reestruturação, fusão ou encerramento destes organismos?

Qual é realmente a situação atual dos organismos que auferem ou dependem de fundos públicos?

Porque será que a oposição não insiste nesta questão?

Porque é que os nossos jornalistas não questionam o nosso governo acerca do ponto de situação desta realidade?

Outro tema em que gostaria de ser esclarecido e que não tem só a ver com a despesa primária, são as amortizações e os juros das PPP.

Sabemos que grande fatia do nosso endividamento se deve às participações público-privadas que foram contratadas no passado recente.

Dado que vivemos uma situação extraordinária, é nas situações extraordinárias que devemos tomar medidas extraordinárias, exatamente como foi feito no congelamento de alguns encargos públicos. Mas claro, aí foi fácil actuar, com os mais fracos não custa nada.

Quanto a este tema ocorrem-me algumas questões:

Que negociação foi feita com os credores?

Quanto representa a poupança conseguida face à divida total?

Porque motivo não foram propostas moratórias sobre as amortizações ou perdão de juros sobre as dividas ?

Porque motivo continuamos a honrar os contratos com credores que entraram em incumprimento com o Estado português?

Porque é que os nossos jornalistas não questionam o nosso governo acerca do ponto de situação desta realidade?

Temos o direito de perguntar, o governo tem o dever de responder. Nunca devemos esquecer que o Estado somos nós, os governos passam, nós ficamos para pagar.

domingo, 9 de novembro de 2014

A melhor selecção de sempre



Eu sei que a escolha não é concensual. Todos nós temos no nosso imaginário recordações próprias ou inconscientemente impostas por quem nos rodeia. Por outro lado o tempo também vai alterando as memórias.

Mesmo tendo consciência de todas essas circunstâncias, assumo que, para mim a melhor seleção de futebol de todos os tempos, foi uma equipa que não ganhou nada.

Tinha 16 anos quando assisti pela televisão, ao mundial de Espanha de 1982. Durante cerca de um mês o meu mundo parou para assistir ao Campeonato do Mundo de Futebol. Na altura apercebi-me que a seleção brasileira exibia um futebol fora do normal. Jogavam como se tratasse de um carrossel que confundia os adversários.

Era esta a seleção que encantou o mundo:

Waldir Peres: brilhou no São Paulo e ganhou a confiança do treinador Telê Santana, embora muitos tenham dito que o melhor na posição era Leão.

Júnior: jogava no Flamengo, foi considerado o melhor lateral esquerdo da história do futebol brasileiro depois de Nilton Santos.

Luisinho: defesa central, foi um dos maiores ídolos da história do Atlético Mineiro.

Oscar: defesa central do São Paulo, impunha respeito e fazia muitos golos de cabeça.

Leandro: foi lateral direito no Flamengo durante toda a carreira, tinha muita habilidade e visão de jogo.

Cerezo: trinco do Atlético Mineiro, jogador muito experiente.

Falcão: um dos maiores craques do futebol brasileiro e mundial, médio centro que jogava na Roma.

Éder: um dos melhores extremos esquerdos do futebol brasileiro, dono de um pontapé invejável, fez história no Atlético Mineiro.

Zico: considerado pelos adeptos como o maior jogador da história do Flamengo, foi o maestro do Brasil no mundial de 1982.

Sócrates (Capitão): o doutor do Corinthians, foi um dos líderes daquela equipa. Um craque habilidoso, com uma visão de jogo formidável e futebol puramente artístico.

Serginho: jogava no São Paulo, só foi titular porque Careca estava lesionado. Não tinha muita habilidade, mas era eficaz, ainda hoje é o melhor marcador da história do São Paulo.

Telê Santana (Treinador): formou uma seleção primorosa que merecia a ter ganho o Mundial. Apesar daquela derrota continuou até o fim de sua vida (2006) como fã incondicional do futebol arte. Até hoje os brasileiros esperam o regresso daquele futebol mágico.

A lenda começou a ser construída quando o Brasil encantou os europeus um ano antes numa digressão pelo velho continente. Obteve três vitórias de peso, 1-0 com a Inglaterra, 3-1 frente à França e 2-1 com a campeã europeia, a Alemanha. O Brasil era apontado como o maior favorito do Espanha 82. O tetra era apenas uma questão de tempo.

No mundial, o Brasil ficou no Grupo F, com União Soviética, Escócia e Nova Zelândia. Era um grupo relativamente tranquilo, mas que tinha jogadores complicados como os escoceses Dalglish e Souness e os soviéticos Dasaev e Blokhin.

