Tratamento de temas interessantes de uma forma desinteressante. Abordagem inconsequente acerca da consequência das coisas. Tudo será devidamente tratado, mas sem qualquer resolução. Os leigos também têm direito a opinião...

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Malthus e o fim da humanidade


Lembrei-me deste tema depois de observar um post de Bill Gates no Facebook, em que revela a sua preocupação no combate à fome no mundo. Tem sido uma causa muito defendida pelo multimilionário, que já doou milhares de milhões de dólares para muitas causas nobres.

A Teoria demográfica de Malthus baseia-se no Principio da escassez. A população humana tende a crescer mais rapidamente que a produção de alimentos, o que torna a escassez num conceito de extrema importância para a economia. A visão pessimista de Thomas Robert Malthus acerca dos padrões de vida, ficou resumida na sua afirmação: "Estamos condenados pela tendência de a população crescer em progressão geométrica e a produção de alimentos em progressão aritmética”.

Malthus desenvolveu várias outras teorias económicas, mas vamos centrar-nos na teoria da População.

Em 1798 escreveu um ensaio sobre o crescimento da população na medida em que afeta a melhoria do futuro da sociedade. Na perspetiva de Malthus existiam dois obstáculos:

. Positivos, no sentido de aumentar a taxa de mortalidade (a fome, as epidemias, doenças ou pragas, a desnutrição e as guerras).
. Preventivos, no sentido de reduzir a taxa de natalidade (as práticas anticoncepcionais voluntárias).

Thomas Malthus afirmou: “O crescimento da população tem uma progressão geométrica (1, 2, 4, 8, 16, 32, 64...) se não for travado, a população mundial duplicará de 25 em 25 anos. Nas condições atuais da terra e nas circunstâncias mais favoráveis, a produção agrícola será aritmética no máximo (1, 2, 3, 4, 5, 6...). Nestas condições será inevitável que a pressão demográfica seja superior à capacidade do planeta fornecer meios de subsistência ao homem, assim a morte prematura visitará a raça humana.”

Com este raciocínio Malthus concluiu que no futuro a capacidade de aumento das áreas de cultivo estariam esgotadas em todo mundo porque viriam a estar ocupados por atividades agropecuárias, mas entretanto, população mundial continuaria a crescer. Os vícios humanos são os agentes da desgraça. Agem como um exército de destruição, mas se não conseguem vencer uma guerra de exterminação, surgem as epidemias, as pestes e as pragas que acabam por ceifar dezenas de milhares. Para concluir o equilíbrio esperado, vem então uma onda de fome generalizada, que nivela novamente a população com os recursos existentes. Estes ciclos repetidos conduziriam ao fim da humanidade.

A Teoria de Malthus havia surgido como contraponto ao otimismo então vigente, preconizado por William Godwin e Adam Smith.

A chave do desenvolvimento económico, para ele, residia no controlo de natalidade.

As catástrofes de Malthus acabaram por ocorrer em grande escala no sec. XIX na Irlanda, com a crise da batata (da qual falaremos outro dia) e no sec. XX com as 2 grandes guerras e com os surtos de fome na Etiópia e Somália. Estes acontecimentos reforçaram o poder de influência do seu pensamento.

Entretanto continuou a registar-se um aumento populacional devido aos progressos da medicina e melhoria generalizada das condições de vida. Mas esse crescimento foi acompanhado pelo acréscimo exponencial da produção, por via do desenvolvimento de novas técnicas e tecnologias. Hoje em dia a produção global supera as necessidades dos 7 biliões de seres humanos.

O problema actual reside na distribuição. É esse agora o principal desafio que se coloca à humanidade: fazer chegar o mínimo de subsistência a todos os seres humanos.

O mundo está muito longe do pleno bem estar, mas os ideólogos fatalistas ainda não têm razão. As premonições catastróficas de Thomas Malthus de há duzentos anos, ainda não se confirmaram.

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Lidice e Lezáky


Hoje ia escrever algo acerca dos animais e os circos, mas notei que já há muita gente iluminada e preocupada que debitou os seus pareceres sobre o tema. Como nada venho a acrescentar a esse assunto, resolvi debruçar-me sobre um relato verdadeiramente animalesco da história da humanidade.

A 27 de Maio de 1942, Reinhard Heydrich, responsável nazi pelos territórios da Boémia e Morávia, sofre um atentado à bomba. O seu automóvel cai numa emboscada da resistência checa nos arredores de Praga. Heydrich fica gravemente ferido e vem a falecer a 4 de Junho.
O ataque havia sido perpetrado por 2 resistentes, Kubis e Gabcik. Haviam sido treinados em Inglaterra e que tinham sido largados de paraquedas nas imediações da cidade.

Segundo os nazis, os resistentes teriam usado Lidice como esconderijo antes e após o atentado. Mas na verdade os dois haviam estado escondidos numa igreja em Praga. Ter-se-ão suicidado para evitar a captura pelas tropas nazis.

Heydrich era um dos homens mais próximos de Hitler, tinha colaborado nos planos para a “solução final” com vista à eliminação dos judeus em território do Terceiro Reich. Hitler não conformado com o ocorrido, ordenou represálias.

Lidice, nos arredores de Praga, sempre foi um foco de resistência à ocupação nazi e viria a ser o objeto de retaliação.

Em 10 de junho, as tropas nazis cercaram Lidice, impedindo a saída dos habitantes. Todos os homens maiores de 15 anos foram colocados num celeiro e fuzilados. As mulheres e crianças foram mandadas para o campo de concentração feminino de Ravensbruck onde a esmagadora maioria viria a morrer. Estima-se que ao todo 199 homens, 195 mulheres e aproximadamente 88 crianças foram vitimados pelo ataque nazi.

Em Lezáky, uma povoação próxima, havia sido descoberto um emissor de rádio da resistencia. O pesadelo foi igual. A população foi dizimada, excepto 2 crianças que foram levadas e entregues a familias alemãs.

Por indicação expressa de Hitler é arrasada a vila. Foram detonadas as casas. O terreno foi aplanado com tratores e foi semeado para se transformar em pasto. Lidice foi apagada dos mapas.

Os alemães noticiaram ao mundo o que aconteceu em Lidice, como propaganda para aterrorizar os resistentes e inimigos. Por seu lado nos países aliados passaram a utilizar o evento para alimentar o ódio contra os nazis.

Hoje, onde outrora havia sido a vila de Lidice, existe um memorial em homenagem aos habitantes mortos no massacre. A área é considerada terreno sagrado e  monumento perpétuo da República Checa. A vila foi reconstruída e ampliada a partir de 1949, e está situada a cerca de 700 metros do campo reservado à memória dos mortos.

domingo, 16 de novembro de 2014

Ilegalizar a Maçonaria, porque não?



“A Maçonaria é uma Ordem iniciática e ritualística, universal e fraterna, filosófica e progressista, baseada no livre-pensamento e na tolerância, que tem por objetivo o desenvolvimento espiritual do homem com vista á edificação de uma sociedade mais livre, justa e igualitária.

A Maçonaria não aceita dogmas, combate todas as formas de opressão, luta contra o terror, a miséria, o sectarismo e a ignorância, combate a corrupção, enaltece o mérito, procura a união de todos os homens pela prática de uma Moral Universal e pelo respeito da personalidade de cada um. Considera o trabalho como um direito e um dever, valorizando igualmente o trabalho intelectual e o trabalho manual.