Na estreia, o Brasil enfrentou a URSS. Ao intervalo o Brasil perdia por 1-0. Mas no segundo tempo, deu a volta. Sócrates empatou aos 75´, num golaço de fora da área e Éder com num potente remate de pé esquerdo colocou o resultado final em 2-1.

Contra a Escócia, em Sevilha, novamente o Brasil começou atrás no placar, com Narey a fazer 1 a 0 aos 18´. Aos 33´, Zico empatou na marcação de um livre. No segundo tempo, Oscar, aos 48´, Éder, aos 63´, e Falcão, aos 87´, garantiram o 4-1 final.

Na última partida da primeira fase, nova goleada: 4-0 sobre a Nova Zelândia, com golos de Zico (2), Falcão e Serginho.

O Brasil praticava um futebol envolvente, como que ouvindo música, marcava golaços e encantava toda a gente. Para os portugueses, na ausência da sua seleção, eram como se fossem os nossos, o entusiasmo das pessoas era contagiante. Eu que apostava na França de Platini, rendi-me àquele futebol de sonho.

O Brasil avançou para a fase seguinte. Estava no Grupo 3 ao lado da então campeã mundial, a Argentina, e da desacreditada Itália. No primeiro embate o Brasil vence a Argentina de Maradona por 3-1, golos de Zico, Serginho e Júnior.

No jogo seguinte do Grupo, a Itália superou a Argentina e eliminou os sul-americanos. Com isso, Brasil e Itália decidiriam quem passaria para as meias-finais. Para o Brasil, bastava um empate. Para a Squadra-Azzurra, uma vitória simples era o bastante. Mas quem acreditava na derrota do Brasil?


A Itália tinha o rival engasgado na garganta pelos revezes nos mundiais de 1970 e 1978. Já o Brasil queria bater o “freguês” novamente e seguir na caminhada até então impecável rumo ao titulo. Porém, o jogo foi o apogeu e despertar de Paolo Rossi, que estava até então sem marcar golos, por ter sido suspenso após punição por um escândalo de apostas que assolou o futebol italiano antes do mundial. Paolo Rossi fez o jogo da sua vida.

Aos cinco minutos, Rossi abriu o placar. Sete minutos depois, Sócrates empatou para o Brasil. Aos 25´, Rossi fez mais um, numa falha imperdoável de Cerezo.

“Quando a Itália fez o segundo gol, olhei para o Cerezo, e ele estava chorando. Fiquei descontrolado, louco de raiva. Fui até ele e disse: se você não parar de chorar agora, meto-lhe a mão na cara. Este é um jogo para homens, Toninho. Se você está com medo, saia logo" - disse Junior, em entrevista após o jogo.

No segundo tempo, Falcão empatou. Mas aos 30´, Rossi fez o 3-2 para a Itália. Perto do final do jogo, o central brasileiro Oscar quase empatou para o Brasil, mas Dino Zoff fez uma defesa que, segundo o próprio, foi a mais sensacional de sua carreira. Fim de jogo.

Toda a gente ficou incrédula. Não se entendia o que tinha acabado de acontecer: o Brasil encantador, eficiente, rápido, fatal e artístico, estava fora do Campeonato do Mundo. A Itália, burocrática, sem brilho, estava na meia-final. Era o fim da geração de ouro do Brasil. Os jogadores não sabiam para onde ir, o que fazer, o que dizer...

A Itália de Enzo Bearzot, viria a tornar-se tri Campeã Mundial ao derrotar a Alemanha na final.

Dizem que aquela seleção era demasiado ofensiva e não sabia defender, mas a mim não me importa. É daquela que eu me lembro, e de vez em quando vou rever imagens.

A passarola



Depois de Leonardo da Vinci, no século XVI, ter desenhado a primeira máquina voadora, o padre Bartolomeu de Gusmão torna-se, em 1709, o inventor do primeiro engenho capaz de se elevar no ar.

Mais tarde, em 1783, os irmãos Montgolfier irão lançar em França, um balão de ar quente capaz de transportar pessoas.

Em dezembro de 1685, nasceu em Santos, Brasil, o jovem Bartolomeu Lourenço de Gusmão, filho de Francisco Lourenço, cirurgião-mor da prisão de Santos e da sua mulher Maria Álvares. Fez os estudos primários em Santos, seguiu para o Seminário de Belém na Baía onde completou o Curso de Humanidades. Rapaz brilhante, de ideias avançadas para sua época, rápidamente se destacou, tendo vindo a filiar-se na Companhia de Jesus, sob a orientação do Padre Alexandre de Gusmão.

Em 1709 dirigiu-se a Lisboa e pediu à corte se poderia apresentar uma "Máquina de Voar" que representaria uma vantagem importante para Portugal, tanto a nível comercial como militar. Em 19 de abril daquele ano, recebeu autorização do rei D. João V para mostrar o seu invento perante a Casa Real.