A Maçonaria é uma Ordem de duplo sentido: de instituição perpétua e de associação de pessoas ligadas por determinados valores, que perseguem determinados fins e que estão vinculadas a certas regras.”
(Excerto do texto retirado do site da Maçonaria de “Introdução á Maçonaria” de António Arnaut)

O excerto acima constitui a abertura do portal da Maçonaria Portuguesa. Seria difícil encontrar palavras mais opostas à realidade. Penso que esta “seita” é a principal responsável pelas desgraças do nosso país, especialmente a partir de 1974. Mais do que uma associação secreta, estes senhores formam uma seita interessada apenas em defender os interesses dos seus próprios membros. Trata-se de uma plataforma que facilita a corrupção, o nepotismo, a cleptocracia e que compõe a oligarquia que nos governa.

Na génese da maçonaria estava a defesa dos artistas da construção. Na sua criação não estavam envolvidos interesses filantrópicos ou de progresso, o que os movia era a proteção aos profissionais da construção, para os maçónicos quantos menos soubessem os segredos da profissão mais oportunidades de negócio teriam. Os valores que este sindicato defendia eram os valores financeiros e de poder, os interesses dos membros maçons sobrepunham-se aos da restante população. Quanto mais poder financeiro possuísse, maior viria a ser a sua influência junto de quem decidia.

Hoje em dia as lojas maçónicas portuguesas mantêm estas práticas com elevado rigor. Claro que os participantes já não são exclusivamente ligados à construção civil. Existem membros dos mais variados quadrantes da atividade económica. O esquema baseia-se numa cultura de tráfico de influências, de compadrios e favores que serve para o progresso dos próprios membros. Vão deixando o legado aos seus filhos, perpetuando o poder de influência e estatuto dos seus membros, independentemente dos seus méritos, impera o factor C (cunha).

Ainda recentemente se noticiou o caso dos Golden Visa, em que alguns dos envolvidos fazem parte da maçonaria. Houve uma tentativa da ministra da justiça em instituir uma declaração de interesses a quem mantém cargos públicos, obrigando-os a declarar se fazem parte de alguma organização; logo vozes do seu próprio partido se levantaram contra, da parte do PS nem uma palavra. Por aqui se vê que a maçonaria não tem partido politico.

A grande parte das nossas elites frequenta estas lojas, bem como a Companhia dos jesuítas e a Opus Dei. Reside em parte, aqui, a explicação para o estado calamitoso do nosso Estado.


"O sistema de justiça português é constituído por lojas maçónicas e controlado pela maçonaria. Além de controlar as decisões dos processos, controla igualmente a carreira dos juízes e dos magistrados do Ministério Público e dos altos funcionários do Estado" - disse José da Costa Pimenta, um juiz jubilado, em carta dirigida à atual ministra da justiça.

Alguns exemplos do tipo de influência que exercem na nossa sociedade:

Caso CTT: (Citações do Ministério Público) Em escutas telefónicas, um indivíduo faz alusões à sua condição de maçom para obter informações do caso da venda de prédios
Caso Moderna: (Citações do Ministério Público) Uma conspiração maçónica, com a Moderna como ponto de reunião, para tomar conta das estruturas do poder em Portugal, é revelada num documento de Nandim de Carvalho.
Caso Portucale: (Citações de Abel Pinheiro) Nos governos de Guterres, o GOL era conhecido por o "gabinete", dado o número de socialistas por metro quadrado.

Um ex-Diretor do Serviço de Informações Estratégicas da Defesa (SIED), utilizou os seus conhecimentos na maçonaria para facilitar a reabilitação de um edifício que pertencia à empresa que o viria a contratar, a Ongoing. Foi igualmente acusado um líder da loja Maçónica Mozart 49, de utilizar a loja como plataforma para instrumentalizar indevidamente instituições do Estado e para servir as suas ambições pessoais. O dirigente utilizou conhecimentos que adquiriu a partir da loja Mozart para recolher informação para a empresa de informação Ongoing que mais tarde o viria a contratar. Foi a maçonaria que facilitou a obtenção da licenciatura do ex-ministro Miguel Relvas na Lusofona. Relvas, por sua vez, solicitou um relatório e informações sobre o igualmente maçom Francisco Pinto Balsemão.

A maçonaria é um instrumento de corrupção que dilui a separação de poderes, promovendo a promiscuidade entre os ricos e os poderosos. Grande parte da classe política é apenas a face visível dos poderes escondidos das lojas maçónicas. Os membros destas “seitas” acreditam ser indivíduos dotados de superioridade intelectual face aos seus concidadãos e pensam serem merecedores de privilégios porque se distinguem dos demais. Julgam mesmo que devem ter mais direitos que os outros, têm acesso a informação preferencial em operações de bolsa, fazem sempre os melhores negócios imobiliários, estão sempre na linha frente quando o assunto é poder ou dinheiro, os seus filhos têm direito a frequentar as melhores escolas e se as notas não são boas, algo terá de ser feito.

Dado o comportamento dos seus membros, uma organização tentacular deste tipo pode colocar em causa um Estado de Direito, porque não ilegalizar uma colectividade que tanto prejudica um país?

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Livro: A sangue frio - Truman Capote


Foi publicado pela primeira vez na revista New Yorker, em 1965, dividido em 4 capítulos.

Truman Capote baseou-se num acontecimento ocorrido em 1959. Dois delinquentes assassinaram uma família na cidade de Holcomb no Kansas.

Capote era um jornalista/escritor que para fazer o relato dos acontecimentos, deslocou-se ao local e viveu na cidade cerca de 1 ano, falou com a população e entrevistou os criminosos que haveriam de ser enforcados em 1965.

É um romance impressionante, de uma frieza cortante. Considerado um dos melhores livros do século XX.

Penso que se trata de uma obra imprescindível. A ler, sem duvida.


terça-feira, 11 de novembro de 2014

Perguntas que valem milhares de milhões de Euros



Recentemente durante a apresentação do orçamento de estado para 2015, assisti a alguns membros do nosso governo afirmarem que ao nível da despesa pública, não havia mais custos que eventualmente pudessem ser reduzidos, havíamos chegado ao limiar máximo de contenção da despesa primária. A partir daqui o único caminho seria o de continuar a reduzir as prestações sociais ou o aumento de impostos.

Sendo eu um contribuinte ativo e líquido do erário publico, penso ter o direito a que me sejam respondidas algumas questões.

Em 2011 o Estado português não sabia ao certo quantos organismos públicos existiam. Não havia um inventário geral. Pensava-se que na administração central, local, regional, institutos, fundações e associações públicas, existiriam cerca de 13 740 entidades que se alimentavam do Orçamento do Estado e consumiam cerca de 81 mil milhões de Euros, aproximadamente 48% do PIB.

Qual foi a redução obtida com a reestruturação, fusão ou encerramento destes organismos?

Qual é realmente a situação atual dos organismos que auferem ou dependem de fundos públicos?

Porque será que a oposição não insiste nesta questão?

Porque é que os nossos jornalistas não questionam o nosso governo acerca do ponto de situação desta realidade?

Outro tema em que gostaria de ser esclarecido e que não tem só a ver com a despesa primária, são as amortizações e os juros das PPP.

Sabemos que grande fatia do nosso endividamento se deve às participações público-privadas que foram contratadas no passado recente.

Dado que vivemos uma situação extraordinária, é nas situações extraordinárias que devemos tomar medidas extraordinárias, exatamente como foi feito no congelamento de alguns encargos públicos. Mas claro, aí foi fácil actuar, com os mais fracos não custa nada.

Quanto a este tema ocorrem-me algumas questões:

Que negociação foi feita com os credores?

Quanto representa a poupança conseguida face à divida total?

Porque motivo não foram propostas moratórias sobre as amortizações ou perdão de juros sobre as dividas ?

Porque motivo continuamos a honrar os contratos com credores que entraram em incumprimento com o Estado português?

Porque é que os nossos jornalistas não questionam o nosso governo acerca do ponto de situação desta realidade?

Temos o direito de perguntar, o governo tem o dever de responder. Nunca devemos esquecer que o Estado somos nós, os governos passam, nós ficamos para pagar.