Em 3 de agosto de 1709 foi realizada a primeira tentativa na Sala de Audiências do Palácio. No entanto, o pequeno balão de papel aquecido por uma chama, incendiou-se antes de levantar voo. Dois dias mais tarde, uma nova tentativa deu resultado, o balão subiu cerca de 4 metros. Assustados com a possibilidade de um incêndio, os criados do palácio lançaram-se contra o engenho antes que este chegasse ao teto e abortaram a tentativa.

Três dias mais tarde foi feita a terceira experiência, agora no Pátio da Casa da Índia perante D. João V, a rainha D. Maria Ana de Habsburgo, o Núncio Cardeal Conti, o Infante D. Francisco de Portugal, o Marquês de Fonte, fidalgos, damas da Corte e outros cidadãos. Desta vez foi um sucesso absoluto. O balão ergueu-se lentamente, indo cair no Terreiro do Paço. Havia sido construído o primeiro engenho mais leve que o ar.

O rei ficou tão impressionado com o engenho que publicou um édito em que concedeu a Bartolomeu o direito sobre toda e qualquer máquina voadora que viesse a ser construída desde então. E para todos aqueles que ousassem interferir ou copiar-lhe as ideias, a pena seria a morte. Ao invento do padre Bartolomeu de Gusmão passou a chamar-se Passarola, em razão de ter a forma de um pássaro.

O entusiasmo revelado pelo rei não foi acompanhado pela generalidade da população. O padre Bartolomeu foi muitas vezes ridicularizado pela sua excentricidade, sendo apelidado do padre voador. Há quem afirme que o abandono das experiências foi motivado pela tremenda chacota que os ignorantes e invejosos fizeram do seu invento. Ainda antes das suas demonstrações junto à corte, os boatos circulavam pela capital. O seu engenho passou a ser chamado «Barcarola». Circulavam chacotas e pasquins ridicularizando o inventor.

O conservadorismo vigente tudo fez para abafar a propalação do invento. A Inquisição chegou a questioná-lo por colocar em causa a ordem natural das coisas, segundo eles, ao homem não havia sido concedido o poder de voar, o padre estava a desafiar os desígnios de Deus.

Os projectos que chegaram até nós apareceram em Viena. Conta-se que terão sido enviados pela rainha para a Áustria, seu país de origem.

José Saramago no Memorial do Convento faz uma alusão à passarola do Padre Bartolomeu de Gusmão, quando imagina uma máquina voadora movida por vontades.

O Padre Bartolomeu Lourenço de Gusmão faleceu em 19 de novembro de 1729, em Toledo, Espanha. É considerado um dos pioneiros da aeronáutica.

A uma personalidade desta importância, penso que nunca foi dado o devido destaque. O relevo que assume o pioneirismo das suas experiências, mereciam uma menção muito mais notória para as novas gerações.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

As máscaras de Guy Fawkes

Nasceu em 1570 em York, Inglaterra. Guy Fawkes era um soldado inglês católico que participou na “Conspiração da pólvora”. Este atentado perpetrado por católicos, pretendia fazer explodir o parlamento inglês, dominado pelos protestantes.

Fawkes era o responsável por guardar os barris de pólvora que serviriam para fazer explodir o parlamento de Westminster. A 5 de Novembro de 1605, as forças fieis ao rei protestante Jaime I, desmantelaram a operação e Guy Fawkes foi preso juntamente com outros conspiradores.

Este acontecimento é comemorado pelos ingleses até hoje, ao dia 5 de Novembro, como a celebração do “Bonfire Night”.

Fawkes e os restantes conspiradores foram condenados à morte por decapitação, os seus corpos seriam depois estripados e esquartejados.

Antes de ser conduzido ao local de execução, Fawkes conseguiu soltar-se dos carrascos e saltou de uma escada, partiu o pescoço, teve morte imediata mas evitou assim a tortura. O seu corpo foi esquartejado e exposto publicamente juntamente com os dos outros conspiradores.

Para a maioria dos britânicos Fawkes simboliza a traição, no entanto é frequentemente referido a título irónico como "o único homem que entrou no parlamento com intenções honestas".

A sua imagem acabou por se tornar um símbolo de rebelião e até de anarquia. Os manifestantes e os hackers do grupo Anonymous utilizam máscaras de Guy Fawkes.

Muitas vezes viamos estas máscaras mas não sabíamos o que representam, agora estamos esclarecidos.


P.S. Crónica inspirada numa pergunta do meu filho Nuno, 11 anos: "Pai, sabes quem foi o Guy Fawkes?"